Capítulo 45

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Carolina. - Rio de Janeiro, 01 de junho, Complexo da Maré.

Eu tava vivendo um pesadelo. Era horrível estar ali dentro sem ter noção do que estava acontecendo lá fora.

Foram cerca de quarenta minutos de tiros incessantes, barulhos vindo de todos os lados, até Falcão aparecer aqui e atirar em Daniel, pelo menos foi isso que eu entendi com os gritos e xingamentos.

Natan não saiu do meu colo por nada e eu também não desgrudei dele. Eu já estava em agonia, não via a hora de sair daqui e ver como estavam todos lá fora.

Longos segundos depois, eu ouvi o que eu estava esperando pra abrir a porta. Três batidas, uma pausa e mais duas. Natan me olhou esperando e eu levantei colocando ele no chão e segurando sua mão.

Abri a porta e dei de cara com Falcão, com os olhos vermelhos, segurando o choro.

- Pai. - Natan correu até ele e Thiago o pegou no colo beijando sua cabeça.

- O que aconteceu? - eu perguntei nervosa mas ele negou com a cabeça e prendeu os lábios segurando pra não chorar.

- DG. - ele sussurrou e eu o abracei entendendo que algo havia acontecido com ele.

Ficamos ali abraçados até que ele se acalmasse, Natan abraçou seu pescoço e ele respirou fundo.

- Eu amo vocês. Pra caralho. - ele falou baixinho e eu o apertei com mais força.

- Te amo, pai. - Natan falou e olhou pra Thiago.

- Eu amo vocês. - respondi olhando nos olhos de Thiago que deu um sorriso de lado e beijou meus lábios. - Vamos pra casa, você tá exausto.

- Sua casa vai ser aqui agora. - ele falou e eu olhei sem entender. - Tua casa tá toda revirada.

- Mas porque...

- Depois a gente conversa, linda. - ele falou e apontou com a cabeça pra Natan.

Fomos pro quarto e ele entrou no banheiro enquanto eu fazia Natan dormir, era visível que ele tava abalado, seja lá pelo que aconteceu com DG.

Natan tava sonolento porque acordou cedo, ele não demorou pra dormir e assim que dormiu eu deixei ele quieto e fui pro banheiro onde Falcão estava.

Me despi e entrei no box o abraçando por trás enquanto ele chorava de soluçar. Passei minhas mãos pelo seu peitoral tentando reconfortar ele.

Mas ele não parava de chorar.

Era como se ele estivesse tentando ser forte na frente do Natan, mas aqui ele desabou.

- Ele morreu, Carol. - ele falou e eu o abracei mais apertado também derramando algumas lágrimas. - DG morreu, eu ainda não tô acreditando.

- Eu sinto muito. - eu falei e ele colocou a mão sobre a minha no seu peito.

- Danone ainda nem sabe, ele vai ficar acabado quando descobrir. - falou e eu me coloquei a sua frente.

- Vai ficar tudo bem! - eu certifiquei e ele deixou um beijo delicado na minha testa e na minha boca em seguida me puxando pra um abraço novamente.

- Obrigado, morena. - ele falou e eu dei um sorriso leve olhando pra ele.

(...)
Carolina. - Rio de Janeiro, 02 de junho, Complexo da Maré.

Olhei o caixão descer, DG realmente se foi e era algo inacreditável.

Falcão quis honrar o nome dele, não queria que ele fosse enterrado de qualquer jeito. Por isso fez questão de pagar tudo do melhor.

DG não tinha contato com a família, só viemos nós que o conhecíamos e algumas outras pessoas conhecidas dele.

Falcão já tava mais tranquilo, ontem mesmo ele me prometeu que vingaria tudo isso, que a gente viveria em paz.

Danone quando soube o que aconteceu com o amigo desabou. Maria disse que ele ficou o dia inteiro em silêncio, sem mover um músculo. E que durante a noite desabou em lágrimas.

Foi um baque pra todos.

- Vai na paz, meu irmão. - Falcão falou e eu apertei sua mão com a minha. Nós estávamos bem longe do complexo, quase em outra cidade. Os meninos estavam tentando se esconder, com boné e óculos.

Era quase noite, o enterro estava acabando, eu estava vivendo com medo de acontecer algo novamente, principalmente com os que estão próximos a mim.

Pouco tempo depois que eu soube da morte de DG, eu soube quem havia o matado. E foi inevitável não me sentir culpada, principalmente sabendo que ele tinha ido atrás de mim na casa e se eu tivesse ido quando ele me chamou, nada disso teria acontecido.

- Vamos, princesa. - Falcão falou e passou o braço pelo meu ombro.

Olhei ao redor e vi que o restante das pessoas que estavam ali já tinham ido.

- Vamos. - falei simples e fomos em direção ao carro.

- É importante pra mim que você esteja aqui comigo, sabia? - ele falou me surpreendendo. Falcão não é muito de se expressar com palavras.

- E é importante pra mim estar aqui com você! - falei e ele beijou minha mão que tava entrelaçada na sua.

Ele abriu a porta do carro pra mim em silêncio e deu a volta entrando também.

- Eu tava pensando... - ele começou e deu uma pausa colocando o cinto de segurança. - Vamos viajar, fugir um pouco da realidade. Eu, você e Natan.

- Mas e o Complexo? E as perseguições? - eu questionei e ele virou um pouco de frente pra mim.

- Agora que a gente matou boa parte dos vapores deles, eles não vão atacar de novo. E com a morte de Daniel, eles vão esperar pelo menos uns três meses pra dar as caras. - deu partida no carro e começou a dirigir.

- E a lista?

- Eu não sei. - ele falou. - Faltam poucos pra morrer. Eu sou o que vale mais dinheiro, se eu sumir do mapa, talvez a poeira abaixe e eles desistam. - ele me explicou

- E o meu trabalho? - perguntei mais uma vez e ele revirou os olhos.

- Os lugares vão fechar por duas semanas. Todos entraram em luto. - ele falou e eu suspirei mordendo minha bochecha por dentro.

- Pra onde vamos? - eu perguntei e ele me olhou rindo de lado.

- Pra onde você quiser, princesa. - ele sorriu mais abertamente e fiquei feliz por vê-lo rindo de novo, mesmo sabendo que ele ainda estava mal por DG.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora