Depois que a Cléo saiu... eu entendi uma coisa que doeu mais do que qualquer ameaça.
Eu tava sozinha.
Não era só estar fisicamente sozinha naquela casa silenciosa... era um vazio mais fundo, mais sufocante. Era a sensação constante de que qualquer coisa podia acontecer e ninguém ia saber. Ninguém ia chegar. Ninguém ia me proteger.
E, mesmo assim...
o tempo não parou.
No começo, foram os dias.
Longos.
Arrastados.
Pesados.
Eu evitava sair. Evitava olhar muito pela janela. Qualquer barulho diferente fazia meu coração disparar num pulo, como se meu corpo estivesse sempre esperando o pior. Teve noite que eu acordei no susto, achando que tinha alguém na porta... e fiquei parada, sem respirar direito, só ouvindo o silêncio, tentando descobrir se era coisa da minha cabeça ou se o perigo tinha me encontrado.
Renata: Vai ficar tudo bem... vai...
Eu falava baixo, mais pra me convencer do que por acreditar de verdade.
Os enjoos continuaram. Alguns dias vinham mais leves... outros me derrubavam completamente. Teve manhã que eu nem consegui levantar da cama. O corpo pesado, fraco, a cabeça girando... e mesmo assim eu me forçava, porque não tinha ninguém pra fazer por mim.
Porque agora...
eu não tinha escolha.
Com o tempo, minha barriga começou a crescer.
Devagar no começo... quase como se o mundo estivesse sendo gentil comigo, me dando tempo pra aceitar.
Mas depois...
veio de vez.
E aí tudo mudou.
Eu comecei a me olhar diferente no espelho. A tocar minha barriga com mais frequência. Às vezes com carinho... às vezes com medo. Porque junto com o crescimento vinha a responsabilidade, e junto com ela... o peso de tudo que eu tava enfrentando sozinha.
Renata: Você tá crescendo, né...
Eu falava passando a mão devagar, tentando criar algum tipo de conexão que aliviasse aquele vazio.
Renata: Pelo menos você tá aqui comigo...
E isso era verdade.
Nos dias mais silenciosos... você era a única certeza.
Os meses foram passando assim.
Um depois do outro.
Sem aviso.
Sem pausa.
Sem ele.
Teve dias em que a saudade do Carioca vinha como um soco. Sem preparação. Eu lembrava do jeito dele, da voz, das implicâncias... e doía num nível que não era só emocional. Parecia físico. Como se faltasse alguma coisa em mim.
Mas junto com a saudade... vinha a raiva. Raiva dele ter sumido. Raiva de não saber o que tava acontecendo.
Renata: Você devia tá aqui...
Eu falava olhando pro nada, sentindo a garganta apertar.
Renata: Devia...
Mas ele não tava.
E o tempo não esperava.
Com sete meses... tudo ficou mais difícil.
Dormir virou um desafio. Minha barriga já tava grande, pesada, qualquer posição incomodava. Meu corpo doía mais. Minhas emoções estavam à flor da pele... qualquer coisa me fazia chorar, qualquer pensamento ia longe demais.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
