Carolina. - Rio de Janeiro, 01 de março, Complexo da Maré. Segunda feira.
O pior dia da semana na minha humilde opinião. Acabar um fim de semana perfeito pra começar tudo de novo, era cansativo, mas fazia parte da rotina.
Acordei no mesmo horário de todos os dias e arrumei Natan pra escola enquanto ele falava sobre os colegas dele. Meu filho é completamente o oposto de mim quando acorda, ele desanda a falar enquanto eu só quero ficar quieta no meu canto.
Saí de casa e dei de cara com Falcão na frente da minha casa ao lado de um menino magro e alto.
- Bom dia, princesa. - Falcão me cumprimentou e eu olhei pra ele meio duvidosa. - Bom dia, parceiro. - ele estendeu a mão pra fazer um toque com Natan que sorria pra ele.
- Bom dia, tio. Tô indo estudar, olha. - ele mostrou a mochila dele pra Falcão que riu.
- Muito bem, menor. Tá é certo! - ele voltou a me olhar. - Esse aqui é o Matheus. Ele vai te levar lá na escola do menor e te trazer pra casa.
- Isso aí, dona. - o garoto falou e eu encarei ele percebendo sua aparência.
- O que? Mas eu posso ir andan...
- Colabora comigo, Carolzinha, eu tô gerando empregos cara. - ele falou e aí que eu fiquei sem entender nada.
- Filho, espera aqui dois minutos. - Natan assentiu e ficou paradinho enquanto eu fiz sinal com a cabeça pra Falcão ir mais pro lado onde nenhum dos dois ali escutaria a conversa.
- Qual foi mal agradecida? - ele tirou sarro e eu cerrei os olhos.
- Qual foi pergunto eu. O que significa isso? Esse garoto não deve ter nem quinze anos. - eu questionei e ele coçou o pescoço. - E como assim tá "gerando empregos?"
- Ou é isso, ou vou botar ele de linha de frente na boca. E você mesmo já disse, ele é novo. Matheusinho é gente boa, tá nessa vida pra botar comida na mesa, por isso digo pra colaborar comigo. - ele explicou e eu respirei fundo.
- Esse garoto sabe pilotar uma moto pelo menos? - perguntei olhando de longe ele conversando com Natan.
- Eu não colocaria ele nessa função se ele não soubesse. - Falcão garantiu e eu fechei os olhos pra pensar melhor. - Vai ser só essa semana, depois eu descolo outra coisa pra ele fazer.
- Tá, vai ser assim então. - eu aceitei e ele concordou com a cabeça, voltamos pra onde os dois estavam.
- Vamos mamãe? - Natan segurou minha mão e eu concordei.
- Hoje a gente vai com ele, filho. - eu avisei ele que adorou a ideia e já foi pra perto da moto.
- Qualquer coisa pode acionar aí, vai lá Matheus. - Falcão disse cruzando os braços e vendo o garoto ligar a moto.
Puta que pariu, o que eu fui arrumar da minha vida?
Ele realmente pilotava bem, me levou certinho na escola do Natan e eu nem precisei falar onde era, acredito que Falcão tenha dito antes de mim.
- Beijo, meu amor. Boa aula, Deus abençoe você. - ele beijou meu rosto e me abraçou apertado.
- Te amo mãe. - ele falou e eu sorri. - Tchau tio!
Meu coração sempre fica mole de ter que deixar ele na escola porque a minha vontade era ficar o dia inteiro agarrado no meu bebê. Mas ele amava a escola e as professoras, por isso eu me sentia mais confiante de deixar ele ali.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomantikCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
