Capitulo 57

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Depois que o PH foi embora, eu não consegui mais ficar em paz naquele apartamento.

Eu andava de um lado pro outro, tentando ignorar a sensação de que alguma coisa tinha saído do lugar. Como se aquela visita tivesse aberto uma porta que não devia.

Eu fui até a janela, olhando a rua lá embaixo. Tudo normal. Gente passando, carro, luz... vida seguindo.

Mas dentro de mim... nada tava normal. Poucos dias antes de eu sair da casa, a Liz me emprestou um celular. E hoje finalmente ele  vibrou. Meu coração disparou na hora.

Ridículo, mas eu já sabia quem eu queria que fosse.

Peguei o celular rápido demais... quase deixando cair.

Número desconhecido. Aquilo me travou por um segundo mas mesmo assim... abri.

Mensagem simples. Direta.

"Ele não gostou."

Meu estômago gelou, na hora. Eu li de novo... e de novo. Como se as palavras fossem mudar... mas não mudaram.

Não precisava de nome. Eu sabia.

Só tinha uma pessoa que ainda tinha esse tipo de peso na minha vida.

Renata: O que que isso quer dizer...?

Eu falei sozinha, mas minha voz saiu baixa, quase sumindo.

O celular vibrou de novo.

Outra mensagem.

"Fica dentro de casa hoje."

Meu coração começou a bater mais rápido, agora de um jeito ruim.

Não era cuidado.

Não era carinho.

Era aviso.

E eu conhecia esse tipo de aviso.

Fiquei parada no meio da sala, olhando em volta... como se, de repente, aquele lugar não fosse mais tão seguro quanto parecia.

Renata: Não... não... não...

Passei a mão no cabelo, nervosa, tentando organizar os pensamentos.

O PH.

Ele tinha vindo até aqui. Alguém viu, claro que viu. Nada passava despercebido naquele mundo.

Nada.

Eu comecei a andar de um lado pro outro, sentindo a ansiedade subir. E se isso desse problema? E se alguém resolvesse "resolver"?

E se ele...

Meu celular vibrou de novo e dessa vez, um nome apareceu.

Carioca. Meu corpo inteiro travou, eu demorei alguns segundos pra abrir. Como se soubesse que, depois disso... alguma coisa ia mudar de novo.

Quando abri, a mensagem era curta. Como sempre:

"Eu avisei pra não dar brecha."

Aquilo me cortou na hora.

Renata: Brecha...?

Eu falei em voz alta, com um nó na garganta.

Era isso?

Era assim que ele via? Como se eu tivesse feito alguma coisa errada?

Meus olhos encheram de água, mas dessa vez não era só tristeza.

Era raiva também, e eu digitei rápido.

"Ele apareceu aqui. Eu não chamei ninguém."

Demorei um segundo... e mandei.

A resposta veio quase na mesma hora.

"Eu sei."

Silêncio. Eu fiquei olhando pra tela, esperando mais alguma coisa.

Qualquer coisa.

Mas nada veio.

E aquilo... me irritou mais ainda.

Renata: Então pra que falar daquele jeito...?

Eu sussurrei, sentindo o peito apertar. Joguei o celular no sofá, frustrada mas antes que eu conseguisse me afastar, ele vibrou de novo.

Eu olhei.

Demorei.

Mas peguei.

Nova mensagem.

"Fica aí. Não sai. Eu resolvo."

E foi aí que tudo mudou. Não foi o que ele disse, foi como ele disse.

Não tinha dúvida.

Não tinha espaço pra discussão.

Era o mesmo tom de sempre.

O mesmo homem de sempre.

Mesmo longe... ele ainda tava no controle.

E o pior...

Uma parte de mim ainda se sentia... protegida com isso. Eu fechei os olhos, respirando fundo, tentando entender o que eu tava sentindo.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora