Falcão. - Rio de Janeiro, 18 de março, Complexo da Maré. 09:10 AM.
Outra reunião com PH tava marcada pra agora e eu já tava na boca esperando ele chegar enquanto batia um papo com DG e Danone.
- Tu tá todo esquisito, Falcão. - DG falou e eu só concordei com a cabeça. - Fumou pra caralho de madrugada né, filho da puta?
- Tô brisadão, deveria ter pegado mais leve. - eles riram e logo a porta da minha sala abriu e PH entrou com seu computador fechado na mão e o telefone no ouvido se despedindo de alguém.
- E aí, seus caralhos. - PH cumprimentou do jeito dele e eu ri com DG.
- Me diz que descobriu o que eu te pedi! - eu falei e ele sentou na nossa frente abrindo o computador.
- Porra, tu tá duvidando da minha capacidade, Falcão? Tá falando comigo, não tenho um diploma de TI á toa não. - ele zoou e eu neguei com a cabeça.
- Então, diz o que tu achou.
- Beleza, começando pelo cara lá que tu pediu pra eu investigar a morte. Não morreu não, foi pra UPA e conseguiram salvar. A certidão é falsa, o médico que assinou essa porra não tem nem registro no CRM. - eu, DG e Danone tivemos a mesma reação, passamos a mão no rosto e respiramos fundo. Minha brisa já tinha evaporado.
- E onde ele tá? - eu perguntei já formulando um plano pra fazer uma certidão de óbito de verdade pra ele.
- Tá longe não, se escondendo no Espirito Santo. - ele mostrou uma pasta de fotos do tal Daniel, tava escondido numa fazenda.
A semelhança entre ele e Natan eram bem poucas, mas o cara é um filho da puta.
- E quem além da gente sabe que ele tá vivo? Porque a mãe dele veio aqui ontem, e acho que ela não sabia não. - DG falou e eu assenti.
- Só os peixes grandes do PCC que tão atrás dele, essa lista aqui é justamente sobre isso.
- Explica melhor sobre essa porra aí, PH. Confuso demais. - Danone falou e eu só ouvia absorvendo tudo o que ele falava.
- Pelo que eu dei uma pesquisada, essa lista aqui foi feita pelo PCC, pra acabar com os caras da facção contrária. Provavelmente esse Dan tá no meio por que não conseguiram matar ele na primeira tentativa. - ele falou e eu suspirei pensativo. - A lista foi bolada pelo Fabinho, cabeça do PCC e dono da Penha.
- Valeu aí pelas tuas informações. - DG falou depois de alguns segundos de silêncio.
- O pagamento ainda hoje cai na tua conta, beleza? - eu falei olhando pra ele que assentiu e levantou deixando uma pasta na minha mesa.
- Tá tudo aí se quiser, qualquer coisa manda mensagem que eu venho por aqui de novo.
- Pô, tu amassou. Valeu mesmo! - falei e ele apertou minha mão e foi saindo sendo acompanhado por DG.
- Tu acha que ele vai voltar atrás da Carolina e do Natan? - Danone perguntou me tirando da minha linha de raciocínio.
- Eu não sei, cara. Ele ficou dois anos longe, não sei se ele vai querer voltar pra pegar os dois. - falei com sinceridade porque eu realmente não fazia ideia. - Mas porra, se ele vier eu quero estar de frente com ele pra olhar nos olhos daquele filho da puta.
- A hora vai chegar, e talvez nem seja você a colocar ele na vala. Aquela lista vai deixar os caras do PCC doidinhos atrás dele, é dinheiro pra caralho. - ele falou e eu cocei a barba que já tava crescendo, eu realmente precisava ir no barbeiro.
- Mas eu não vou sentar pra ver o que vai acontecer. Quero ver a movimentação. - falei levantando.
- Isso é por causa dela né? - ele falou meio receoso e eu não entendi.
- Ela quem? - perguntei cruzando os braços e me encostando na minha mesa.
- Carolina.
- Não cara, nada a ver. - eu falei rápido.
- Tu engana qualquer outro filho da puta aqui, mas não eu. Te conheço irmão, e não é de hoje. - ele falou e eu revirei os olhos. - Eu observo tudo, Falcão. Observo tu olhando ela como se fosse a única mulher no mundo, tu não me engana parceiro.
- Eu não... Porra. - eu falei e ele riu.
- Mas se tu tá na dela, tá tranquilo cara. Não é crime não. E se fosse, tu já é do crime, não ia fazer diferença nenhuma.
- Tô curtindo ela pô. Difícil achar mulher assim.
- Vocês já ficaram? - ele perguntou e eu só neguei com a cabeça.
Ele deu uma gargalhada que de primeira eu não entendi.
- Tá viajando? - perguntei.
- Tu gamou nela antes da primeira ficada? Porra, Falcão, casa logo com essa mulher. - ele falou e eu ri também.
Peguei meu celular que tinha vibrado no bolso e olhei quem era.
"Vai buscar Natan na escola hoje?" - era justamente a bendita que eu e Danone estávamos falando.
"Vou. Porque?" - digitei e enviei esperando uma resposta.
- Vou indo lá cara, prometi pra minha pretinha que ia levar um açaí pra ela no trabalho. - ele falou e fez toque comigo.
- Vai lá, fé aí irmão. - falei e voltei a sentar na mesa pra terminar minhas coisas que eu tinha pra fazer.
"Tô só perguntando, achei que não ia porque de manhã mandou Matheusinho levar a gente lá."
"Eu tava ocupado, princesa. Mas vou lá buscar ele agora."
"Tá bom, então vou esperar vocês aqui"
Mandei um emoji só e ela visualizou. Voltei aos meus afazeres e quando deu o horário, peguei a chave do carro e dirigi atento pra fora do complexo.
A mulher já me conhecia e foi chamando Natan que veio correndo pra fora da escola.
- E aí, moleque! - eu peguei ele no colo e fui levando pro carro. - Como que foi a aula?
- Foi legal, tio. Tô aprendendo a escrever. Já escrevi meu nome, sabia que meu nome ao contrário também é Natan? - ele falou e eu encarei ele surpreso.
- Sério? Não tinha pensado nisso. - falei e coloquei ele no banco de trás afivelando o cinto.
Dei a volta no carro e sentei no banco do motorista e comecei a dirigir de volta pro morro. Mas no meio do caminho vi que tinha um carro preto todo escuro muito colado no meu. Acelerei o máximo que pude com Natan dentro do carro, sem demonstrar nada, e percebi que tava sendo seguido porque o carro acelerou junto comigo. Meti ainda mais o pé no acelerador sempre olhando Natan pelo retrovisor que tava entretido com um carrinho.
Se eu desacelerasse seria pior, eu não sei quem é e meu medo é que fosse alguém atrás de mim por causa daquela lista do caralho. Eu só precisava levar Natan em segurança pro complexo. E se tivessem me visto saindo da escola dele, automaticamente ele estaria correndo risco também.
Acelerei mais até virar a esquina que dava pra entrada da Maré. Pisquei o farol algumas vezes e os meninos da contenção já foram rápidos liberando minha entrada e fechando em seguida. Olhei no retrovisor e vi que o carro tinha sumido, só respirei e dirigi pra casa da Carolina.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
