Capítulo Vinte - Maldita mulher

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William

Depois do banho, eu me deitei na cama, mas a minha mente não me deu descanso. A imagem dela estava ali, gravada e por mais que eu tentasse afastá-la, ela insistia em voltar.
Lá estava a imagem do momento em que a vi pela primeira vez. Ela estava de olhos fechados, relaxada na água e os raios de sol iluminavam seu rosto de um jeito quase hipnotizante. Um top azul cobria seus seios que emergiam da água, os longos cabelos flutuavam como grandes ondas. Eu a observei por um tempo. Em toda minha vida, mulher alguma havia chamado tanto a minha atenção, de forma tão intensa.
Eu me distraí observando-a.
— Essa é a Heloyse, a moça que está passando um tempo com os Ferrel. Eu passei pela fazendo do Thom por esses dias e vi a moça cavalgando com ele — Calvin me informou.
Eu pedi para Calvin voltar para a fazenda e desci até o rio.
Naquele dia, eu ouvi sua voz pela primeira vez. Seu corpo curvilíneo, seu rosto, me fascinavam. Ela tinha algo diferente, algo que me prendia. Até o jeito como ela envolvia os cabelos, era... perfeito. Quando toquei nos fios que ficaram presos na cerca, eu pude sentir seu cheiro.
Eu nunca fui de me fixar em mulher alguma. Elas vinham, eu transava com elas e na mesma noite, cada um seguia seu caminho. Era simples, sem complicações, sem apego.
Mary era o único caso que fugia da regra. Durante os três anos que nos conhecemos, ela vem satisfazendo meus desejos, sendo minha válvula de escape. Era o tipo de mulher para qualquer homem. Uma bela loira de lábios carnudos.
Mas para nós dois, era apenas sexo. Ela sabia como eu era e eu sabia que ela também não se apegava. Um acordo perfeito.
Mary trabalhava na loja do Josh, onde eu comprava ferramentas. A primeira vez que a vi, ela se insinuou pra mim e eu, correspondi. Depois do sexo, ela deixou bem claro que não passaria disso e eu gostei. Odeio mulheres no meu pé. Mas, eu poderia repetir com ela, porque eu sabia que ela não se apegava a ninguém, como eu. Não me importo com quem ela fica. Não nos vemos todos os dias. Temos longos períodos longe um do outro e isso era mais que perfeito.
Mas Heloyse... Heloyse não era como Mary.
Eu deveria manter a distância e quando Thom disse que ela iria à festa dos White, eu quis ir para vê-la.
Ela usava um vestido que a deixava com as costas nuas. Todos os homens a olhavam, desejando-a. Parte de mim, queria afastá-la daquele lugar, tê-la só para mim.
Johnson não escondia o interesse por ela. Isso era um problema.
Eu passei as mãos em meus cabelos e fechei os olhos.
Mary e Heloyse eram de mundos diferentes. Enquanto uma era provocante, exagerada e usava isso a seu favor, a outra era sutil, delicada, mas sensual de um jeito enlouquecedor.
Heloyse era irritantemente linda e os lábios... Inferno, eu ficava imaginando o que aqueles lábios poderiam fazer. 
"Maldita mulher" pensei.
Aquilo não estava certo. Não fazia sentido. Passei o dia inteiro pensando nela, distraído, irritado, tentando trabalhar enquanto a imagem dela me atormentava.
Eu não devia ter ficado a sós com ela naquele jardim. Onde eu estava com a cabeça em dar a ela um resquício de romance?
Não deveria ter me deixado levar ao ponto de perder o controle. Tudo em mim dizia para manter a distância, para não me envolver, mas lá estava eu, puxando-a para mais perto, sentindo o calor dela e revelando que o que eu mais queria, era tirar seu vestido.
Era a verdade mais crua e visceral, dita sem filtros, porque é assim que eu sou.
Eu sabia o que eu queria. Eu queria deitá-la ali, esquecer o mundo por algumas horas, enquanto eu sentia o calor entre suas pernas. Eu queria me afundar em sua doçura, senti-la por inteira, até não sobrar nada de nós dois.
E ao mesmo tempo que eu a desejava, eu sentia raiva crescente em mim, porque ela não era como as outras. Não era só mais uma e isso me aterrorizava.
"Às vezes, as melhores ideias são aquelas que não planejamos", eu disse a ela.
Era uma mentira, uma justificativa barata. Mas antes que eu pudesse raciocinar, meus lábios tocaram os dela e o resto de sanidade, explodiu.
E quando a realidade veio, ela caiu como um balde de água fria. Eu observei seus olhos fechados, os lábios levemente abertos e a culpa me atingiu.
O que eu fiz piorava tudo. Eu não podia deixar que ela pensasse que aquilo significava alguma coisa.
Ela precisava entender o tipo de homem que eu era. E após a cena que Patsy fez, Heloyse certamente tinha uma opinião formada sobre mim. Talvez, isso fosse ótimo.
Hoje o dia foi difícil e então, à noite, resolvi ir ao clube da cidade. Tentei distrair a cabeça e lá, sempre tinha alguma mulher querendo a minha companhia. 
Eu juro que tentei me concentrar, mas, quando a mulher que estava próxima de mim, se insinuou, eu a encarei e percebi que nada nela me interessa.
Eu dispensei a mulher sem me importar com a sua reação. Saí e fui direto para casa.
Quando a vi caminhando sozinha na estrada, algo dentro de mim, se agitou.
Ela tinha razão, eu era insignificante. Um homem que se importa com o que é físico e imediato.
"Maldita mulher" eu pensei novamente.
Passei as mão pelo rosto, frustrado. Heloyse era mais que um simples desejo e isso era inaceitável.

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