Renatinha narrando...
Eu acordei com uma sensação estranha... não era só cansaço. Era como se meu corpo não fosse mais só meu. Antes mesmo de abrir os olhos direito, já senti o enjoo vindo, forte, daqueles que não pedem licença.
Renata: "Ai meu Deus..."
Eu levantei rápido demais e quase caí. O quarto girou por um segundo, mas eu nem pensei, só fui direto pro banheiro. Mal consegui chegar na pia... quando veio. Forte... sem controle.
Fiquei ali um tempo que nem sei medir. Só respirando, tentando voltar ao normal. Quando finalmente passou, eu escorreguei devagar até o chão, encostando na parede fria.
Minha mão foi direto pra barriga... automático.
Renata: "Você já tá fazendo isso comigo, né..."
Eu falei baixinho, quase rindo... mas era aquele riso sem graça, meio quebrado. Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede.
E aí... veio ele.
Como sempre vinha.
O jeito dele falando, implicando... o olhar... a forma como ele tentava ser durão e falhava quando era comigo. E, principalmente, a despedida.
Aquilo doeu mais que qualquer enjoo.
Renata: "Seu pai é um idiota..."
Eu respirei fundo e balancei a cabeça, deixando escapar um sorrisinho triste.
Renata: "Mas ele te ama... mesmo sem saber ainda..."
Fiquei em silêncio depois disso. Só sentindo. Sentindo tudo ao mesmo tempo... medo, saudade, insegurança... e uma coisa nova que eu ainda não sabia explicar.
Responsabilidade.
Eu me levantei devagar, me apoiando na pia, e encarei meu reflexo no espelho. Eu tava diferente. Não era só aparência... era o olhar.
Renata: "Eu vou dar conta... eu tenho que dar."
Eu falei firme... ou pelo menos tentei parecer firme.
Mas quando eu completei, minha voz entregou.
Renata: "Mesmo sem ele..."
E ali, olhando pra mim mesma, eu percebi uma coisa que doeu admitir...
Não era só sobre segurar uma gravidez sozinha.
Era sobre aprender a viver todos os dias com a falta dele... enquanto carregava um pedaço do Carioca dentro de mim.
(...)
O dia ainda nem tinha esquentado direito quando eu ouvi a batida na porta.
Meu corpo gelou na hora.
Eu levantei devagar, com aquele incômodo na barriga que não era mais só físico. Era intuição. Quando abri a porta...
Era ela.
Cléo.
Encostada no batente como se estivesse na casa dela, olhar frio, analisando cada detalhe meu, meu rosto pálido, meu cabelo preso de qualquer jeito... e demorando um segundo a mais na minha barriga.
Meu coração disparou.
Renata: O que você tá fazendo aqui?
Ela deu um sorrisinho de canto, daqueles que não chegam no olho.
Cléo: Vim te ver... que foi? Não posso?
Eu não respondi. Só dei espaço, contra a minha própria vontade. Ela entrou andando devagar, observando tudo como se estivesse avaliando território.
Cléo: Bonitinho aqui... ele caprichou.
Renata: Fala logo o que você quer, Cléo.
Ela parou no meio da sala, virou pra mim com calma demais.
Cléo: Direta... gostei, mas eu sei...
Cléo: Eu sei.
Renata: Sabe o quê?
Cléo: Não se faz de burra, Renata... eu sei do bebê. Você acha mesmo que ia esconder isso? Dele... de mim... de todo mundo?
Renata: Você não tem nada a ver com isso.
Minha voz saiu mais firme do que eu esperava... mas por dentro, eu tava tremendo. Ela chegou mais perto. Perto demais.
Cléo: Tenho tudo a ver... você sabe disso. Tu não entende onde tá se metendo.
Renata: Eu não tenho medo de você.
Cléo: Devia ter.
Aquilo arrepiou até a alma.
Ela se aproximou mais um pouco, falando mais baixo agora, mas muito mais perigosa.
Cléo: Se esse filho for mesmo dele... isso muda muita coisa.
Minha mão foi direto pra barriga, sem eu perceber.
Cléo percebeu.
E sorriu.
Cléo: Olha só... já tá protegendo.
Renata: Você não encosta nisso. Nem chega perto.
Cléo: Então escuta bem.
Ela se inclinou um pouco, perto do meu ouvido.
Cléo: Ou você some... ou eu faço você sumir.
Meu coração disparou tão forte que parecia que ia sair pela boca.
Cléo: E não é só tu... entende?
Renata: Você não teria coragem.
Ela se afastou devagar... com aquele mesmo sorriso frio.
Cléo: Testa pra ver.
Ela foi andando até a porta, como se nada tivesse acontecido. Antes de sair, parou e olhou por cima do ombro.
Cléo: Ah... e não conta com ele pra te salvar.
Aquilo doeu mais do que deveria.
Cléo: Tem coisa que ele não pode escolher.
E saiu.
A porta fechou... mas o peso ficou.
Eu fiquei parada no meio da sala, sem conseguir me mexer por alguns segundos. Minha mão ainda na barriga, meu corpo inteiro tremendo.
Pela primeira vez desde que tudo começou...
O medo foi maior que a certeza.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
