Capítulo 56

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Falcão. - Rio de Janeiro, 05 de janeiro, Complexo da Maré. - DOIS MESES E MEIO DEPOIS.

Olhei pra mulher mais gata desse churrasco, vendo ela comer um pedaço de carne com a maior vontade. Quem vê até pensa que passa fome em casa.

Viemos hoje pra Maré, aniversário da Tamires e nós viemos comemorar. Natan já tava na piscina e todo mundo tava curtindo. A gente tava feliz demais, tava tudo certo na nossa vida.

Tava ali igual um besta olhando Carolina que sambava ao som de raça negra, e aquela barriga dela perfeita demais, tudo nessa mulher me encanta.

- Carolinda tá gatona, né não? - Matheus chegou pra perturbar meu juízo.

- Ih, sai pra lá. Quer morrer? - eu falei e ele gargalhou sentando na cadeira do meu lado.

- Quando eu crescer, eu quero ser igual tu, tá ligado? - ele começou e eu olhei na sua direção.

- Igual eu? - questionei.

- É pô. Um monte de filho nas costas e chefe da porra toda, não é pra qualquer um. - respondeu e eu soltei uma risada. Esse garoto não quer prestar.

- Que monte de filho? Tenho só dois. - ele deu de ombros e bebeu um gole da cerveja.

- Tem três comigo. - ele falou sorrindo, e eu revirei os olhos.

- Quem te deu isso aí? Tu é de menor. Não é pra tá bebendo não. - apontei pra cerveja e ele me encarou.

- Tenho idade pra ser sub mas não tenho idade pra beber? Me poupe, Falcão. - ele falou e eu dei dois tapinhas nas costas dele.

- Me respeita que eu ainda sou teu chefe. - eu respondi e ele rodou os olhos pela casa e parou exatamente nas três super poderosas que estavam juntas. Tamires, Maria e Carolina. - Tava com saudade, mané? - ele me olhou assustado e eu dei de ombros.

- Tua mulher é uma fofoqueira. - ele reclamou e eu ri.

- Me zoa mais, tua vez chegou. - ele revirou os olhos ficando vermelho.

Carolina me contou do rolo dele com Tamires, e esses dois meses eles quase não se viram, ele ficava com a cara enfiada no celular o tempo todo.

- Deixa quieto, ela não me quer não. - ele respondeu. - Bom que tem outras querendo.

- Quem te ensina essas coisas cara? - perguntei. - E porque ela não te quer?

- Porque eu não vim ver ela, ela ficou puta da vida. - ele respondeu.

- Mas tu tava trabalhando, ela tinha que entender.

- Falcão dando conselhos amorosos, essa eu pago pra ver. - ele respondeu debochado e mudamos de assunto quando Danone tava se aproximando. Ele desgrudou da mulher, agora tava vindo falar com os amigos dele.

- Tavam falando mal de mim? Foi só me ver que calaram a boca, estranho isso aí. - ele falou sentando do meu outro lado e pegando a cerveja da mão de Matheus dando um gole.

- Tem uma freezer logo ali, pô. Vai lá pegar pra ti. - Matheus falou irritado e Danone ignorou, eu só fiz rir.

Tava bebendo não, e nem fumei esses dias. Pela falta de tempo e por ter uma mulher grávida em casa. Carolina me expulsaria na porrada se eu entrasse em casa com cheiro de maconha.

Nessas festas eu sempre lembro de DG e acabo ficando meio pra baixo. Mas eu tava tentando não pensar nisso.

Carolina veio pra perto de mim e sentou no meu colo. Eu conheço ela tão bem que sei que não foi por boa vontade, ela é intencional. Observei Matheus e Danone saírem de fininho pra não segurar vela.

- O que foi? - eu perguntei e beijei seu ombro.

- O que? - ela me olhou fazendo a sonsa.

- Por que veio pra cá, princesa? - fiz uma pergunta mais direta e ela me olhou.

- Tô marcando território. - ela respondeu e eu dei um sorriso de lado. - Tinha uma maluca te olhando, tive que vir mostrar que você não tá pra jogo.

- Tô não? - resolvi brincar e péssima ideia. O olhar dessa mulher me dá um medo do caralho.

- Quer ficar pra jogo? - perguntou e eu dei de ombros sustentando o personagem, fazendo ela ameaçar sair do meu colo.

- Tô brincando, minha princesa. Tô pra jogo não e nem quero ficar. Sou todinho teu! - respondi e beijei seu ombro, subindo pro pescoço. - E tu é minha. - falei no ouvido dela fazendo seus pelos se arrepiarem.

- Vamos ali no banheiro? - ela sugeriu e eu gargalhei.

- Não! A gente não tá em casa e você tá muito tarada.

- Eu sou só uma mulher grávida cheia de hormônios! - ela respondeu se defendendo.

- Guarda os hormônios que em casa eu te recompenso, beleza? - ela me deu um sorriso sacana e eu aproveitei a deixa pra beijar sua boca.

- Promete?

- Prometo, gostosa. - eu coloquei a mão na barriga dela e fiz um carinho.

Ficamos ali conversando até que eu senti um chute bem na minha mão, pela primeira vez. Ele não costumava chutar pra mim, só pra ela.

- Sentiu? - ela perguntou e eu olhei ela com um sorrisão no rosto.

- Senti, isso foi o que? - eu perguntei.

- Pela posição foi o pé dele passando. - ela falou e eu mantive minha mão ali.

- Mexe de novo pra mim, menor. - eu falei baixinho perto da barriga dela mas não deu em nada, o 02 tava rebelde.

- Ele vai mexer depois, amor. - ela falou e pegou meu rosto com uma das mãos pra beijar minha boca e eu prontamente retribui. - Eu tomei uma decisão. - ela falou quando se afastou.

- Qual, princesa?

- Eu vou me reaproximar dos meus pais. - ela falou ainda me olhando e eu concordei com a cabeça.

- O que você decidir, meu amor, eu tô te apoiando. - ela me deu um selinho.

- Mas você acha que eu vou me arrepender?

- Só testando pra saber. - respondi simples e ela deu de ombros.

- Mais tarde vou ligar pra eles e convidar pra comer lá em casa. Posso? - ela perguntou.

- Você pode tudo! Sou só um coadjuvante na tua vida, tudo o que tu falar eu só concordo. - eu disse e ela gargalhou.

- Você tá me deixando mal acostumada e mimada. - ela falou e deitou no meu peito, sentada no meu colo de costa pra mim. E eu apoiei meu queixo no seu ombro e minha mão continuou na sua barriga.

- É o que você merece, é só o mínimo. - ela sorriu abertamente e eu fiz o mesmo. Realizado pra caralho com a minha família.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora