Carolina. - Rio de Janeiro, 19 de agosto, Complexo da Maré.
- E aí como foi? - Falcão perguntou deixando o celular de lado e me oferecendo um abraço com os braços abertos.
Eu estava chateada com ele por não ter me avisado, mas não neguei seu abraço, eu tava precisando. Me encolhi no colo dele na cama e ele fez um carinho nas minhas costas.
- Eu perdoei. - falei e ele me encarou dando um sorriso de lado.
- Mas...? - ele falou já sabendo que não foi só isso.
- Eu não sei se quero eles perto de nós. Não sei se posso confiar que eles não vão virar as costas de novo na primeira frustração. E eu não penso só por mim, eu penso por Natan. Ele não merece passar por isso. Você acha que eu fiz mal?
- Eu não vou te dizer o que fazer, princesa. Mas se você não se sente a vontade perto deles, pensa melhor e eu vou te apoiar em qualquer coisa que tu escolher. - ele falou e meu olhos se encheram dágua.
Me ajeitei no colo dele me levantando e me sentando de frente pra ele, na sua barriga.
- E como foi lá na apresentação? - perguntei mudando de assunto e disfarçando minha cara de choro.
- Porra, eu chorei. - ele falou e eu gargalhei.
- Eu sempre choro nas apresentações de dia das mães. - falei pra tentar confortar ele.
- Ganhei um presente, olha só. - ele se esticou um pouco e pegou um papel pintado e dentro tinha um desenho, tudo feito pelo meu bebê.
Estava escrito "papai, meu herói" e tinha um desenho de Falcão, até as tatuagens meu filho desenhou do jeito dele.
- Que lindo. - eu falei olhando pra Falcão que olhava com os olhos brilhando pro desenho na mão.
- Quando eu não tava na vida de vocês, como era esse dia? - ele questionou.
- Era um dia comum, Natan não fazia apresentação porque eu sabia que se fosse eu a ir assistir, ele ia questionar e eu não ia saber responder. Mas eu fazia sempre algo diferente com ele, ia no shopping, ia no parquinho, pra distrair tanto ele quanto eu. - expliquei e ele me olhou prestando atenção.
- Que bom que eu cheguei. - beijei sua boca e ele riu no meio do beijo.
- Cadê o meu filho? - perguntei e ele deu de ombros.
- Quis dar uma volta no complexo sozinho, eu deixei. - ele falou e eu gargalhei, mas ele continuou sério. - Pô, pensa que eu tô brincando? - ele questionou me fazendo rir de novo.
- Eu penso, você não é doido. - falei e ele riu.
- Ele tá dormindo, pediu pra ver desenho, mas não aguentou nem dois minutos e apagou. - ele falou e eu assenti. - Vamo fazer alguma coisa hoje de noite, sair um pouco de casa.
- O que você sugere? - perguntei.
- Você que manda, meu amor. - ele falou e eu ri.
- A gente pode ir comer na pensão, aquela lá de cima que tem visão pro complexo todo. - eu sugeri.
- Ou a gente pode ir pra fora do complexo, levo vocês num lugar bacana e depois a gente vai em qualquer outro lugar que tu queira.
- Mas é arriscado, Thiago. Não sei se é uma boa idéia. - eu falei com receio e ele me olhou.
- Confia em mim, pô. Tá tranquilo lá fora, se não tivesse, eu nem cogitava isso. - eu assenti e ele deu um sorriso me puxando pra um beijo gostoso. - Eu vou... - mais um beijo. - fazer... - outro beijo. - tudo por vocês.
- Mas não pode se colocar em risco. - eu falei ainda relutante.
- Tô em risco não, as coisas estão de boa. Depois que DG se foi, os caras relaxaram um pouco. - ele se explicou e eu olhei bem nos seus olhos.
(...)
Falcão. - Rio de Janeiro, 19 de agosto, Complexo da Maré.
Coloquei uma roupa e olhei pra Carolina que tava se olhando no espelho com a roupa que ela escolheu.
- Gata demais. - falei terminando de amarrar meu sapato.
- E você tá aprendendo comigo, tá um gatinho. - ela falou e eu gargalhei.
- Toda convencida. Vou elogiar mais porra nenhuma. - falei e ela fechou a cara.
- Já mamãe? Vamos? - Natan entrou no quarto e foi pra perto dela já vestido. O moleque aprendeu mesmo a colocar a roupa.
- Já, vida. Vou só arrumar minha bolsa. - ela falou e pegou uma bolsa pequena no meu guarda roupa. Aos poucos eu ia perdendo espaço no meu próprio guarda-roupa.
Peguei a chave do carro, minha carteira e enfiei tudo no bolso. Coloquei uma pistola e coloquei na cintura sem os dois verem.
Carolina ficou pronta, com um vestidinho florido e um tênis branco. Linda! Qualquer coisa que ela usasse ficaria perfeito.
- Onde a gente vai? - Natan perguntou quando entramos no carro e eu coloquei a chave na ignição.
- O que tu quer comer, menor? - eu perguntei dele.
- Eu quero churrasco. Na verdade, quero hambúrguer. Pode mãe? - ele falou todo animado e eu ri.
- Pode filho. Hoje vocês que vão escolher tudo e eu só vou acompanhar e comer. - ela falou e eu passei a mão pela sua perna sem nada cobrindo.
- Vamos comer hambúrguer então. - eu falei e Natan ficou todo feliz.
Dirigi pra fora do complexo e fui pra Copacabana onde sabia que tinha uma lanchonete muito boa pra eles. Estacionei perto e coloquei o boné antes de sair do carro vendo os dois sairem também.
- Que lugar legal, pai. - ele falou olhando os brinquedos onde já tinham algumas crianças brincando e eu sorri pra ele segurando a mão da Carolina e entrando no lugar.
Sentamos numa mesa mais no fundo, perto de uma janela onde eu tinha visão lá de fora.
- Mãe, posso brincar la? - Natan perguntou apontando pros brinquedos.
- Vai lá, amor. Depois eu te chamo pra você comer. - ele saiu correndo e Carolina me olhou sorrindo.
- Gostou daqui? - perguntei.
- Demais, dá pra ver a praia toda daqui. - ela falou e eu sorri beijando sua boca e apoiando minhas duas mãos na mesa.
- O melhor por vocês, sempre. - eu falei vendo ela sorrindo. Eu daria tudo de mim pra que ela sorrisse assim sempre.
- Obrigada. - ela falou deitando a cabeça no meu ombro.
Não demorou muito e um atendente veio anotar nossos pedidos. Pedimos tudo e ele deu as costas.
VOCÊ ESTÁ LENDO
RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
