Carolina. - Rio de Janeiro, 17 de março, Complexo da Maré. 19:00 PM.
A decoração estava perfeita. Eu, Maria e Tamires fizemos um bom trabalho. Eu já estava pronta, vestia uma calça jeans larga e uma camisa vermelha pra combinar com a decoração da festa. Natan tava doido brincando com o carrinho de controle remoto que ganhou ontem do Falcão.
E falando nele, o meu filho estava a coisa mais linda. Ele pediu pra vestir a camisa do McQueen que eu comprei pra ele há uns dias e uma bermuda preta que também ganhou de Falcão, ele enchia meu filho de presente e eu adorava ver a reação dele a cada presente que ganhava.
Nós tinhamos combinado de ser só um bolinho pra quem era próximo e quem Natan gostava. O nosso grupinho composto por mim, Maria, Tamires, Danone, Mateusinho e Falcão. Também chamei alguns dos amiguinhos dele aqui da rua que ele faz questão de chamar.
- Ele tá tão feliz. Isso que me motiva a comemorar todos os anos. - eu comentei com Maria que estava comendo os salgadinhos que eu comprei.
- Eu fico feliz demais de ver vocês felizes, Lina. Você merece ser feliz. - ela falou e me encarou.
- Minha felicidade tá bem ali ó. - apontei pro Natan abrindo mais um presente que uma mãe de um colega dele tinha dado. Ele viu a bola de futebol e comemorou abraçando a senhora agradecendo.
- Você sabe do que eu tô falando, Carolina. Não se faz de doida. - ela falou e eu gargalhei.
- Não tô me fazendo de doida, eu sei o que tu tá falando, mas eu não tô pronta. - falei e ela deu de ombros.
- Você que sabe, Lina. Mas já faz tempo, a gente nunca supera um medo se não enfrentar ele. Teu relacionamento não foi bom pra você no passado, não te fez bem. Mas não significa que todas as pessoas que você se relacionar vai ser da mesma forma. Só se permite viver, mas quando você estiver segura o suficiente pra isso. - ela beijou minha bochecha e se afastou pra ficar perto do namorado.
O que ela falou me deixou pensativa, mas eu não queria me relacionar com ninguém, eu sei o que eu passei e sei que não aguentaria passar tudo de novo.
- Tá aí toda xoxa, qual foi? - Falcão chegou e pra falar a verdade, essa era a primeira vez que eu o via no dia.
Essa semana ele parecia distante, veio aqui todos os dias levar e trazer Natan da escola, mas quase não nos falamos. E eu também não estava esperando muito, ele está trabalhando demais, percebo que ele quase não para em casa.
- Nada, só tô nostálgica. Ele tá crescendo tão rápido. - eu comentei e fiz uma cara triste.
- Ele tá feliz pra caralho. Se eu soubesse que era essa a sensação de ter um filho, eu teria feito um antes. - eu gargalhei.
- Não deixa Natan te ouvir, ele é ciumento. - eu falei e ele bebeu um gole do refrigerante no copo descartável.
- O menor é filho único, tem que ter ciúme não. - ele falou e sorriu.
Natan veio correndo pra perto de nós.
- Mãe, olha o que eu ganhei. - meu filho entendeu um boneco do hulk enorme na minha direção.
- Uau, filho. Que enorme, quem deu? - perguntei curiosa.
- Tio Gavião. - olhei pra Falcão com os olhos cerrados.
- Gostou, moleque? - ele perguntou e Natan assentiu correndo de volta pra onde as outras crianças estavam.
- Eu falei que ele já tem milhares de Hulks. - eu falei rindo.
- Mas ele tem um daquele? Ele faz barulho. - ele falou e eu gargalhei.
- Ele não tem daquele, mas a questão é que você tá mimando ele. - eu reclamei.
- Não tô mimando ninguém. Tô dando presente pro moleque, ele merece. Tá indo bem na escola, tá obedecendo, tá na tranquilidade. Então merece.
- Tá bom. - eu falei me convencendo e revirando os olhos.
- Como que tu tá? Nem tive tempo de trocar ideia contigo essa semana. - ele falou.
- Tô bem e tu? Trabalhando demais? - eu perguntei.
- Tô mesmo, trabalhando igual um condenado. Tô procurando a vida de chefe que o povo diz que eu tenho. - eu ri com ele. - Já comeu? - ele perguntei e eu neguei com a cabeça fazendo careta.
- Passei o dia na correria e nem lembrei de comer, mas daqui a pouco como. - ele me encarou com a cara fechada e saiu de perto me deixando plantada sem entender nada.
Mas uns dois minutos depois voltou com um prato lotado de salgadinho e cachorro quente. Ri e neguei com a cabeça.
- É pra tu não desmaiar pelos cantos. - ele me deu o prato com um copo de suco e eu apoiei o copo perto de mim.
- Valeu mesmo. - ele só levantou o dedão e deu um tapa na minha testa antes de ir pra perto dos parceiros dele.
Não deixei de observar seu corpo de costas, os músculos dos braços fortes dele e as pernas grossas cobertas só pela bermuda que era igual a de Natan.
Permaneci ali no meu canto observando o movimento e comendo, meus olhos não deixavam de olhar Natan. Ver meu filho feliz não tinha preço.
- Mamãe, vamos cantar os parabéns? - meu bebê pediu depois de um tempo e eu com certeza concordei.
Coloquei uma cadeira baixa atrás da mesa do bolo pra ele ficar em pé e ele subiu com um sorriso de orelha a orelha. Eu acendi as velas e saí de perto ficando pouco ao lado da mesa. Era o momento dele.
Os convidados começaram a cantar parabéns e bater palmas, meu filho me chamou com a mão pra ficar do lado dele e eu dei alguns passos na sua direção. Meu filho também chamou Falcão que se aproximou de nós sorrindo.
Maria pediu pra tirar fotos nossas, eu sorri pra câmera e percebi que Falcão permanecia com aquela cara séria dele.
- Dá um sorriso, poxa. - eu falei baixo rindo e ele me olhou com uma cara de poucos amigos e olhou de novo pra câmera dando um sorriso minimalista sem mostrar os dentes.
Depois Maria tirou umas fotos de Natan sozinho e com alguns convidados.
Fui pra dentro da casa pegar um pouco de água, encontrei com Matheusinho falando com a mãe no telefone e eu lembrei de fazer uma marmita pra ele levar pra casa. Coloquei tudo o que tinha na festa e coloquei perto dele que me olhou sem entender.
- Calma aí, mãe. - ele tirou o telefone do ouvido. - Qual foi? Que isso? - ele perguntou com a cara emburrada.
- Pra tu levar pra casa pra comer amanhã. - eu falei e ele me olhou.
- Valeu, Carolzinha. Tu sabe que tu mora no meu coração. - ele falou mudando completamento o humor e eu sorri.
- E tu mora no meu.
- Que palhaçada é essa aqui, família? - Falcão chegou todo mal humorado e eu ri.
- Nada, já tô voltando pra festa. - respondi e o radinho dos dois apitou chamando minha atenção.
"Chefe, sei que tu tá ocupado aí na festa do teu menor, mas tem uma mulher procurando ele aqui na entrada do morro." - ouvi a voz de um vapor e olhei Falcão com o cenho franzido.
- Qual o nome, Yuri? - ele perguntou.
"Não sei não chefe, a mulher tá meio maluca das idéias."
- Marca 10 que tô colando aí. - ele falou já dando as costas.
- Ei, deixa eu ir junto. É meu filho! - eu falei meio desnorteada.
- Não, fica aí com Natan. Deixa que eu resolvo, tu nem sabe quem é. - ele falou e foi saindo levando Matheus com ele.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
