Epílogo

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Falcão. - Rio de Janeiro, 23 de fevereiro, Complexo da Penha. Um mês depois.

- Tá doendo amor? - perguntei sem saber muito o que falar, vendo Carolina chorando de dor e sem poder fazer nada por ela.

- Se você perguntar isso de novo eu vou cortar a sua mão. - ela falou e eu fiz uma cara de dor quando minha mão foi apertada. - Você tá contando as contrações?

- Claro, vida! - olhei pro celular marcando mais uma.

A médica entrou no quarto e sorriu simpática pra gente, como se não tivesse todo mundo desesperado.

- Oito centímetros de dilatação. - a médica falou depois de examinar. - Falta pouco, você vai ser encaminhada pra sala de parto. - virou pra mim. - Se você puder ir colocar a roupa pra assistir, o momento é agora!

- Beleza! - ela saiu e eu olhei pra Carolina. - Vai ficar bem aí sozinha? Vou só trocar de roupa pra te ver trazendo nosso menor pro mundo.

- Vai lá, volta logo! - ela falou e eu beijei sua mão antes de sair do quarto e ir atrás do local que eu poderia trocar.

Achei e troquei rápido colocando todo o equipamento que tinha ali separado. Tratei de voltar logo pro quarto antes que Carolina fosse transferida.

- Voltei, gatinha. - eu falei vendo ela com a mão na barriga e a cabeça tombada pra trás.

- Eu só quero que ele nasça logo. Já fazem seis horas do trabalho de parto.

- Vai acontecer amor, falta tão pouquinho. - respondi voltando a segurar a mão dela.

Os enfermeiros vieram pra levar a maca dela pra outro quarto e eu fui atrás pra acompanhar. Porra, eu tava ansioso demais, meu coração tava acelerado e minhas mãos geladas. Eu só não queria passar nada disso pra Carol.

Entramos na sala de parto onde a médica já estava posicionada e preparada pra fazer o procedimento. Carolina deitou na outra maca e abriu as pernas, meu Deus tomara que não venha com o tamanho da minha cabeça.

Olhei bem pra ela vendo o nervosismo estampado na cara dela.

- Já deu certo! Tu é foda e tu sabe disso. Tu vai trazer nosso filho pra nós e eu vou ficar aqui do teu lado.

- Eu te amo! - ela respondeu e eu beijei sua testa.

- Carolina, dez centímetros! - a médica anunciou e um choque de adrenalina passou por todo o meu corpo. - Seu corpo vai começar a expelir, preciso que você faça força, o quanto puder. - minha mulher assistiu e respirou fundo.

- Puta que pariu. - falei baixinho e ela nem prestou atenção. - Tu consegue, princesa.

E então a primeira força foi feita, o primeiro empurrão. A única coisa que eu pensava era no quanto essa mulher é forte.

- Eu quero a anestesia. - Carolina falou e eu olhei pra médica.

- Falta muito pouco, Carolina. Faz mais um pouco de força. - a médica falou.

- Tu sonhou com isso, lembra? Tu consegue fazer isso pra caralho. Vamo, amor. Aperta a minha mão e aguenta só mais um pouco. - eu falei no ouvido dela.

E foi então que ela fez uma força monstra, e o choro do bebê foi ouvido na sala. Mal pude conter a emoção, sensacional isso. Meu olho encheu d'água e Carolina não tava diferente. A gente riu um pro outro desacreditado.

- Eu escolhi o melhor pai pros meus filhos! - ela falou fraca e eu sorri.

- Eu te amo e amo demais a nossa família. Faço qualquer coisa por vocês.

O embrulho azul veio pro meu colo, tava chorando ainda e porra, nem vou dizer nada pra não traumatizar Carolina. Mas ele é igual a mim.

Agachei um pouco pra Carolina poder ver seu rosto.

- Ele é lindo! - ela falou. - Olha, a boca dele é igual a minha. - iludida.

- Ele é perfeito demais. - passei o dedo pelo bracinho pequeno e levei até sua mão onde ele segurou com força.

- Heitor Falcão. - ela falou e eu sorri besta pra caralho.

- Heitor? - perguntei porque até minutos atrás ele não tinha um nome.

- É uma sugestão, significa coragem, e também guerreiro. - ela respondeu e eu olhei pra o bebê no meu colo que eu tava segurando sem nenhum jeito.

- Heitor Falcão. - sorri pra ela e vi seus olhos se fechando lentamente.

- Eu preciso levar ele pra os exames. E o enfermeiro vai fazer todos os procedimentos para que ela volte pro quarto. Logo levo ele de volta pra vocês. - a enfermeira disse e foi pegando meu filho de mim.

Mandei mensagem no grupo avisando que nasceu e mandei a foto do menor que eu tinha tirado. Logo chegaram as respostas, eles estavam doidos pra conhecer o novo integrante.

(...)
- Ah, minha filha, ele é tão quietinho. - a mãe da Carolina falou pegando Heitor no colo, ele tinha parado de chorar.

- Deus te ouça, mãe. - Carol falou e eu ri. - Natan tá bem?

- Ele ficou com a Tamires e o Matheus, estava doido pra vim com a gente. Mas ele tá bem, tá animado pra conhecer o irmão. - eu sorri de lado olhando pra Carolina que tinha acordado há pouco. Ela descansou uns quarenta minutos e trouxeram ela e o bebê pro quarto.

Os pais dela foram os primeiros a nos visitar, eles acompanharam tudo e só não puderam entrar na sala de parto porque já tinha eu.

Carolina resolveu mesmo se aproximar e eles foram essenciais nessa reta final da gravidez dela. A mãe dela toda vez que ia visitar a gente no complexo, levava um milhão de presentes pro bebê e pra Natan. E o pai dela me ajudou a montar tudo no quarto do menor também.

Eles estão se esforçando.

- Ele é a sua cara, Falcão. - o pai dela falou e eu sorri pra ele assentindo.

- Nem me lembre, carreguei nove meses pra nascer a cara do pai. - Carolina falou fingindo estar chateada.

- Eu sou gatão, ele tem é sorte. - eu falei e eles riram.

Logo Maria chegou com Danone e entraram no quarto, Fernando já tava chorando pra conhecer o sobrinho.

- Ai meu Deus, eu não sei se tô preparada. - Maria falou e chegou perto da minha sogra pra ver o neném.

Ela pegou ele no colo e Danone veio pra perto de mim me dando um abraço.

- Tenho orgulho pra caralho de ti, irmão. - ele falou e eu apertei mais ele no abraço. - Certeza que nosso DG tá orgulhoso também, onde ele estiver.

(...)

FIM.



Muito obrigada a todos que acompanharam até aqui e eu espero de coração que vocês tenham gostado! Em breve tem mais. ❤️

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora