William
Eu sou simples. Direto. Sem rodeios. Não me importo com histórias ou promessas, muito menos com as expectativas que colocam em mim. Não sou o tipo de homem que ouve sobre sonhos, medos ou que pergunta como foi o dia. Pra mim, tudo isso é ruído. O que eu quero é físico, imediato. Sem complicações, sem sentimentos.
Eu observo, escolho, vou direto ao ponto. As palavras que saem da minha boca são calculadas, cortantes, projetadas para derrubar qualquer resistência. Tudo o que faço... tudo faz parte do jogo. Porque no fim, eu não espero nada além do que ambos sabemos que estamos ali para fazer.
Quando toco, não é com delicadeza. Não é com ternura. É com firmeza, com um propósito claro. Meu objetivo não é construir nada, é consumir. Quero sentir o calor, o cheiro, o gosto. Quero ouvir a respiração pesada, os sussurros, os gemidos. Quero o instante, o momento em que tudo explode.
E depois? Depois eu levanto, me visto e sigo em frente. Sem olhares demorados, sem despedidas afetuosas. Porque isso é o que é. Uma troca, nada além disso. Não há espaço para sentimentos, não há tempo para arrependimentos ou para construir algo que sei que vai desmoronar.
Se me acham frio, que seja. Não vejo problema em ser exatamente o que sou: alguém que prefere a simplicidade do desejo à confusão dos sentimentos. É mais fácil assim. Mais seguro. Porque amor, apego, dependência... essas coisas só trazem fraqueza. E fraqueza é algo que eu não aceito. Isso ficou para trás, quando eu era um garoto fraco.
Mas, algo estava diferente.
Patsy estava ali, na cama do Hotel. Em um momento, sua pele quente estava sob meus dedos, os lábios buscando os meus. Era exatamente o tipo de momento que sempre controlei. Mas, pela primeira vez, nada fazia sentido.
Toques vazios, beijos sem gosto. Minha mente não estava ali.
Eu a afastei várias vezes. Patsy havia bebido mais uísque durante o trajeto para o Hotel e eu não poderia me aproveitar de uma mulher bêbada. Mas não era só isso. Eu também não a queria.
Eu consegui afastá-la e ela por fim, dormiu.
Levantei-me da cama. Patsy murmurou alguma, virou para o lado e voltou a dormir. Eu a cobri e me retirei. Ela nem percebeu quando saí do quarto.
Dirigi de volta a fazenda, a estrada vazia refletindo meu interior.
Heloyse tomava conta da minha mente.
E, de alguma forma, tudo o que eu sempre acreditei começou a desmoronar.
Eu tentei ignorar. Tentei sufocar isso, afastar qualquer pensamento que me levasse a ela. Tentei me convencer de que era só desejo, que era apenas a necessidade de ter algo que parecia fora do meu alcance.
O que há comigo?
O caminho parecia mais longo do que o normal. A estrada escura, o barulho do motor, o vento gelado... tudo apenas aumentava o peso no meu peito.
E então veio o pensamento que eu vinha tentando evitar a noite toda.
Heloyse e Johnson.
Eu não sabia o que me irritava mais: a possibilidade de que ela realmente pudesse corresponder a ele ou o fato de que, no fundo, ele poderia ser para ela, um homem muito melhor que eu.
Eu não sentia ciúmes. Não me apegava.
Então por que, droga, eu sentia como se algo estivesse sendo arrancado de mim?
VOCÊ ESTÁ LENDO
UM PONTO DE PARTIDA
RomantizmTragédia e perda deixaram Heloyse à deriva, presa em um vazio onde a dor é sua única companhia. Em busca de um escape, ela se lança ao desconhecido-não para se encontrar, mas para esquecer, nem que seja por um instante. Sua jornada a leva a terras v...
