Capítulo 9

16.4K 1K 49
                                        

Carolina. - Rio de Janeiro, 16 de fevereiro, Complexo da Maré. Terça feira, 6:45 AM.

- Bom dia, mamãe. - ouvi a voz que alegrava meus dias e dei um sorriso ainda de olhos fechados e morrendo de ressaca, mesmo tendo bebido pouquíssimo no dia anterior.

Pelo menos assim eu lembro o porque de eu não beber no dia a dia.

- Bom dia, amor da minha vida. - enchi seu rostinho de beijos e ele deitou do meu lado.

- Tia Tamires já me deu café e mandou eu te acordar porque ela foi pra aula. Hoje voltou a escola dela também mamãe.

- Tudo bem meu amor, vamos levantar e você se arruma pra eu te levar pra escola. - ele balançou a cabeça concordando e foi andando pro banheiro enquanto eu ia atrás dele com uma toalha. - Qualquer coisa, chama a mamãe. E nada de só lavar o rosto e dizer que tomou banho. - ele riu e entrou no banheiro ligando o chuveiro e começando a se banhar.

Fui pro meu banheiro também tomar banho rápido e coloquei uma roupa fresca pra aguentar o calor do Rio. Penteei meus cabelos que estavam longos e fui pra cozinha preparar meu café da manhã, percebendo que Tamires lavou a louça que eu deixei aqui ontem.

Peguei meu celular pra mandar uma mensagem pra agradecer ela por ter cuidado dele essa noite mas assim que desbloqueei vi uma mensagem de número desconhecido.

"Fala aí, princesa"
"Vai querer carona?"

Dei uma risada anasalada sabendo quem era.

"Bom dia!"
"Não, obrigada. Natan vai ficar mal acostumado."
"Como você conseguiu meu número?"

"Ser o dono da porra toda tem suas vantagens" - ele digitou e eu neguei com a cabeça.
"Tem certeza que não vai querer a carona?"

"tenho certeza sim, valeu."

"Blz, qualquer coisa grita que eu te ouço."

Mandei uma figurinha e mandei logo a mensagem pra agradecer Tamires, ainda mandei uma quantia pra conta dela, sem esperar uma resposta da mesma.

Logo Natan apareceu só de toalha e com a calça e a camisa do colégio nas mãos pra que eu colocasse.

Penteei seus cabelos, passei o perfume e ele pegou a mochila passando pela costa. Peguei a chave de casa e meu celular, fui andando para a escola dele enquanto conversávamos e ele me dizia que queria ser taxista quando crescer. Eu que não ia estragar os sonhos dele, mas até ele crescer, vai decidir melhor e não pelo que ele acha legal.

- Mãe, meu pé tá doendo. - Natan reclamou quando estávamos a duas ruas da escola e eu olhei pra cara sofrida dele.

- Já estamos chegando, preguicinha. - eu falei e me certifiquei de que o tênis dele não estava pequeno, mas estava normal.

Mais alguns metros e chegamos na escola. Beijei sua testa, ele pediu bença e entrou, fiquei ali observando até que ele sumisse do meu campo de visão.

Dei as costas pra voltar pra casa mas me assustei quando vi Falcão em cima da moto atrás de mim.

- Que isso? Tá devendo? - ele perguntou tirando sarro.

- Você não tem nada pra fazer? Porra, que perseguição. - perguntei voltando a andar e ele deu de ombros.

- Sabe como é, eu to em todo lugar. - ele falou e acendeu um cigarro.

- Seu pulmão deve tá preto. - falei baixo mas ele ouviu e gargalhou.

- De preto só tem eu, linda. Preto gostosinho. - eu olhei pra ele com desdém e ele jogou beijo. - Tá indo pra onde?

- Pro bar que você falou ontem. Preciso achar um trabalho. - eu respondi e parei pra olhar ele.

- E tu sabe onde é? - ele me olhou duvidando.

- Não, mas quem tem boca vai à Roma. - falei e ele sorriu.

- Sobe aí, tu vai andar um monte se for andando. - ele bateu na garupa e eu neguei com a cabeça. - Porra de mulher chata, sobe logo aí.

- Eu só vou aceitar porque o sol tá começando a esquentar e eu não tô afim de pegar sol hoje. - subi na sua garupa e passei os braços ao redor da sua cintura.

Ele acelerou e eu fechei os olhos com medo de ele bater, ele andava rápido demais.

- Tu não tem medo de morrer não? - perguntei quando ele parou a moto e eu desci.

- Tenho medo de nada, princesa. - ele falou e desceu da moto também. - Bora lá?

- Não, deixa eu ir sozinha. Não quero que me aceitem pra trabalhar só por causa de você.

Ele franziu a testa e ficou com uma interrogação na cara.

- E o que eu tenho a ver?

- Você é o dono disso tudo, as pessoas se sentem ameaçadas perto de ti. - eu respondi e dei as costas pra dentro do bar que era muito bonito. Tinha um janelão que dava vista pra algumas partes do complexo.

- Boa tarde! Posso ajudar? - uma senhora muito simpática me chamou e eu sorri pra ela.

- Oi, sim! Eu sou a Carolina, queria saber de a vaga já foi preenchida? - apontei pro papel escrito "precisamos de funcionários"

- Ainda não, você é uma candidata? - concordei com a cabeça e ela apontou pra uma mesa. - Senta aí, filha. Deixa eu conhecer você.

Ela fez algumas perguntas básicas como por exemplo, a minha idade, minha experiência com o público, minha disponibilidade de horário.

- Gostei muito de você, pequena. Consegue começar amanhã ás cinco da tarde? É o horário que abrimos. - ela perguntou e eu concordei rápido.

- Claro, sim! Consigo sim. - eu falei e ela estendeu a mão pra que eu apertasse.

- Vou te esperar. - ela sorriu simpática e eu a agradeci saindo do bar dando de cara com Falcão me encarando encostado na moto e com os braços cruzados.

- E aí? Conseguiu? - ele falou e eu neguei com a cabeça. - Puts, tu vai conseguir outra coisa, fica mec.

- Começo amanhã. - ri da cara dele e ele subiu na moto ligando a mesma enquanto me olhava com a cara fechada.

Subi também porque se ele me trouxe teria que me levar de volta. Falcão acelerou a moto atingindo quase 80km/h, ele tava voando e eu tava com medo de ele bater num poste.

- Tá entregue, princesa. - ele falou quando chegamos e eu desci arrumando o meu cabelo que sempre ficava uma zona.

- Obrigada mais uma vez pela carona e por ter indicado a vaga. - falei e ele concordou.

- Qualquer coisa tamo aí, só ligar. Tu já tem meu número, espero que não tenha apagado. - ele falou e eu ri.

- Não apaguei, valeu aí. - eu me virei pra entrar em casa.

"Chefe, tem uma coisa que tu vai querer saber daquela parada que me pediu ontem" - o radinho dele tocou e ele me olhou rápido.

"Marca dez que tô colando na boca." - ele falou sem tirar o olho dos meus.

- Fé aí, princesa. - ele acenou e partiu pra boca.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora