Vingança

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Pete

Um ano depois

Encaro o ursinho de pelúcia que está na minha estante como uma lembrança da pior traição que já sofri. A dor e a humilhação de ver o meu sonho ser tirado de mim pelas mãos do homem que jurei amar até a minha morte me atormentavam dia e noite. E hoje fazia um ano desde que descobri a traição que me destruiu.

O processo de aceitar e lidar com tudo o que aconteceu ainda era demais para mim. Preferi ocupar a minha mente com trabalho e com a vingança contra Sam e os responsáveis pela minha dor. Se tudo estivesse bem, hoje estaria com o Noah engatinhando e quase andando pela casa. Fecho os olhos querendo gritar de dor, só de pensar que o meu filho - que nem era meu de verdade -, mesmo sem nunca ter estado perto, parecia ter uma conexão forte comigo; era insano.
Sento-me na cama, porque tinha uma agenda a cumprir, que incluía ir a um café com a minha advogada, Rose, que cuidava dos meus processos contra Sam, Paul e a Clínica St. Clary. A minha família é dona de um dos maiores escritórios de advocacia de Baltimore, e Rose é uma das melhores advogadas de lá.

Pensar na minha família me faz sorrir; eles vêm de uma linhagem de ômegas lúpus, e sou o único beta da linhagem, uma bela mancha na reputação deles. Por ser diferente, sempre me mantive mais afastado deles, que exibem as marcas do amor em seus pescoços, com a certeza de um casamento fiel e eterno, coisas das quais não se tem como ter certeza. O meu casamento com o Sam não foi aceito pela minha família. Meus pais tinham certeza de que ele iria me trocar por um ômega, e eles não estavam errados.

E, quando aconteceu, desejei morrer e enlouqueci. Destruí o meu apartamento inteiro, principalmente o quartinho do meu bebê, que montei com tanto esforço. Me escondi ali por dois meses; foi quando soube que Paul tinha dado à luz o bebê que era para ser meu. Vi as fotos, e ele era lindo. Eles deram o nome que escolhi, e isso foi como a facada final.

Luca, meu melhor amigo, vinha cuidar de mim e me obrigar a comer. Meus pais apareceram para me visitar e me viram destruído; eles me levaram para casa e cuidaram de mim, me ajudaram a me reerguer, e parte de mim acreditou que eles ficariam do lado do Sam, por ele ser um alfa. E, para a minha surpresa, eu estava errado, felizmente.

O meu celular toca, e ignoro enquanto ando para o banheiro, fazendo a minha higiene pessoal. Tomo um banho quentinho, saio do banheiro me secando, passo desodorante, creme e perfume, visto uma calça jeans preta e uma blusa do mesmo tom, coloco um casaco de lã, já que está frio, e as minhas botas. Pego o meu celular e a minha bolsa e saio de casa. Vou em direção ao elevador para ir ao térreo. Ao chegar lá, sorrio para o porteiro e ando em direção ao café que fica do outro lado da rua. Rose já está lá, e pergunto, ao me sentar à frente dela:

- Muito atrasado?

- Não, cheguei bem cedo. Fiquei sem internet em casa e precisava enviar uns e-mails - explica, enquanto sorri.

Observo a mulher negra com os cabelos lisos presos em um rabo de cavalo e o clássico terninho preto. Ela me avisa enquanto digita:

- Já pedi o seu chocolate quente com calda extra e panquecas.

- Obrigado, Rose!

Ela me olha com cautela por alguns segundos, em um silêncio desconfortável para mim e para ela. Aperta a minha mão por baixo da mesa e diz, sorrindo, me aliviando:

- O juiz ordenou a prisão do Sam e do Paul. Neste momento, já devem estar sendo encaminhados para a detenção provisória. E o valor da indenização já foi repassado para a sua conta, deve cair ainda hoje.

Sorrio para ela, que me observa com cuidado. Depois da descoberta da traição e da negação em que fiquei ao aceitar que Sam tinha destruído o meu sonho de ser pai e ter me traído, entrei com um processo contra a clínica e contra a doutora Clary. Ela perdeu o CRM dela de forma definitiva por adulterar e falsificar documentações. E as clínicas foram fechadas. Contra Paul, por ter mentido sobre o fato de já estar grávido e ter forjado a inseminação juntamente com a clínica. E contra o Sam, que logo descobri que foi dele a ideia de mentir sobre a gravidez. Ganhei todos os processos. A clínica de fertilização tentou recorrer duas vezes, mas Rose tinha uma equipe muito boa, e ganhamos novamente. Recebi muito dinheiro com os processos, e o meu maior prêmio foi ter destruído a nova vida deles. Eu estava feliz em ter conseguido.

- Para onde o bebê vai? - pergunto, curioso.

- Para a casa dos pais do Sam.

- Eles são boas pessoas - digo, enquanto me perco em pensamentos. Noah seria muito bem criado e cuidado pelos avós enquanto Sam e Paul estivessem presos, mesmo que eu soubesse que aquela prisão não iria durar muito. Contudo, eles precisavam pagar pelo que fizeram comigo.

- Acredito que vão pagar a fiança amanhã e responder em liberdade, junto com a Clary - Rose diz.

- Imagino que sim, Rose. Mas passar uma noite na cadeia vai mostrar a eles que vão pagar por tudo o que fizeram contra mim.

- Pete, olha, sei que você não tem culpa e que é o seu direito, mas você tem que seguir em frente, ou vai viver sempre em prol deles e da dor que eles te causaram. Vencemos todos os processos, e eles vão continuar respondendo judicialmente.

- Só quero que eles paguem por tudo, Rose. Mereço, depois de tudo o que eles me fizeram passar. Sam me fez enfrentar o inferno, roubou o meu sonho e pisou nele como se fosse lixo, me tomou como piada nas rodas dos nossos amigos e usou o nome que daria para o meu filho no dele com o Paul. Me chame de amargurado e o que for, mas eles vão sofrer cada pedacinho do que sofri. Nunca vou deixar que eles saiam impunes disso. Eu vou seguir a minha vida, Rose, mas só quando me sentir satisfeito.

Sinto a dor e o ódio me fazerem soltar algumas lágrimas; então, mudo de assunto, passando a mão pelo meu rosto.

- Mais alguma coisa?

- Bom... quero avisar que o seu apartamento está pronto, e a sua mudança já está lá - Rose me avisa. Eu tinha mandado reformar o apartamento depois de destruí-lo; era a minha chance de ir em frente.

- Obrigado por cuidar dele! Pretendo voltar à rotina. Hoje vou cuidar da mansão da família Rothschild.

Rose sorri para mim de um jeito diferente quando digo o sobrenome Rothschild, mas não há tempo de perguntar, já que o garçom chega com as nossas comidas, e eu sorrio.

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