Capítulo 50

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Carolina. - Rio de Janeiro, 19 de agosto, Copacabana.

Nossos lanches chegaram e eu fui chamar Natan que com muito custo veio pra mesa.

Comemos enquanto meu filho desandava a falar muito empolgado com tudo. Ele quase não saía do complexo, parecia que nunca tinha visto o mundo aqui fora.

- Mamãe tá uma delícia essa batata, olha. - ele colocou uma na minha boca e eu mastiguei assentindo.

- Muito boa, filho.

- Olha, pai. - ele também estendeu uma pra Falcão que mastigou e concordou.

- Delícia, menor. - ele falou e eu ri com a interação dos dois.

- Obrigado, vocês são os melhores pais do mundo. - olhei pra Falcão que sorriu pra mim e eu sorri de volta.

- E tu é o melhor filho que a gente poderia ter. - falei sorrindo pra ele e baguncei seu cabelo.

Terminei de comer o meu hambúrguer e avisei Falcão que ia no banheiro e era pra ele olhar Natan.

Me levantei e caminhei até o corredor que dava para o banheiro feminino, vendo que todas as cabines estavam desocupadas. Entrei em uma delas e fiz minhas necessidades. Ouvi a porta do banheiro batendo mas não ouvi mais nada, parecia que alguém tinha saído, mas não tinha ninguém aqui dentro quando eu entrei.

Saí olhando ao meu redor e realmente não vi ninguém, lavei minhas mãos e sequei rápido, com medo.

Eu girei a maçaneta pra sair do banheiro mas um baque me fez voltar pra dentro e tudo aconteceu muito rápido, colocaram um pano no meu nariz e o cheiro forte me fez apagar.

(...)
Falcão. - Rio de Janeiro, 19 de agosto, Copacabana.

Porra, vinte minutos e nada de Carolina. Natan voltou a brincar e eu tava daqui de olho nele, mas preocupado com Carolina no banheiro.

Peguei meu celular e digitei o número dela pra ligar. Suspirei quando vi que o celular dela tava na bolsa. Merda.

Olhei uma última vez pra Natan que tava entretido e levantei indo pro corredor onde ela tinha ido. Bati na porta do banheiro e não tive resposta.

- Carolina! - chamei mais alto e nada.

Fui chamar uma atendente e ela abriu a porta pra ver se tinha alguém ali dentro, era o banheiro feminino, eu não ia sair abrindo.

- Não tem ninguém aqui. - ela falou e eu entrei meio desesperado, olhei ao redor e a única coisa que vi foi uma janela no alto da parede e que estava aberta.

Saí dali correndo, paguei a conta e peguei Natan que relutou um pouco mas veio até o carro comigo.

"Toma mais cuidado da próxima vez, Falcão. Eu tô sempre à espreita." - chegou essa mensagem pra mim e meu coração parou por um milésimo de segundo.

Disquei rápido o número de PH e ele me atendeu no terceiro toque.

- E aí patrão, o que manda? - ele falou.

- Consegue me encontrar daqui quinze minutos lá no complexo? - eu perguntei.

- Porra, na hora. Já tô indo.

- Beleza, preciso de um serviço teu, com urgência. - falei e desliguei.

Dirigi rápido olhando Natan de vez em quando no retrovisor e ele tava quieto olhando a paisagem no caminho.

- Cadê a mamãe, pai? - ele questionou.

- Eu... a gente vai encontrar ela, menor. - falei simples e ele se contentou com minha resposta.

Cheguei no complexo e deixei Natan com Maria e Tamires, sem explicar muito. Eu não quero alarmar ninguém.

- Cadê Carolina? - Maria perguntou cruzando os braços e Natan entrou pra dentro de outro comodo da casa dela.

- Eu... vou achar ela. Ela vai aparecer. - ela me olhou horrorizada.

- Porra, Falcão. O que aconteceu com a minha amiga? - ela perguntou um pouco mais alto e eu suspirei em desespero.

- Eu não posso falar agora, Danone tá aí? - eu perguntei e ela negou com a cabeça.

- Tá na boca, como sempre. - ela respondeu chateada e eu assenti.

- Qualquer coisa me liga, mas deixa Natan fora disso. Ele não pode saber, eu vou achar Carolina e vai todo mundo ficar bem. - falei mais pra mim do que pra ela.

- Tu vai achar ela, eu sei disso. Faz o que for preciso e qualquer coisa, pode me chamar. Natan vai ficar bem, vou distrair ele.

- Valeu mesmo, Maria. Vou te dando notícias. - falei e ela assentiu.

Troquei o carro pela moto e desci pra boca encontrando com Danone bem ali na entrada que me olhou e ignorou minha presença.

- Na minha sala, Danone. - eu falei e ele veio atrás de mim.

Abri a porta e esperei ele passar pra fechar.

- Avisaram que PH tá subindo, o que rolou? - ele perguntou.

- Carolina sumiu. - ele deu uma risadinha desacreditada.

- Como assim, sumiu?

- Sumiu porra, levaram ela. - eu falei e passei as mãos no cabelo.

- Só acontece merda com quem tá ao teu redor, já parou pra pensar nisso? - ele falou debochado. Olhei bem nos olhos dele, vendo que ele tava cheio de droga no cu, o olho tava vermelho.

- Não vou te dar ouvidos, Fernando. Tu tá drogado. - falei e ele riu.

- Tô mesmo, mas mesmo se eu tivesse sóbrio, é isso que eu penso e ponto.

- Cala a boca, porra. Te chamei porque queria tua ajuda, mas se não tá disposto a ajudar, pode meter o pé. Não quero um peso morto do meu lado não. - falei apontando o dedo na cara dele. - Se tu tiver pelo menos o mínimo de consideração pela amiga da tua mulher, tu vai me ajudar. Tô pedindo por mim não, tô pedindo por ela que tá toda abalada lá por causa disso e não tem nem o teu apoio pra nada, porque tu parou tua vida quando DG se foi.

- Parece que tu gostou de ele ter ido, é isso que eu vejo. Tu tá pouco se fodendo. Vivendo tua vida como se nada tivesse acontecido.

- Para de falar, merda, porra. Põe a mão na consciência, para de pensar só em ti. Doeu pra caralho ver meu parceiro partindo, mas eu não posso parar a minha vida. Eu tenho família agora, eu tenho essa porra aqui toda pra administrar, eu tenho muita coisa pra fazer, ele se foi, mas eu não. - cuspi tudo pra fora e ele me olhou possesso de ódio. - E tu tem coisa pra fazer também. Tem que cuidar da tua mulher, quer perder ela de novo?

- Não se mete na minha vida, Falcão. - ele falou mais por orgulho, porque pela cara dele, eu sabia que ele me deu razão.

- Eita, foi mal aí. - PH falou entrando na sala e vendo o clima péssimo que tava.

- Que bom que chegou, parceiro. - falei indo pra trás da minha mesa. - Preciso que tu localize um telefone pra mim. Com urgência, tipo, ainda pra hoje. Sei que tu é foda e vai conseguir.

- Só mandar!

Passei pra ele o número que me mandou mensagem e ele foi abrindo o computador pra começar o trabalho dele.

- O que foi que rolou dessa vez? - ele perguntou sem olhar pra gente e eu neguei com a cabeça tentando manter a calma, mas tava ansioso.

- Levaram minha mulher e esse número mandou mensagem. - falei e ele só agora me encarou.

- Porra, que onda.

Danone continuava em silêncio, o efeito da droga tava passando. A sala se manteve em silêncio, só ouvia os dedos de PH trabalhando no computador.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora