Capítulo 54

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Carolina. - Rio de Janeiro, 23 de agosto, Complexo da Maré. 10:00 PM.

- Bom dia! O resultado dos exames saíram e eu vim conversar com vocês sobre um assunto. - o médico falou entrando na sala e eu assenti junto com Falcão que não saiu do meu lado desde que eu acordei.

- E aí, doutor. Pode falar. - Falcão falou.

- Você fez diversos exames, maioria deles tiveram resultados positivos. Só precisa repor as vitaminas e manter repouso pelas próximas duas semanas. Principalmente porque a sua gravidez se tornou de risco, o bebê aguentou bastante e é comum que você sinta mais enjoo que o normal nesse primeiro trimestre.

- Bebê? - eu questionei e olhei pra Falcão, vendo ele mais perdido que eu.

- Você está grávida, oito semanas. - ele falou e meu coração apertou. Eu olhei pra minhas mãos sentindo meu olho começar a lagrimar. - Vocês não sabiam?

- Mas eu tomo remédio, não tem como.

- O remédio falha, nenhum método contraceptivo é eficaz em cem por cento! - falou e eu suspirei.

- Porra... - ouvi Thiago xingando baixinho.

- Eu vou deixar vocês conversarem. Vou buscar seus medicamentos. - o médico falou e foi saindo da sala.

- Thiago... - chamei vendo seus olhos brilhando, mas não tinha certeza se tava feliz com isso. Porque eu não sei o que pensar, eu não sei se é uma boa hora. 

- Eu ainda tô processando, mas caralho, tu tá grávida. - ele falou e ainda era indecifrável sua expressão.

- E o que você acha?

- Eu gosto da ideia, mas é uma preocupação, é de risco. - ele falou e eu assenti.

-Tem um bebê aqui. - falei ainda desacreditada olhando pra minha barriga e ele respirou fundo.

- Tem, minha porra é milagrosa. - ele falou e eu sorri.

- Você é impossível. - eu gargalhei e ele deu um sorriso de lado.

- A gente vai se mudar pra Penha, lá tem uma escola ótima pra Natan e tu vai ter mais segurança e...

- Ei ei, calma! Eu ainda tenho o meu trabalho, ainda tenho as meninas aqui, minha casa... - eu falei e ele riu debochando.

- Trabalhar é o caralho, tu tem que ficar de repouso, ouviu o médico não? - ele falou e eu gargalhei. - Lá tu vai ter mais sossego.

- E porque a Penha? - perguntei e ele coçou a nuca.

- Porque eu matei o dono de lá, e não sobrou nenhum sucessor, então o morro é meu agora. - falou simples e eu arregalei os olhos.

- Você tem algum sucessor? - perguntei.

- Tem Matheus, tem Danone, Natan também, se ele quiser.

- Não, ele não quer não. - falei meio desesperada e ele riu.

- Isso a gente vai saber lá no futuro. - ele falou e eu revirei os olhos. - E além do Natan também tem o molequinho aí, vai que ele queira. Já pensou? Um assume a Penha e outro assume a Maré.

- Você não sabe se é menino. Não chama de molequinho! - briguei e ele se levantou vindo pra perto de mim.

- Mas eu sinto, instinto de pai.

- Meu instinto de mãe diz que é uma menina, vamos ver quem tem o instinto mais aguçado.

- Mas porra, é surreal. - ele olhou pra minha barriga e eu sorri de lado. Sua mão veio meio trêmula pra barriga inexistente que tinha ali e eu olhei pra ele que segurava um riso. - Eu te amo pra caralho, já falei isso? - ele falou todo besta e parecia que a sua ficha caiu exatamente nesse momento.

- Já falou, mas amo te ouvir falar isso. - ele me deu um selinho demorado. - Eu te amo!

(...)

As visitas foram liberadas duas da tarde, e eu tava ansiosa pra ver meu bebê. Falcão falou que ia preparar ele antes de entrar, pra eu não pegar peso e pra Natan não vim pulando pra cima de mim.

A porta foi aberta e eu vi Maria e Danone entrando antes de fecharem a porta atrás de si.

- Ah, tô tão feliz que você tá bem! Fiquei tão preocupada. - Maria chegou perto de mim me abraçando e Danone ficou sem graça mas eu o puxei pra um abraço também.

- E aí, tá 100% patroa? - Danone perguntou.

- Tô 99%, vou ficar 100% quando sair daqui. - eles riram.

- Natan tá lá fora morrendo de chorar porque não pôde entrar ainda, mas eu falei pra ele que ia ser rápido

- Eu tô com tanta saudade dele. - falei e fiz uma cara de sofrida.

- Ele foi bem cuidado, pô. Falcão é um pai do caralho, cuidou bem do teu moleque nesse tempo que tu ficou fora. - Danone falou e Maria concordou com a cabeça.

- Ele foi bem cabeça, porque tava resolvendo as coisas da invasão e tava cuidando do Natanzinho. - Maria continuou e eu dei um sorriso tímido, orgulhosa por poder confiar meu filho em Thiago.

- Eu tô feliz demais, ele é um paizão. - eu falei morrendo de orgulho.

- A gente vai indo, pra Natan conseguir te ver. - Maria falou e se aproximou beijando minha testa, Danone fez o mesmo e saíram. Cerca de três minutos depois, Natan entrou com o rosto vermelho de tanto chorar e segurando a mão de Falcão. Os amores da minha vida.

- Oi, mamãe... - ele falou contido e eu me ajeitei na cama.

- Oi, minha vida. - falei e Falcão colocou ele do meu lado sentadinho, e assim eu pude abraçar ele e sentir o cheiro de seu cabelo que eu tanto senti falta. Meu rapazinho.

- Eu tava com saudade, mãe. - ele voltou a chorar e eu o apertei mais.

- Eu tô aqui agora, amor. Tô aqui com você! - fiz um carinho nas suas costas e ele foi se acalmando. - Você se comportou com o seu pai?

- Me comportei, mãe. Fui pra escola todos esses dias e fiz o dever de casa, certinho. - ele falou e enxugou as lágrimas com a costa da mão. - E eu comi todas as folhas que a tia Maria colocou no meu prato.

- Você está um rapaz. Parabéns, meu amor. - eu beijei sua cabeça.

- Aí, menor. Eu e sua mãe temos uma novidade pra te contar. - Falcão se pronunciou pela primeira vez e veio pra perto de mim, do meu outro lado.

- Vocês vão me dar um playstation 5? - ele perguntou todo animado e deu até pena de negar.

- Não, filho. É uma coisa mais legal. - peguei a mão dele e coloquei na minha barriga enquanto ele acompanhava o olhar. - tem um bebê aqui na minha barriga.

- Seu irmão, menor. - Falcão completou e eu sorri olhando a expressão de espanto de Natan.

- Meu irmão? Tá aqui? - ele apontou pra minha barriga.

- Isso, amor. - falei e ele encarou nós dois com um sorriso crescendo nos lábios. Eu só preciso disso, nada se compara.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora