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Eu havia dormido igual a uma pedra, apesar de ter percebido Minashigo me cobrindo, mas ainda assim foi mais do que suficiente para que eu conseguisse descansar e me livrar daquele sono que pesava sobre mim. Tirei as cobertas que ainda me cobriam, me sentando sobre a cama e pegando meu celular na cabeceira ao lado da cama, tirando-o do carregador no processo. Devido ao horário, o clima estava mais congelante do que antes, fazendo com que eu me arrependesse de não ter tomado um banho antes de ter dormido. Abri minha mochila no chão, tirando uma calça de moletom e peças íntimas limpas, deixando minha mochila em cima da cama. Desci as escadas para a parte do térreo da casa e indo na direção do banheiro, torcendo para que tivesse alguma toalha no cômodo, ao mesmo tempo em que minha atenção era tomada por algo do lado de fora da casa. Ao olhar melhor já estando na porta do banheiro, pude ver que se tratava de Minashigo acendendo uma fogueira, perto de um lago, e apesar da minha curiosidade, abri a porta em minha frente e entrei no cômodo em questão. Apesar do frio, havia uma toalha separada de várias outras, e com algumas manchas escuras de uso, o que me fez pensar que Minashigo poderia ter usado-a antes. Tranquei a porta atrás de mim e comecei a me despir, deixando minhas roupas em uma prateleira perto do box do chuveiro, e antes de entrar no box, levantei um pouco o curativo que ainda estava no meu braço, podendo ver a crosta que havia se formado por baixo da gaze. Debaixo do chuveiro, a água caia sobre mim enquanto eu passava o sabonete pelo corpo, evitando de molhar o cabelo e o braço enfaixado, e devido ao tempo de frio, meu banho havia sido mais rápido que o normal, e nisso eu me secava com uma das toalhas não usadas, me vestindo em seguida. Apesar das roupas usadas em mãos, fui até a cozinha e olhei a dispensa, pegando um pote com pó preto, tirando a tampa e cheirando o conteúdo que tinha dentro, que era café. Deixei o pote de lado e peguei uma chaleira, deixando-a embaixo da torneira na qual abri, fazendo com que o recipiente enchesse de água e me deixando surpresa por não estar saindo gelo daquela torneira. Coloquei a chaleira sobre o fogão e acendi a boca no qual havia ficado, e enquanto a água esquentava, eu subia outra vez as escadas, chegando ao quarto e guardando as peças de roupa que ainda estavam em minhas mãos em minha mochila, tirando meu carregador da tomada e guardando-o também, fechando a mochila em seguida. Voltando para a cozinha, a água já havia esquentado o suficiente, então apenas coloquei o café no líquido e o misturei com a água até certo ponto, esperando a água ferver de vez, e quando ferveu, joguei-a em um filtro de papel e fazendo com que caísse em outro recipiente. O café já estava pronto, então coloquei um pouco em dois copos, pois nesse clima de frio, não demoraria muito para que esfriasse, e como se sentisse algo, Minashigo entrava de volta na casa.
- Dava pra sentir esse cheiro de lá de fora!
- Café é uma bebida universal, provavelmente!
- Você não teria coragem de dizer isso na frente de um britânico!
- Levando por esse lado! - Minashigo ria enquanto eu dava de ombros e entregava uma caneca de café para ele, que pegou já tomando um gole, fazendo careta em seguida.
- Sem açúcar?
- Você não gosta?
- Acho que agora estou começando a ter medo de você! - Minashigo abria a dispensa, procurando o açúcar, e quando encontrou, virou o pote na caneca, fazendo cair vários filetes de açúcar no café.
- Você parece uma das minhas amigas! Ela é praticamente uma formiga!
- Agora tá explicado o porquê de você falar enquanto dorme! - Acabei engolindo café demais com a tal fala de Minashigo, que me pegou de surpresa.
- Droga! De novo não! - Deixei a caneca sobre o balcão, me apoiando sobre ele com ambas as mãos. - O que exatamente eu falei?
- Disse algo sobre não querer usar salto alto, e também falou brevemente de um tal de Olaf!
- Ah! - Suspirei de repente. Não havia dito nada demais. - Quando fui com a minha mãe comprar meu primeiro salto alto, eu acabei torcendo meu pé e quebrando o salto antes mesmo de pagar! Apesar da vergonha, fiquei mais triste pela minha mãe que teve que pagar algo que eu nem iria poder usar! Desde então eu preferi tênis, sapatos e botas.
- E esse... Olaf? - Apesar de que eu já iria responder tal pergunta, pude perceber que Minashigo se sentiu invasivo ao perguntar aquilo, quando tomava outro gole do café, em um ato apressado de disfarçar aquilo.
- É um coelho de pelúcia que eu tenho! Tinha levado ele no primeiro dia de aula, mas a minha mãe tomou de mim quando fui para o lado de dentro do maternal! Mas não fiquei triste por muito tempo!
- Você já tomava café sem açúcar nesse tempo?
- Acho que estou quase te dando um tapa!
- Haha desculpa! - Peguei outra vez a caneca e, em um único gole, tomei todo o café que ainda tinha, deixando a caneca sobre a pia. Eu estava saindo da cozinha e voltando para o quarto, até que... - Erina! Eu sei que eu só estou te acompanhando nessa viagem, mas... Nós poderíamos ir um pouco mais rápido para a Itália? - Fiquei olhando para Minashigo, e ele sabia que eu queria a razão por trás daquele pedido. - Aquele meu amigo que eu tinha dito antes... Ele vem passando por um momento difícil e, eu queria poder ajudar! Eu vou entender se você não quiser isso! Eu só peço pra... Pra você não ficar chateada comigo! - Não respondi de imediato, apenas voltei para o quarto e peguei minha mochila, descendo outra vez as escadas e indo até a porta da frente da casa.
- Sabe se tem alguma linha de metrô, do mesmo jeito que tinha na Rússia? - Eu não olhava para trás, mas a respiração de Minashigo denunciava sua surpresa.
- Quer dizer que...
- Existem poucas cidades entre nós e a fronteira com a Suécia! Se tiver um metrô que cruze toda a Finlândia, chegaremos na Suécia ainda hoje! E se tiver o mesmo lá, estaremos na Noruega até o final do dia! Ou até mesmo em um navio para o Reino Unido! - Enquanto ouvia Minashigo correndo para buscar suas coisas no andar de cima, apertei forte a alça da minha mochila. Minashigo tinha sua preocupação com seu amigo, e eu também tinha a minha com meu pai, e talvez tenha sido a junção dessas duas coisas que me fez querer apressar essa viagem.
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General FictionExplorações, registros, conhecimentos, comentários sobre tais coisas, eram coisas que Erina admirava no homem da sua vida, seu pai. Desde sempre, a garotinha do papai mostrava interesse na profissão do homem que cuidava da família, e em resposta, o...
