Os olhos de Jay estavam cravados em Will, atentos como os de um predador encurralado, pronto para agir ou fugir. O silêncio pesava até que Will, após examinar as chaves, soltou um longo e exausto suspiro.
— Esses esqueletos... vivem deixando tudo cair. — Resmungou ele, com desdém, antes de guardar o molho de chaves no bolso. — Já falei com Heitor, mas é como falar com uma porta.
Jay sentiu os ombros relaxarem. O conflito que ele não poderia vencer fora evitado por ora. Seu coração, antes galopando como um tambor de guerra, começou a desacelerar.
— Eu vou falar com ele. — Kalila disse para Will. Jay ficou impressionado na capacidade da mais velha em manter a calma.
— Como se ele te escutasse. — Will brincou. — Vou dormir. Não demore muito, está bem? Amanhã o dia vai ser longo.
Will bagunçou uma última vez os fios brancos no topo da cabeça da garota de pele morena e seguiu para fora das masmorras. Kalila assistiu o filho de Clayton ir embora e apenas quando ele fechou a porta voltou a se mover.
Com um gesto afetuoso, ele bagunçou os fios brancos no topo da cabeça de Kalila e saiu das masmorras, deixando para trás apenas o som das portas se fechando. Kalila, em silêncio, observou-o partir. Só quando a porta se fechou por completo, ela se moveu.
— Vamos. — Ordenou com firmeza.
— E as algemas? — Jay sussurrou, preocupado.
Will havia levado as chaves, impossibilitando que eles abrissem as algemas para libertar os amigos. Mas Kalila, impassível, entrou na cela e retirou um pequeno cabo oculto sob suas vestes. Do pescoço, retirou um cristal pendurado por um cordão. Ao encaixá-lo no cabo, a luz emergiu com intensidade divina. A arma mística se revelou: uma adaga de pura energia, radiante como o sol nascente.
Com precisão e leveza, Kalila cortou as algemas de Arkin. O metal pesado se abriu como se fosse cera ao calor. Em seguida, libertou Evie. Mas quando se aproximou de Ben, ele recuou, agarrando-se às grades.
— Eu não vou. Não posso ir. — Sussurrou ele, a voz rouca e mergulhada em tristeza. As olheiras marcavam seu rosto como cicatrizes de alma.
— Ele está assim desde que Will contou sobre o rei. — Revelou Evie, em tom baixo
Kalila se ajoelhou ao lado de Ben, os olhos mergulhados na dor do rapaz.
— Por que você não pode ir? — Ela perguntou calma, como se tivessem todo o tempo do mundo.
— Não tenho o direito. — Respondeu ele, cerrando os olhos, tentando conter as lágrimas que insistiam em cair.
— Pode chorar depois, Ben. Agora precisamos fugir. — Apressou Jay, tentando avançar, mas Kalila o conteve com um gesto gentil.
Ela se aproximou ainda mais de Ben e, com ternura, acariciou sua bochecha, limpando as lágrimas com o polegar. Pela primeira vez, ele a olhou nos olhos.
— Ben, para o passado não há mudança, apenas para o futuro. Se quer fazer algo para se redimir, deve tentar salvar o que ainda pode ser salvo. Heitor, Will e Helena não podem. Os seus amigos e as crianças da Ilha que vivem em medo podem. Você é a chave para a paz no reino. — Ben negou veemente com a cabeça, chorando ainda mais. Kalila moveu a mão para o topo da cabeça do rapaz. — É sim. É o seu destino.
— Como você tem tanta certeza?
— Como pode ter tanta certeza?
— Porque sou mais velha. Mais esperta. — Respondeu Kalila com um pequeno sorriso, depositando um beijo carinhoso em sua testa. — Agora, respire. Preciso que se acalme. Consegue fazer isso por mim?
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Descendentes 4
AventuraApós a destruição da barreira e a reconstrução da ponte, alguns vilões e seus descendentes encontraram um lugar no mundo e tentaram viver em paz. No entanto, nem todos ficaram satisfeitos com essa nova realidade - e com razão. A maioria dos vilões n...
