twenty one. mortal reminder

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Nos braços de Rhysand, agarrando-se em sua túnica para prendê-lo ali com ela conforme a dor incessante avançava, tomando seus ossos e apertando seus pulmões com tanta força que viu-se engasgando mais de uma vez, Demetria lamentou.

Derramou lágrimas pela família que tanto amava, pela cidade de luzes que construiu. Ela deixou seu coração sangrar por aquela pequena criança que encontrava conforto em seus braços, apesar de saber quão mortal é. Aquele homem de olhos cruéis que foi o primeiro a chamá-la de filha, segurando suas mãos manchadas pela morte. O homem condenado a nunca vê-la que enxergou seu interior como realmente é e, ainda assim, apaixonou-se por ela. O menino illyriano que havia tantos sonhos e esperanças reunidas com um coração tão cheio de gentileza, a quem escolheu o caminho da guerra para proteger aqueles que amava. E aquele menino que tinha sombras como única companhia até conhecê-la.

Eles a abraçaram, beijaram suas bochechas e mantiveram-se próximos, dividindo refeições e enchendo as taças um dos outros. Jamais demonstraram um pingo de hesitação quando se tratava de acolhê-la, cobriram suas feridas com as próprias palmas, afastaram a culpa agarrada aos seus ombros como um agouro, a fez ver que o abismo deixado pela ausência permanente de Lionel não deveria ser uma penitência a ser carregada. Para uma menina que fora abandonada no escuro, obter o significado de uma família e participar de uma facilmente seria considerado uma espécie de sorte na Cidade Escavada, um pedido tolo berrado para as estrelas cadentes que fora ouvido, pois o que a Mãe mais possui é um humor digno de peças.

Ela os perdeu. Mais uma vez, suas ações erráticas manchadas por sua prepotência e arrogância fora o motivo pelo qual perdera quem amava. Mais uma vez, seus inimigos ousaram cometer o erro de tocar nos feéricos que ama tão ferozmente.

Há cinquenta anos, quando sua pele ainda não se espalhava sobre seus ossos como uma roupa fina que destacava cada gesto seu e absorvia o impacto dos golpes descuidados, presa na imundície com sangue jorrando entre seus dedos, caindo e espalhando-se pelo piso da masmorra, enquanto a junção do cheiro ferroso e do fedor de mofo prendia seu estômago em um aperto firme, provocando-a com o pensamento de vomitar as próprias tripas para intensificar sua miséria. Demetria, em sua constante decadência desde a morte brutal de Lionel, rodeou as mãos pequenas no pescoço daquela sombria presença pairando sobre seu ombro, sufocando-a com certo prazer, pois recusava-se a sentir qualquer coisa que não fosse o ódio borbulhante em suas veias. Ela não desejava ser devorada pelos dentes afiados do luto. Muito menos, ser iludida pela negação ou humilhar-se diante da barganha. Então, os matou com as palmas mutiladas, reivindicando sua velha amiga que a cutucava furiosamente, empurrando-a para frente, um murmúrio venenoso enrolando em seus ouvidos diz: os faça pagar.

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⏰ Última atualização: Jul 06 ⏰

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