Falcão. - Rio de Janeiro, 24 de abril, Complexo da Maré. 14:30 PM.
Tá foda...
Essa é a frase que eu mais tenho usado nesses três dias.
Porque a situação não tá bacana não, foi achado mais um cara morto jogado na mata, sem cabeça. Mas não era o corpo do Machado, já era outro. E porra, tô pilhado pra caralho, é que nem um beco escuro sem saída, eu não tenho muito o que fazer e não sei a quem recorrer.
É uma merda sentir que não tá fazendo nada.
E ainda tem a porra do ex da Carolina que resolveu aparecer na escola de Natan pra voltar a infernizar a vida deles, esses últimos dias eu tenho ido buscar ele na escola sem ela, pra não ter o perigo de ele aparecer e ela saber que ele tá vivo, porque vai foder o psicológico dela de novo. Eu nunca dei tanta desculpa na minha vida pra não levar ela comigo pra buscar ele, como ela sempre ia. Mas tô indo escoltado também, porque depois daquele carro esquisito ter me seguido, obvio que eu fiquei com um pé atrás.
Aquele dia lá em casa eu tive a oportunidade de falar, mas ela já tava abalada com a aparição da ex sogra e eu não queria deixar ela pilhada, já basta eu.
E antes de ela saber de alguma coisa, eu vou garantir que esse cara esteja morto de verdade, e ela vai viver a vida como se nada tivesse acontecido.
- PH quer falar contigo chefe, posso liberar a entrada dele? - um vapor falou no radinho enquanto eu tava na boca pesando as trouxinhas de droga com DG e Danone, os de sempre.
- Manda subir, Foguinho, tô aqui na boca. - eu respondi e DG e Danone me encararam.
- Já sabe o que ele quer? - Danone perguntou.
- Faço uma ideia, pedi um bagulho dele esses dias. Ele atrasou, mas pelo menos chegou. - falei coçando a nuca. - Matheus recebeu uma proposta maluca de me entregar, chantagem pura dos caras.
- Te entregar? Como assim porra? -DG perguntou.
- Recebeu uma ligação e ofereceram pra ele uma grana em troca de informações sobre mim. Só que Matheusinho tá fechado comigo, e me falou logo.
- Cara tu tá confiando mesmo nele? - DG perguntou e Danone só observava.
- Claro pô, o menor tá fechado comigo. Ele sabe que se pisar errado comigo ele vai se foder na minha mão.
- E aí, cara. Tá na tranquilidade? - PH chegou na sala que a gente tava e fez toque comigo, depois fez com os outros dois que estavam comigo.
- E aí, parceiro. Tem novidades? - eu perguntei e ele assentiu com a cabeça.
- Vim só pra isso, descobri a origem da ligação. Demorou pra porra porque tava todo bloqueado e era chip descartável, mas eu sou foda no que faço e descobri.
- Me diz aí então. - ele pegou o notebook e foi ligando enquanto começava a falar.
- Eu tive que pagar caro pra conseguir essas informações, porque essa porra sabia se esconder, foi esperto. Mas eu sou mais. - ele foi falando e abriu um documento. - Aí os dados da operadora, tá no nome de André Feitosa, mais conhecido como Deco, braço direito do Fabinho dono da Penha.
- Então é aquele filho da puta que tá querendo informação minha? Vagabundo. - eu falei puto da vida e DG e Danone também fecharam a cara.
- E tem mais... demorei também porque mandei meu informante ir lá na Penha atrás de mais coisa. Ele me mandou umas fotos, lembra daquele cara que tu mandou eu investigar? Daniel!
- Porra, lembro. Tá enfiado lá no meio também? - perguntei já imaginando a resposta.
- Tá, pô. Ele se juntou com o povo de lá. Tava de bobeira naquela porra. - ele falou meio irritado também. - Mas é isso, venho aqui de novo semana que vem se tiver mais coisa pra te falar. - ele falou e foi juntando as coisas que trouxe enquanto DG e Danone me olharam em silêncio e me analisando.
- Valeu aí, PH. Fé no corre.
- Fé no corre parceiro. - ele foi andando pra porta e eu sentei na minha cadeira absorvendo tudo o que ouvi.
- Falcão... - DG me chamou em um tom de aviso.
- O que caralho? - perguntei estressado.
- Tu tá se metendo em terreno inimigo, irmão. Se souberem que tu tá envolvido nessa parada e principalmente se souberem do teu moleque e da tua mulher, a coisa vai ficar feia pro teu lado. - ele falou e eu só respirei fundo e fechei os olhos.
- Ela já sabe que ele tá vivo? - Danone perguntou.
- Sabe não e nem vai saber. - respondi e eles me olharam sérios. - Ele foi na escola de Natan esses dias. - os dois me encararam assustados. - Porra, ele tá tão perto. Tô ficando maluco.
- Tu tem que dizer pra ela, Falcão. - Danone falou e eu assenti devagar olhando pro nada.
- Porra, ela tá toda pilhada. Isso vai acabar com ela. - eu falei e eles me olharam. - É foda...
- É foda, irmão. - ele falou e eu cocei a cabeça.
- Tô indo lá, tenho que buscar o moleque no asfalto e levar ele no treino de futebol. - eu falei e os dois se olharam e seguraram a risada. - Qual foi, porra?
- Nada não, chefe. Vai lá. - DG falou e Danone gargalhou.
- Vão trabalhar que vocês não são pagos pra ficar de risadinha não. - eu falei e saí da sala pegando a chave do carro no bolso e mandando mensagem pra Carolina dizendo que tava indo buscar o menor.
"Depois passa aqui pra gente almoçar."
Respondi com uma figurinha e ela só visualizou. Era bom ver Carolina aos poucos se soltando comigo, sem estar sempre na defensiva. Eu tava me amarrando em ver ela tendo iniciativa e atitude. Ela sempre teve atitude, na verdade. A diferença é que agora as atitudes eram ao meu favor.
Como que eu cortaria essa felicidade dela falando que o ex falecido na verdade tava vivo. É tudo uma porra mesmo.
Busquei meu moleque no colégio e voltei rápido pro complexo, estacionei na frente da casa de Carolina. Abri a porta do carro e ajudei Natan a descer com a mochila e ele saiu correndo pra dentro de casa.
Natan abriu a porta e eu entrei logo atrás dele encontrando Carolina de costa fazendo almoço.
Natan passou pra cumprimentar ela com um abraço e foi pro quarto tomar banho pro treino.
Decidi colocar ele nessa escolinha de futebol porque sei que é o que o menor gosta de fazer, e ele tá curtindo muito. Carolina relutou muito por causa do financeiro mas eu taquei o foda-se e fiz a inscrição dele, porque quem tá pagando sou eu mesmo.
- E aí, gostosa. - cheguei por trás passando a mão pelo seu corpo e beijei de leve seu pescoço.
- Oi, Falcão. - ela virou pra me olhar e eu dei um beijo na sua boca de surpresa e ela me olhou negando com a cabeça e rindo de lado.
- Tá fazendo o que pra comer? - eu perguntei. - Quer ajuda?
- Tu nem cozinha, não vou aceitar tua ajuda. - ri e abracei seu corpo pequeno por trás colocando meu queixo na sua cabeça. - Mas tô fazendo um bife, é o que tem, preciso ir no mercado hoje ainda.
- Te levo lá depois. - eu falei e ela riu.
- Precisa não, é logo aqui.
- Vai pra porra, Carol. Aceita nada. - reclamei e ela gargalhou.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
