Heloyse
Dois meses se foram e eu ainda não acreditava na minha nova realidade. Eu me sentia bem.
A propriedade dos Ferrel era ampla, embora não tão grande como a fazenda O'Connor ou a dos White. Uma longa cerca a contornava e sempre tinha algo para Thom consertar. O trabalho ali me absorvia, como uma terapia gratuita.
Quando eu ia à cidade com Cielo, Johnson ficava flertando comigo, no entanto, me relacionar com alguém não estava em meus planos.
Vi Patsy algumas vezes na cidade. E se antes eu suspeitava de uma antipatia por ela, agora eu tinha certeza. Seus olhares eram uma mistura de julgamento e desprezo, seguidos por sorrisos falsos. Em contrapartida, Selena, a irmã mais nova de Patsy, era encantadora.
Ruiva como a irmã, mas muito mais afável e gentil.
Terminei de trocar algumas mudas de plantas dos vasos e olhei para a extensão da fazenda e o calor escaldante me fez buscar refúgio dentro de casa. Tirei meu chapéu e enxuguei o suor da testa. Eu precisava me refrescar. Tirei a jarra de suco da geladeira e me servi. Lembrei-me do rio que Cielo havia comentado e que melhor parte ficava na propriedade do O'Connor.
Nada melhor do que se sentar à beira de um rio, acompanhada de um livro. Cielo me emprestou "A Casa Torta", da Agatha Christie. Eu amava os livros dessa autora.
Peguei a caminhonete e segui pela estrada. Alguns minutos depois, estacionei a caminhonete debaixo de uma árvore e caminhei em direção ao rio. Havia uma cerca que separava a parte na qual eu estava, da parte mais convidativa da fazenda do senhor O'Connor.
Sua vegetação era bem cuidada e na água, tinham pedras onde eu poderia ficar sentada, apreciando o lugar. Havia algumas árvores com sombras densas, aliviando o calor intenso.
O rio seguia por toda propriedade. De lá, não dava para ver a casa da fazenda. Eu poderia pular a cerca que ninguém veria.
Foi o que eu fiz.
— Droga! — eu disse assim que passei por baixo da cerca.
Meu cabelo que sempre vivia em um coque, tinha uma mecha presa no arame farpado. Puxei-a, peguei o livro do chão e segui para debaixo de uma árvore, próximo à beirada.
"Esse William era sortudo", pensei.
Ele uma “mina de ouro” nas mãos. Eu adoraria ter uma casa com direito a um rio. Eu nunca tinha visto um lugar como aquele. A água era tão limpa que eu conseguia ver as pequenas pedras ao fundo.
"Achei o paraíso."
Fiquei lá por um bom tempo. Eu me deitei debaixo da árvore e tirei um cochilo. Por volta das duas horas da tarde, cedi ao desejo de entrar na água.
Cielo garantiu que era raro alguém ir àquela parte do rio e ainda mais em dias de semana, tendo em vista que a maioria tinha piscinas em suas propriedades. Inclusive, Thom estava providenciando uma.
Despi a regata, ficando apenas de top shorts jeans.
Quando mergulhei, a sensação era tão boa que flutuei de olhos fechados, enquanto o som do balanço das folhas das árvores e o som da água, preenchiam meus ouvidos. Se eu pudesse, passaria o dia todo ali, enchendo meus pulmões com o ar da região e admirando o murmúrio da correnteza.
Soltei meus longos cabelos e dei um leve gemido de prazer com a sensação da água na minha pele.
— Eu deveria soltar os cães. Assim, ninguém invadiria a propriedade.
A voz soou em meus ouvidos e logo um arrepio percorreu pelo meu corpo. O susto, fazendo minhas veias pulsarem, me fez abrir os olhos rapidamente e me virar em direção àquela voz.
“Meu Deus! Oh, Meu Deus!
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UM PONTO DE PARTIDA
RomanceTragédia e perda deixaram Heloyse à deriva, presa em um vazio onde a dor é sua única companhia. Em busca de um escape, ela se lança ao desconhecido-não para se encontrar, mas para esquecer, nem que seja por um instante. Sua jornada a leva a terras v...
