O plano ruíra antes mesmo de se erguer. Assim que cruzaram os muros do castelo, o destino mostrou seus dentes. Mal, Ben e Arkin foram interceptados — não por simples guardas, mas pelos caçadores da Vanguarda Vermelha. Como sombras em meio à penumbra, Will e Helena surgiram de cada extremidade do corredor, encurralando-os com precisão cruel.
Ben e Arkin foram dominados pelas mãos frias e calculistas do filho de Clayton, que os amarrou como prisioneiros de guerra. Já Mal foi subjugada por Helena. Mas diferente de seus amigos, ela foi separada — isolada para um destino singular.
Will arrastou os dois garotos por um corredor oposto, enquanto Helena conduzia Mal por um caminho que a garota conhecia bem demais. Estavam indo em direção à sala do trono, o covil do novo tirano.
— Para onde está levando eles?
— Para um lugar mais seguro do que aquele para onde você está indo. — Respondeu Helena com um sorriso gélido. — Deveria se preocupar mais com si mesma.
— Não foram seus pensamentos egoístas que te fizeram abandonar sua família quando mais precisaram? — Mal provocou com um meio sorriso desafiador.
A resposta veio como um trovão. Um joelho certeiro colidiu com seu abdômen, roubando-lhe o fôlego e a firmeza das pernas. Mal caiu ao chão, engasgando com a dor. Antes que pudesse reagir, Helena agarrou seu cabelo roxo, forçando-a a encarar seus olhos flamejantes.
— Sua língua afiada sempre foi sua maldição, ratinha. — Rosnou Helena, com veneno na voz.
Um soco explodiu contra o rosto de Mal, abrindo-lhe o lábio. O gosto metálico do sangue se espalhou por sua boca enquanto era arrastada para frente, forçada a caminhar. Ao cruzarem as imponentes portas da sala do trono, Helena a lançou com brutalidade. Mal caiu pesadamente, os joelhos batendo contra o mármore frio, a visão turva pelo impacto.
Diante dela, no alto trono decorado com símbolos distorcidos de poder, estava ele.
Heitor.
Sentado com uma calma ameaçadora, Heitor apoiava o rosto sobre o punho fechado, observando-a sem expressão. Ao ver o sangue escorrer da boca da irmã, lançou um olhar para Helena, que retribuiu com um beijo jogado no ar antes de se retirar, trancando a porta e deixando os irmãos a sós.
Durante um momento, Heitor apenas observou Mal em silêncio. Ela, ofegante, reuniu forças para se erguer. Suas pernas tremiam, mas sua vontade era de aço.
— Encontraram a lâmpada? — Heitor disse enfim, arqueando as sobrancelhas, a voz carregada de sarcasmo.
— Por quanto tempo você guardou essa piada? — Mal respondeu com desprezo, a voz trêmula pela dor, mas firme pela ousadia.
— Sua vida está nas minhas mãos e você acha espaço para ser petulante. — Heitor disse, ainda sorrindo e com a maçã do rosto apoiada no punho fechado. — Imagino que pelo mesmo motivo Helena te bateu.
— Ela sempre procura um motivo pra me bater. — Mal deu de ombros, cuspindo um pouco de sangue. — Seja melhor do que ela. Me desamarre. Vamos ver quem é o verdadeiro herdeiro de Malévola... numa luta justa.
Heitor deu uma risada baixa. Mal sentiu a raiva queimar em suas veias. Durante anos, ele a fez sentir-se menor. Ele sempre se achava mais esperto, mais forte. Mas ela não era mais uma criança. Aprendera a lutar, a cair e levantar, a sobreviver.
— Vamos acabar logo com isso, Heitor. — Mal declarou, firme como uma guerreira diante do trono do inimigo. — Eu tenho pessoas para salvar e recuperar meu território.
— Acha mesmo que pode me derrotar para salvar alguns prisioneiros? — Heitor sorriu com desdém, como um deus brincando com o destino dos mortais. — É impressionante o quanto você insiste em ser ingênua. Me diga, Mal... por que acha que foi tão fácil invadir o castelo?
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Descendentes 4
PrzygodoweApós a destruição da barreira e a reconstrução da ponte, alguns vilões e seus descendentes encontraram um lugar no mundo e tentaram viver em paz. No entanto, nem todos ficaram satisfeitos com essa nova realidade - e com razão. A maioria dos vilões n...
