Falcão. - Rio de Janeiro, 30 de maio, Complexo da Maré.
- Cheiro de amor no ar. - DG chegou na minha sala falando e eu encarei ele sem muita paciência.
- Chefe tá só no romace. - Danone completou e eu revirei os olhos pra esses dois desocupados.
- Cês não tem nada pra fazer não? - perguntei e eles foram logo levantando a mão se rendendo.
- Hoje chegam os reforços lá do Alemão e do Vidigal né? - DG perguntou e eu concordei.
- Daqui a pouco eles tão por aí e Rian vem também pra ficar por dentro das coordenadas. A gente tem que tá preparado.
- E aqueles filhos da puta deram mais notícias? - Danone perguntou e eu respirei fundo negando com a cabeça.
- A gente tá no escuro cara. Mas esses caras do Rian que tão vindo vai ser bom pra gente. - falei e encarei eles.
As coisas estão apertando, não tem muita opção a não ser esperar a guerra começar e se preparar pra isso.
Por isso pedi o apoio dos dois morros aliados. Alemão e Vidigal que são comandados por Fogo meu parceiro. Cedeu quinze dos melhores caras dele pra mim e comprou a guerra comigo. Eu deixei um monte de casa pelo morro disponível pra eles, é o mínimo que eu posso dar, conforto.
Ficamos ali conversando por volta de meia hora e então fui avisado que Fogo chegou com a tropa dele. Fiquei no meio da rua esperando os quatro carros pretos estacionarem, saindo uns quatro caras de cada um e Fogo veio na frete deles pra falar comigo. DG e Danone se posicionaram ao meu lado.
- E aí, parceiro. Quanto tempo né não? - fizemos toque e ele me puxou pra um abraço que eu fui logo estranhando, sou acostumado com essas paradas não.
- E aí, cara. Tá como? - perguntei.
- Tô bem, menor. Tá aí os caras que tu pediu, os melhores. Já sabem que vão receber ordem tua agora, mas depois tu me devolve ein. - dei uma risada e ele riu também.
- Pô bora lá pra sala, pra eu me apresentar pra esses caras. - falei e ele concordou e chamou geral pra irem pra dentro da boca, na sala que tinha pra reunião.
- E aí, família. Vocês já devem saber que eu sou o Falcão, dono da Maré. Não é segredo pra vocês que tá rolando uma lista da facção rival com minha cabeça no jogo, e minha família tá sendo ameaçada por causa dessa porra. - falei sério e eles iam ouvindo atentos. - Tô contando com vocês pra quando a bomba estourar.
- É isso aí, vocês tão aqui agora no comando dele. - Fogo falou e eu concordei falando mais algumas coisas.
(...)
- Bora fazer um baile pô? - Fogo deu a ideia depois de todos os caras terem saído da sala e serem direcionados pra suas casas aqui dentro.
- Mano eu não tô pra clima de baile não. Eu quero sossego! - falei meio contrariado e ele me encarou junto com a minha dupla dinâmica, DG e Danone.
- Mas é bom pros caras se enturmarem com o pessoal do teu território.
- Ele tem razão, Falcão. Vai ser bom pra gente conhecer esses caras aí. - DG falou e eu só concordei.
- Vamo fazer então, vocês arrumam tudo e deixem pronto. Vai ficar marcado pra amanhã.
- Beleza, tamo aí. - DG e Danone saíram e ficou só Fogo na sala.
- Vou pra casa, mas amanhã venho pro baile, pô. Se precisar de mais alguma coisa tu sabe onde eu tô. E se um dos meus te derem problema aí, tu tem liberdade pra cobrar do teu jeito.
- Valeu aí, cara. De verdade! - eu fale, fizemos toque e ele levantou saindo da minha sala.
"Traz um açaí pra mim quando você vier?" - foi a primeira coisa que eu li quando abri as mensagens do meu celular.
"Claro, minha rainha. Tu que manda!" - respondi e fui pegando a chave do carro e saindo da minha sala.
- Tô indo ali, menor. Já volto, vai preparando as mercadorias pro baile de amanhã. - falei pra um vapor que agilizou pra fazer o que eu mandei.
Passei na sorveteria e pedi logo o maior copo de açaí que eles tinham, paguei e fui indo na direção da casa de Carolina.
Eu tava passando maior parte do meu tempo aqui, não vou na minha casa tem uns três dias. Eu tava ficando mal acostumado, dormindo de conchinha e fodendo todo dia, minha vida tá uma maravilha.
- Cheguei, família. - avisei quando entrei e Carolina veio direto pra perto de mim, pegou o copão de açaí da minha mão e me deu um selinho.
- Obrigada, lindo. - ela falou e me deu as costas indo pra cozinha.
- E aí, menor? - baguncei o cabelo dele e ele me olhou com os olhos cerrados.
- Olha pai, minha mãe ensinou a escrever o nome dela. - ele mostrou os rabiscos e entre eles tinham as letras que formavam o nome completo de Carolina.
- Tá maluco, ficou show de bola, Natan. - falei e ele me encarou todo sorridente. - Escreve o meu aí também. - fui soletrando "Thiago" e ele foi escrevendo.
- Isso não é Falcão. - ele falou meio confuso e eu ri.
- É Thiago. Meu nome de verdade. - eu falei e ele me olhou espantado.
- Seu nome não é Falcão? - ele questionou e eu ri negando a cabeça. - Falcão é mais legal.
Ouvi a risada de Carolina e ela apareceu na sala onde a gente tava e deu um pouco de açaí na tigela pro Natan.
- Quer? - ela me ofereceu e eu neguei fazendo careta. - Tu não gosta?
- Gosto não, valeu. - os dois me olharam indignados mas voltaram a comer em silêncio enquanto eu mexia no meu celular.
- Hum... Muito bom. Tem certeza que não quer? - Carolina estendeu o copo pra mim e eu ri negando de novo com a cabeça.
- Quero não, princesa. Pode comer. - peguei o controle da TV e liguei colocando no jogo do Fluminense que tava passando.
- Ah não, Falcão. Tem coisa mais interessante pra assistir. - ela falou me zuando.
- Sai fora que até agora a televisão tava desligada. E não vem secar meu time não. - os dois riram e se olharam cúmplices.
Não sei que praga jogaram, mas meu time perdeu. 2x0 pra o time adversário.
- Macumba boa essa de vocês viu? - eu falei e Carolina gargalhou.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomantizmCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
