Capítulo Quarenta e Quatro - Me ajude a recordar

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Michael

"Vai se ferrar!"
"Desliga, Will!"
As palavras ainda ressoavam em minha mente. Ela estava com outro.
E com que direito eu teria de reclamar?
Eu estava sendo um verdadeiro canalha. Dispensei a mulher que eu convivi por anos, para ficar com outra.
Eu não sabia onde ela estava. A casa não estava à venda, e a cafeteria ainda funcionava. Talvez ela tenha viajado. Mas para onde? Ela só tinha a mim.
Como pude fazer isso com ela? Lisy só tinha a mim e mais ninguém.
Talvez agora, haja outro.
Eu coloquei meus cotovelos sobre as pernas e minhas mãos cobriram o rosto. Eu havia feito tudo errado.
Errei com Lisy. Errei com Alice. Errei comigo mesmo.
Observei Alice chegando do mercado com meu filho. Os dois estavam tão felizes, contando o que haviam comprado para o almoço de domingo.
Eu me senti mal. Eu queria poder me sentir feliz como eles. Mas naquele momento, isso parecia impossível.
Alice sabia, mais do que eu mesmo, que eu ainda pensava em Lisy, no remorso me corroía.
Mesmo assim, me recusei a deixá-la. Então, ela prometeu me amar assim mesmo e fazer com que eu lembrasse do amor que eu sentia por ela.
Ela era tão amável, linda, que poderia ter o homem que quisesse. Mas à noite, quando estávamos juntos em nossa cama, imaginar Alice com outro homem me dava uma dor no peito, um ciúme amargo.
Eu queria olhar para Alice e seguir em frente com ela. Queria poder olhá-la e desejar passar o resto da minha vida ao seu lado, mas quando penso que eu havia sugerido o mesmo para Lisy, me sinto péssimo.
Levamos Erick para dormir na casa do Finn, filho de um amigo meu. A amizade deles era algo precioso, já que Erick havia chegado a Boston e não conhecia ninguém. Fez bons amigos na escola, incluindo Finn.
Algum tempo depois, Alice e eu estávamos em casa.
— Vou subir, querido. Você vem?
— Hã? Ah, sim... Daqui a pouco.
Alice subiu as escadas, e eu fui até o armário, peguei minha garrafa de vinho favorita e tomei um gole.
"Desliga, Will."
Eu queria tirar Lisy da minha cabeça. Queria que Alice fizesse isso.
Meia hora depois, o cansaço já pesava em meu corpo. Alice devia estar se perguntando por que eu não subi mais cedo.
Terminei o vinho e subi.
Desfazendo o nó da minha gravata, parei assim que olhei para o quarto.
Alice havia tomado banho. Seus cabelos negros, molhados, caíam para a frente enquanto ela se inclinava para passar hidratante nas pernas. A fina camisola transparente e curta revelava seu corpo sob a luz suave do abajur.
Ela estava ainda mais linda do que me lembrava. Tão jovem e apaixonada naqueles primeiros tempos. Mas agora, ela havia se transformado em uma mulher. Linda, cheia de curvas, com os lábios ainda cheios, como antes.
Quando ela ergueu a cabeça, tirando os fios de cabelo debaixo da alça da camisola, vi seus seios empinarem levemente. Ela era a perfeição.
Seu rosto ficou branco ao me ver parado à porta, corando em seguida.
— Não vi você aí.
Eu não disse nada. Não podia. Não diante daquela visão.
Terminei de tirar a gravata e me aproximei dela.
O cheiro floral do seu perfume, misturado com a fragrância dos seus cabelos, me embriagava.
Passei minha mão em seu pescoço, e senti sua pele arrepiar-se. A pele macia deslizou sob os meus dedos, e meu corpo aqueceu. Quando toquei sua bochecha, ela fechou os olhos, apreciando meu toque.
Ela estava tão linda. Eu queria amá-la. E não conseguia evitar o desejo de tocá-la.
Desatei o laço da sua camisola, e ela soltou a respiração. Eu não queria só desfazer aquele laço. Deslizei as alças da camisola e vi a peça cair aos seus pés. Sua calcinha rendada, preta, era delicada, como ela.
— Você é linda! — murmurei, tocando seu abdome liso.
Seus dedos se moveram até minha camisa, desabotoando os botões lentamente. Cada movimento dela me deixava à beira da loucura.
Quando terminou, eu tirei minha camisa e a deixei cair ao chão. Minutos depois, não havia mais nada entre nós, a não ser a delicada calcinha dela.
Peguei Alice no colo e a coloquei sobre a cama.
Ela havia se tornado uma mulher em todos os sentidos. Agora, era forte, determinada, e já não era a garota frágil que eu conhecia. Era sorridente, uma mãe maravilhosa, uma mulher dedicada. Meu peito se encheu de orgulho.
Beijei seus ombros, seu pescoço, seus seios. Beijei sua barriga e suas pernas com devoção.
Quando começamos a morar juntos, tivemos relações, mas nada foi como agora. Nada tão sereno, tão paciente…
Voltei minha atenção aos seus lábios rosados, me deliciando com o som que vinha de sua garganta. Cada gemido dela fazia meu corpo inteiro tremer.
— Oh, Michael... Por favor!
Ela arranhou meu couro cabeludo, fazendo minha pele formigar. Ela era doce. Eu estava dolorosamente excitado com o som que saía de sua boca.
— Eu te amo, Michael!
Eu parei e a olhei nos olhos.
— Não precisa me responder. Eu te amo por nós.
“Me ajude a recordar como era...” pensei.
Algo subiu pela minha garganta, mas eu não soube nomear. Era uma emoção que me sufocava. Como se eu estivesse prestes a explodir.
Colei meus lábios aos dela e a beijei intensamente.
Eu precisava estar com ela naquele momento. E foi o que fiz.
Quando senti seu calor me apertando, gemi pesado. O que era aquilo? Eu não sabia como chamar aquela sensação.
Nos movíamos devagar, alternando entre olhares e beijos. O som da nossa respiração ofegante e nossos gemidos invadiam o quarto.
Ela fechou os olhos, jogando a cabeça para trás, e tremeu com o orgasmo. A maneira como ela fazia aquilo era linda.
Continuei me movendo por mais alguns segundos e me desfiz. O suor escorrendo pela minha testa enquanto me acalmava. Foi diferente. Eu sei…
Eu a amava como antes? Eu a amava?
Eu estava confuso.
Eu a olhei. Seus olhos estavam abertos, e ela me olhava com tanta doçura que senti uma necessidade incontrolável de abraçá-la.
Aqueles olhos pediam amor. Olhei mais uma vez para o seu rosto. Seus lábios se curvavam em um leve sorriso. Eu os beijei com necessidade.
Havia algo em mim que clamava por ela.
Ah, como eu precisava dela.
Eu havia me recordado de como era amá-la.

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