Falcão. - Rio de Janeiro, 16 de fevereiro, Complexo da Maré.
- Aqui chefe, tudo o que tu pediu. - DG me deu uma pasta com umas fotos e documentos. - Tem muita coisa da vida dela e tem um bagulho bem interessante.
- O que? - perguntei e ele pegou um papel em específico.
- Lê aí tu. - ele estendeu um bolo papel pra eu pegar e eu comecei a ler.
"Carolina de Souza Medeiros, 25 anos, nascida em Campo Grande, formada em Enfermagem, 1 filho, casada, morando atualmente em Niterói."
"Certidão de Casamento. Carolina de Souza Medeiros e Daniel Rodrigues Castro."
"Certidão de nascimento. Natan Medeiros Castro. Filiação: Carolina de Souza Medeiros e Daniel Rodrigues Castro"
"Certidão de óbito. Daniel Rodrigues Castro. Causa da morte: perfuração por arma de fogo."
- Tá, ela era casada e o cara morreu na bala, o que tem de interessante nisso? - eu perguntei e ele me deu mais um papel que na verdade era a manchete de um jornal antigo.
"Acerto de contas: Homem é morto a tiros na noite do dia 17 de março de 2021 durante a festa de aniversário do filho. De acordo com testemunhas, o assassino entrou na festa e atirou diversas vezes na direção do homem reconhecido como Daniel Rodrigues Castro. Ainda está sendo analisada a possibilidade de a vítima fazer parte de uma organização criminosa."
- Qual a organização criminosa? - perguntei colocando o papel no lugar.
- Aí é que tá. - ele respondeu. - Ele tava com o PCC, trabalhava no aeroporto e dava informações de quando chegava mercadoria pro pessoal da facção rival.
- Então ele era da rival? - eu perguntei tentando entender e encaixar esse quebra cabeça. - E a mulher dele teve o azar de vir parar logo aqui na Maré? - soltei uma risada anasalada.
- E tem mais. - ele falou e eu respirei fundo. - Foi pro saco a mando da própria mulher. - ele falou e eu o encarei sério.
- Tá de caô não? - eu perguntei cheio de desconfiança porque não entra na minha cabeça que Carolina mandou matar o próprio marido.
- Tô não, porra. Perguntei do nosso informante lá no PCC esse caso aí e ele abriu o bico e falou tudo. - ele explicou. - Ela mandou um cara da facção rival pra ir lá matar ele.
- Mas o Comando Vermelho não mata ninguém à toa. Eu tava em cana nessa data, tô sabendo dessa história não. - falei olhando pra certidão de óbito. - Vou pra minha goma, qualquer coisa aciona aí. Vou levar essa parada toda pra analisar direito.
Tinha alguma coisa errada nisso.
Esse tal Daniel, nunca nem ouvi falar nesse nome, como é que foi mandado pra morrer se eu nem tava ciente dessa história. Tudo que acontece dentro do CV eu fico sabendo, mesmo dentro da cadeia, eu sabia de tudo o que acontecia aqui fora.
Porra, aquela merda tava me deixando estressado e com uma pulga atrás da orelha, eu estacionei a moto na frente da minha casa mas atravessei a rua e bati na porta da bendita que me evitava a todo custo. Será que ela me evitava por causa dessa situação aí?
- Oi, esqueceu alguma coisa? - empurrei ela de leve pra dentro da casa e entrei batendo a porta atrás de mim.
- Me responde uma coisa e se tu mentir eu vou tá sabendo. - ela franziu o cenho e eu olhei bem no olho dela pra saber se ela não ia mentir.
- Ei que isso? Tu entra na minha casa desse jeito, ficou maluco? - ela cruza os braços fechando a cara. - Diz, o que você quer?
- Tu mandou matar teu ex marido? - perguntei na lata.
Analisei sua expressão tensionar e ela engoliu a seco.
- O... o que você disse? - ela me olhou.
- Você ouviu, se faz de sonsa não. - falei me aproximando mais dela mas ela não tava se intimidando.
- Eu não fiz isso. De onde você tirou essa informação? - ela negou olhando no meu olho e eu continuei dando passos pra mais perto dela até ficar cara a cara com a bonita.
- Não mandou matar então? - eu duvidei.
- Ele era um filha da puta comigo, mas não, obvio que eu não mandei matar ninguém. - ela começou a se alterar e eu segurei seu braço fazendo ela olhar pra onde minha mão tava.
- Então me diz exatamente o que aconteceu no dia da morte dele.
- Pra quê? - ela perguntou me enfrentando e eu fui me estressando ainda mais.
- Porra, só me responde, é difícil? - eu falei e ela revirou os olhos.
- Tá investigando meu passado? - ela continuou me questionando e eu dei de ombros.
- Isso te assusta? Tá com medo de eu achar coisa pra te mandar pra vala? - ela arregalou os olhos.
- Sai de perto de mim primeiro, não encosta. - ela me empurrou com a mão no meu peito e eu dei um passo pra trás. - Ele morreu no dia do aniversário de três anos do Natan. Entrou um homem na festa e atirou pro lado dele.
- E tu lembra como era esse homem?
- Tava encapuzado. Não deu pra ver muita coisa. - ela respondeu e eu parei de perguntar porque vi que ela estava incomodada com esse assunto.
- Vou ficar de olho em tu, viu? - continuei olhando pra ela com meu olhar ameaçador.
- Sai da minha casa Falcão. Tu veio aqui só pra desenterrar meu passado e me ameaçar? Se for, pode ir embora. - ela falou apontando pra porta.
- Tu tá na minha mira, princesa. - eu falei e dei uma última olhada pra ela.
Saí da casa dela pegando a pasta que deixei em cima da moto e entrei pra dentro da minha casa que ainda tava quase sem móvel, só o essencial.
Eu já tava quase vinte e quatro horas sem dormir, por isso tomei um banho e deitei na minha cama pra dar uma descansada, pelo menos durante a tarde.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
