No andar de cima haviam quatro portas, estando duas do lado esquerdo da escada, e as outras duas do lado direito, e todas fechadas. Era a minha primeira vez no local, então por consequência eu deixei Ethan e Minashigo me guiarem, e os dois foram até a porta mais a esquerda do andar de onde alguns risos altos saíam, aparentemente de apenas uma pessoa. Parado de frente para a porta, Ethan hesitou um pouco, até que segurou na maçaneta e a girou, revelando o interior do local, mesmo que eu mal pudesse ver por cima dos ombros dos dois. O riso alto ficou ainda mais intenso, e mesmo que abafado, um som de trompetes e instrumentos de cordas tocava ao fundo, quase sendo imperceptível. Alguém de lá de dentro havia percebido que a porta havia se aberto, e não apenas sua voz pesada, como seu jeito de falar com Ethan entregava de quem aquela voz era.
- Luna tinha dito que você saiu no mesmo momento que a equipe de checagem surgiu! Tudo bem? - A voz parecia uma repreensão, mas ao mesmo tempo, também aparentava preocupação, como se o bem-estar de Ethan importasse mais do que o seu próprio.
- E- *soluço* Ethan! Como vai? - Ethan era puxado para dentro em um abraço, abraçando a pessoa de volta, não ligando para o atual estado daquele que estava na sua frente. Em paralelo, uma mão chegava por trás, tirando a garrafa de licor que estava na mão direita daquele que abraçava Ethan.
- Acho que você já bebeu o bastante por hoje, Hideki! - A voz que vinha era a mais jovem entre as três que saíam de dentro do cômodo, e ao mesmo tempo em que a frase tentava constatar o óbvio em uma piada, também tinha um tom ameaçador surgindo.
- Como vai, Hideki? - Ethan deu leves tapas nas costas do homem chamado Hideki, e o mesmo se soltou do abraço, indo se sentar em uma das cadeiras do escritório. - Fui buscar um amigo na rodoviária! - Ethan apontava para trás, e como se fosse um sinal, Minashigo entrava no cômodo, levantando a mão direita em um aceno.
- Olá, Senhor Akitake! - Nisso, o pai de Ethan riu.
- Você não é mais criança, Minashigo! Já tem idade suficiente para me chamar pelo meu nome!
- Tudo bem! Então olá de novo, Sajin!
- Então pai... Não foi apenas o Minashigo que veio hoje! - Ethan olhava para mim, mesmo eu já entrando no cômodo. Minashigo foi para o lado, me dando espaço para me acomodar, e eu acenei como forma de cumprimento para todos que estavam na pequena sala. - Essa é a Erina! Ela é uma... Amiga do Minashigo? Eu posso chamar assim? - Minashigo e eu nos olhamos, dando de ombros no processo, e eu voltei meu olhar para Ethan.
- Tudo bem!
- Minashigo me contou que ele estava acompanhado ela até a Itália, atrás do pai dela que sumiu do nada!
- Entendo! Qual é o seu nome inteiro, Erina?
- É Erina B. Shinka, Senhor A... Sajin! O B é de Bucciarati! - De supetão, a sobrancelha de Sajin levantou por um momento ao ouvir meu sobrenome do meio.
- Então você é filha de Tomy, não é mesmo? - Instintivamente, meu corpo foi até Sajin, sendo parada pela mesa que estava entre nós dois.
- Conhece o meu pai?
- Se conheço? Ele sempre vinha no nosso restaurante, quando pegava algum trabalho aqui na Itália! Ele sempre falou bem de você e da sua mãe, a Misato! - Sajin riu alegremente, até que sua alegria foi se transformando em algo melancólico no rosto. - É uma pena que esteja sumido! - Aquela frase foi o bastante para saber que Sajin não teria nenhuma informação sobre o paradeiro de meu pai, e com isso, eu me afastei da mesa, voltando para o ponto onde eu estava. Lembrando de imediato de Hideki e do outro homem, o rosto de Sajin mudou para algo sem graça. - Me desculpem! Eu aqui falando um monte e esquecendo que vocês estavam aqui! - Hideki parecia sonolento na cadeira, enquanto o outro homem riu de forma descontraída.
- Sajin, essa é a sua casa! Hideki e eu é que deveríamos pedir desculpas por vir aqui em um dia tão agitado! Ainda mais para falar de negócios!
O homem realmente era o mais jovem entre Sajin e Hideki, mas também parecia ser mais jovem do que Ethan e Minashigo. Havia classe no jeito em que falava e no jeito que levava o copo de licor até a sua boca, e também na sua estética. Usava camisa social cinza, com calça social e suspensórios pretos. Seu cabelo colocado para trás da orelha esquerda e seu rosto sem barba o fazia parecer que sequer havia saído da adolescência, ou estaria entrando na fase adulta.
- Bom, acho que com exceção da Erina, vocês já devem conhecer o Hideki! - Hideki acenou quando seu nome foi mencionado, e nós acenamos de volta, enquanto Sajin apontava a mão na direção do outro homem. - E esse é um ex-aluno dele que ele queria que eu conhecesse! Sorento Abarai! - Como se algo tivesse atingindo Minashigo fortemente, ele avançou no homem da mesma forma que eu havia feito com Sajin.
- S-Sorento Abarai?! O nono entre as pessoas mais ricas do Japão?!
- Para! Eu invisto meu dinheiro desde cedo! Só tive sorte do iene ter supervalorizado! - Algo veio em mim, como se aquele sobrenome não me fosse algo estranho, e de repente, a leve coceira no antebraço esquerdo me fez resgatar o que estava afundado na minha mente.
- Você disse Abarai, né? - Nisso, Sorento virou pra mim. Seu rosto transmitia algum tipo de desconfiança.
- Disse! - Não era preciso perguntar o motivo da pergunta, pois seu rosto fazia isso por Sorento. Em resposta, levantei a manga esquerda da blusa que usava, revelando o curativo e fazendo o rosto do homem adquirir uma feição leve. - Eu sempre disse para a Yumi usar o esparadrapo e deixar a gaze apenas pra limpar o machucado, mas ela não me escuta mesmo! - Por mais que a frase parecesse uma repreensão, havia um sentimento de nostalgia e até mesmo de saudade na voz de Sorento.
- Eu tive um tombo de bicicleta, indo para o aeroporto, e ela me ajudou com o machucado, lá na estufa dela!
- Eu ainda me lembro do sorriso dela quando a primeira planta foi colocada naquela casa de vidro! Desde então não tem sequer um dia que ela não vá até aquela estufa pra cuidar daquelas flores! - Cortando o clima de forma sutil, o celular de Hideki tocou, o alertando.
- Sorento, o nosso voo de volta! - E com a frase de Hideki, Sorento se levantou, e Hideki imitou seu gesto.
- Eu vou pegar seu contato com o Hideki, para falarmos melhor do nosso contrato! Até lá, os termos serão os mesmos!
- Você tem certeza de que apenas trinta por cento está bom pra você? - Sajin dizia, ao mesmo tempo em que Ethan dava espaço para Sorento e Hideki saírem, mesmo que ambos parassem na porta. Com a mão pousada no batente da porta, Sorento se virou para Sajin, sorrindo.
- Não preciso de mais do que isso! Meus investimentos já me garantiam um ótimo estado de vida desde os dezoito anos, e você também tem a sua família pra cuidar! Sem falar na sua própria saúde!
- E se fizermos um acordo de oitenta vinte? - Sorento riu, não parecendo ser nenhum tipo de fingimento.
- Eu posso pensar nisso! Eu agradeço a hospitalidade, mas agora precisamos ir! Nós nos falamos em um momento melhor, Sajin! - E então, Sorento virou em minha direção. - Quando puder, passa lá em casa algum dia em que estiver livre! Tenho certeza de que a Yumi vai gostar de te ver de novo! Ainda mais agora! - Eu não havia entendido direito o que Sorento queria dizer com aquilo, mas aceitei de bom grado o convite, com um aceno de cabeça. Vendo a minha resposta, Sorento sorriu e saiu do cômodo, com Hideki indo logo atrás.
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General FictionExplorações, registros, conhecimentos, comentários sobre tais coisas, eram coisas que Erina admirava no homem da sua vida, seu pai. Desde sempre, a garotinha do papai mostrava interesse na profissão do homem que cuidava da família, e em resposta, o...
