Capítulo Sessenta e Quatro - Ainda existe fogo

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Heloyse

Sua resposta me atingiu como agulhas perfurando meu coração. A dor se espalhou por cada parte de mim, tão intensa que minha primeira reação foi fugir. Mas ele não permitiu. Continuava segurando meu braço, sua mão quente e firme contra minha pele.
— Eu nunca gostei de você, Heloyse. Nem por um segundo. Nem quando nos vimos pela primeira vez.
Seus olhos estavam cravados nos meus, e minha respiração falhava.
— Então me deixa ir — pedi, com a voz embargada, puxando meu braço, mas ele não cedeu.
— Não posso gostar de você — sua voz era grave, rouca. — Gostar é pequeno, é fácil de medir. O que sinto por você, Heloyse, não dá para medir, não pode ser calculado. É infinitamente mais do que gostar. Eu amo você de uma forma que não consigo dizer. Mas eu a amo.
Minha visão ficou embaçada.
— Eu senti muito mais do que um simples gostar. Eu a amei no momento em que meus olhos pousaram em você.
E então, ele me beijou.
Nada naquele beijo era pacífico. Era selvahem. Como Will era, como deveria ser. Era como um temporal que desaba de repente, intenso, impetuoso, feroz. A falta que sentíamos um do outro era quase uma dor física, e nos afundávamos nela como dois náufragos sem esperança de resgate.
Havia momentos em que parávamos para respirar, nossos rostos próximos demais, nossas respirações descontroladas. Mas tomávamos apenas um instante de fôlego, porque no segundo seguinte já estávamos nos sufocando outra vez em um beijo ainda mais urgente.
O choque do meu corpo contra a porta veio ao mesmo tempo que suas mãos me erguiam. Minhas pernas rodearam sua cintura instintivamente, meu vestido subiu e um arrepio me percorreu inteira ao sentir o calor das mãos dele na minha pele exposta.
— Eu não posso deixá-la ir — ele murmurou contra minha boca, a voz densa e carregada de desejo.
E eu não queria que ele deixasse.
Sempre houve aquela fumaça, aquela faísca perigosa entre nós, e agora, o fogo estava ali outra vez, pronto para nos consumir por completo. Não havia resistência. Não havia lógica. Éramos corpos em combustão, como sempre fomos.
Minhas mãos tremiam ao tocar seu rosto, em desespero, como se quisessem decorá-lo, absorver cada contorno. Eu o beijava em qualquer lugar que meus lábios alcançassem — rosto, mandíbula, pescoço — enquanto ele me carregava para o quarto.
Senti o colchão sob minhas costas e, num movimento rápido e impaciente, Will arrancou sua camisa. O tecido caiu no chão, esquecido, enquanto sua boca voltava a me reclamar.
Nossas mãos se moviam de forma desordenada, insaciáveis, explorando cada pedaço de pele, cada músculo, cada curva. Era a falta que sentíamos um do outro.
Ele se afastou o suficiente para desabotoar os botões do meu vestido. Mas, no meio da pressa, sua paciência se esgotou. Com um movimento decidido, ele abriu o vestido à força, os botões saltando e se espalhando pelo chão.
Os lábios quentes desceram pelo meu pescoço, encontraram a curva dos meus seios, e minha respiração falhou de novo.
Eu não usava sutiã, porque o tecido grosso do vestido cobria a região do busto. Agora, esse detalhe fazia toda a diferença.
Eu arqueei as costas quando seus lábios capturaram meu mamilo entumecido. O calor da sua boca, a suavidade e a força com que me tomava, fizeram meu corpo vibrar em um arrepio involuntário. Ele se demorou ali, sugando, mordiscando de leve, antes de passar para o outro, repetindo a tortura deliciosa.
Sua boca era impiedosa. Ávida. Terrivelmente deliciosa.
Quando ele se afastou, um protesto mudo escapou dos meus lábios. Minhas mãos foram até seu rosto, puxando-o de volta, exigindo mais.
Will sorriu contra minha pele, um sorriso malicioso e perigoso.  Beijou meu ventre, deixando um rastro de calor, de urgência.
E então, desceu mais.
Minhas pernas tremeram quando senti seus dedos afastando minha calcinha, sua respiração quente se espalhando pela parte interna das minhas coxas. Meu coração disparou violentamente, meu corpo inteiro se contraiu de antecipação.
Quando sua língua deslizou para mais perto do ponto onde eu mais o desejava, minha paciência se esgotou. Movi meus quadris, buscando-o, oferecendo-me.
Mas Will foi lento.
Cruelmente paciente.
As mãos dele seguraram meus quadris, me imobilizando, mantendo-me exatamente onde queria.
E eu sentia que logo, transbordaria.
Eu supliquei por algo que eu nem sabia o que era. Talvez para continuar ou me libertar, mas, de fato, supliquei. Will me deixava embriagada de tal forma, que eu não podia suportar. 
E, ao invés de me atender, apenas continuou.
Um gemido de frustração escapou de meus lábios. Agarrei o lençol com força, sentindo o desespero crescer, consumindo-me.
Eu estava embriagada, flutuando, incapaz de resistir.
— Por favor... Por favor, Will... Eu preciso, agora.
Eu ainda continuava com meu vestido, totalmente aberto e com minhas meias sete oitavos.
Ele se levantou, arrancou os restante das suas roupas e as arremessou no chão, em seguida, tirou minha calcinha e fez o mesmo, mas, o vestido continuou lá. Olhou para minhas meias e não as tirou.
E então, sem aviso, ele mergulhou contra mim.
Minha cabeça tombou para trás, meu corpo arqueou involuntariamente, e um grito de prazer preencheu o quarto e como se minha atitude fosse um incentivo, ele se moveu mais fundo, arrancando-me um gemido ainda mais alto.
Fechei os olhos, entregando-me àquela investida lenta e tortuosa, como se ele quisesse me provar que tínhamos todo o tempo do mundo para nos perdermos um no outro.
Mas eu não queria tempo.
Eu queria urgência.
Minha pele queimava de desejo. Meu corpo gritava por mais.
Passei a língua na curva abaixo do seu pescoço, sentindo o gosto salgado da sua pele quente. O gemido rouco que escapou de seus lábios me atingiu como um choque elétrico.
Minhas pernas se apertaram mais em torno de sua cintura, trazendo-o ainda mais para dentro de mim.
Ele estava fundo.
Lento.
Cruelmente lento.
Minhas terminações nervosas pulsavam. Meus músculos tremiam. Eu já não conseguia distinguir onde terminava e onde ele começava.
— Preciso de mais... Por favor...
Eu implorei.
E era isso o que ele queria.
Seus olhos se incendiaram, e então, ele se moveu mais rápido.
Forte. Com precisão.
Devastador.
Um filete de suor escorreu pela sua têmpora, descendo pela lateral de seu rosto. Sua boca entreaberta, o olhar sombrio e faminto... Ele era puro pecado.
Eu arquejava a cada nova investida, e sabia que estava perto.
Muito perto.
Will agarrou meu rosto, capturando minha boca, mordendo meus lábios com violência. Um som gutural escapou de sua garganta e, naquele instante, eu soube que ele estava no limite tanto quanto eu.
Sua cabeça tombou para trás por um momento. Os músculos de seu pescoço se retesaram, e um gemido baixo, carregado de luxúria, se arrastou por seus lábios.
Ele me fitou com olhos ardentes e, sem aviso, segurou meus quadris e mergulhou mais, acelerando o ritmo.
Duro.
Feroz.
Primitivo.
Eu o assistia, embriagada pela maneira como seus lábios se entreabriam, como sua mandíbula se contraía, como seus olhos escureciam com desejo. Ele era viril em cada detalhe. Um homem feito para enlouquecer qualquer mulher.
Minha visão se tornou turva. Minhas pálpebras estavam pesadas. Minha respiração, errática.
Meu corpo inteiro se retesou, arqueando sob o dele.
— Não vou aguentar, Lisy... Vem comigo!
Aquela voz. Aquele tom rouco e denso, entrando nos meus ouvidos, era minha ruína.
E então, veio.
A primeira onda me atingiu como um raio, arrastando-me para um lugar sem nome.
Meu corpo tremeu violentamente. Meus músculos pulsaram em espasmos, em um clímax que me consumia de dentro para fora.
Will capturou minha boca, engolindo todos os meus gemidos, como se quisesse tomar para si cada fragmento do meu prazer.
Depois, Will arremeteu mais algumas vezes, sua respiração pesada  e descompassada.
Seus olhos se cravaram nos meus, selvagens e ferozes, e então ele se entregou.
Um gemido rouco e profundo rasgou sua garganta enquanto ele chegava ao ápice, derramando-se dentro de mim.
Ele suspirou contra meu pescoço, ainda trêmulo, antes de murmurar, com a voz embargada:
— Eu te amo, Lisy.
E então, soltou seu peso sobre mim, seu coração martelando contra o meu.

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