twenty three. be careful with the words

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Escuro. Estava escuro demais, um breu infinito que seus olhos não conseguiam enxergar um fim por mais que se esforçassem. Silencioso. Estava silencioso demais, parecia que o silêncio estava espreitando em meio a escuridão, apenas esperando pelo momento que iria engolir a Dama dos Pesadelos por inteira.

Ela respirou, o ar tão frio adentrou em suas narinas e causou uma sensação incômoda. Seu corpo estremeceu. Demetria estava sozinha em meio ao escuro. Sentada no piso frio, encolhida com seus braços em torno de suas pernas. Uma sensação crescente em seu peito dizia que deveria ficar ali, aguardando por algo que nem ao menos possuía alguma ideia do que era. Ela não sabia quanto estava ali, e sinceramente, não se importava realmente. Porém, havia a certeza dentro de seu peito que estava lhe dizendo que não deveria estar ali.

Um arrastar de passos fez com que suas orelhas arqueadas se balançasse suavemente. Demetria fitou o vazio, buscando por quem estava produzindo aquele. E assim que o fez, ela se arrependeu terrivelmente de tê-lo feito.

Pois ali estava ele, os cabelos castanhos caindo em uma tez, grudado na sua pele por conta do sangue que banhava praticamente todo seu rosto, se arrastando lentamente pela pele alva antes de cair no chão em forma de uma gota, conseguindo sujar os pés de Demetria. Um sorriso surgiu, um mero esticar de lábios que arrepiou todos seus pelos, enviando uma sensação que a fazia querer se curvar e colocar tudo que se encontrava retido em seu estômago para fora.

Dedos se encontraram com sua testa já suada, e afastaram os fios acastanhados de seu rosto. A fêmea se encolheu diante do toque frio, uma vontade de chorar surgiu, pressionando-a para liberar as lágrimas que sempre estava contendo desde que saiu daquela maldita montanha.

Em meio a escuridão, os olhos verde-prata de Demetria fitaram o sorriso viperino que surgiu nos lábios de Lionel quando o mesmo inclinou a cabeça, revelando os cortes em sua garganta que expulsava o sangue que, de forma lenta, manchava a túnica branca que vestia.

Uma outra figura surgiu. Cabelos vermelhos como o sangue no tecido do macho e olhos cor de ébano parecendo absorver toda ao redor dos três. Amarantha se agachou no lado de Lionel, e assim como ele, sorriu. O perigo espreitava por cada pequeno gesto realizado, principalmente quando a frase que até a própria morte temia escapou por seus lábios:

─ Olá, Demetria.



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Demetria não havia dito nada desde que acordou naquela manhã, seu corpo nu coberto por um grosso lençol de pele e rosto se apoiando no peito do macho, olhos acompanhando o movimento que seus dedos realizavam sobre a pele bronzeada de seu parceiro. Ela se manteve afundada em seus próprios pensamentos, apenas aguardando pelo momento que Rhysand acordaria e a visse ali. E quando o que tanto esperava aconteceu, continuou silenciosa, uma vez que a forma que o macho havia a abraçado, depositando um beijo em seus fios castanhos, deixou claro que ele já possuía ideia do que estava a fazendo ficar tão quieta.

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