Capítulo 53

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Falcão. - Rio de Janeiro, 22 de agosto, Complexo da Maré. 22:00 PM.

Dois dias que Carolina tá aqui e não acorda por nada.

Eu não tirei o pé desse posto, não quero estar longe quando ela acordar. Natan ficou com Maria e eu tenho ido lá almoçar com ele e volto pra cá. Ele não sabe que Carolina tá desacordada, nem sei se ele entenderia se eu explicasse.

Peguei na mão de Carolina sentindo seus dedos contra a minha mão. Era uma noite fria no RJ, a mão dela tava gelada, e eu coloquei entre minhas duas mãos soprando pra que ficasse aquecida.

Olhei a notificação no meu celular e era uma mensagem de Maria avisando que Natan tava chorando muito e não queria dormir sem mim. Ela se ofereceu pra passar essa noite com Carolina e eu aceitei, realmente precisava descansar.

Mesmo que parte de mim queria estar ali quando ela acordasse, a outra parte de mim sabia que Natan precisa de mim também. Eu teria que segurar as pontas.

Beijei a testa de Carol e beijei sua mão também, dando as costas e saindo dali. Encontrei com Maria no meio do caminho, ela tava chegando no postinho pra revezar comigo.

- Qualquer coisinha, me liga. Por favor. - eu falei e ela assentiu.

- Claro, pode deixar.

Fui andando, peguei meu carro e dirigi pra casa de Maria onde Natan tava com Tamires. Estacionei na frente de casa porque amanhã cedinho estaria na rua de novo, não daria o trabalho de colocar na garagem.

Peguei meu filho no colo e fui entrando em casa.

- Papai, eu tô com saudade da minha mãe. - ele falou e partiu meu coração. Porra, eu também tô, menor.

- Já já ela volta pra gente, beleza? - eu falei e levei ele pro meu quarto. Deitei ele na cama e ele ficou me encarando. - Vou só tomar um banho, tu me espera?

- Espero, pai. - ele falou.

- Tu jantou lá com a Maria? - perguntei.

- Jantei, mas ela disse que eu comi pouquinho.

- Quer comer alguma coisa antes de dormir? - ele me olhou e negou com a cabeça meio desanimado. - Então me espera aí, eu já venho.

Tomei um banho rápido, coloquei uma roupa ainda dentro do banheiro, escovei meus dentes e apaguei todas as luzes. Deitei do lado do Natan e ele me olhou com os olhos pesados, o moleque tava cheio de sono.

Fiz um carinho na cabeça dele e ele veio chegando mais perto pra deitar em cima de mim, como ele gostava.

- Te amo, pai. - ele falou baixinho.

- Te amo, menor.

Eu falei e fechei o olho, senti meu corpo relaxar e o peso de Natan também. Ele tava apagado já.

(...)
Sete da manhã meu celular tocou, vi várias notificações de Maria.

- Qual foi? - falei com a voz ainda rouca e baixinha pra não acordar o menor.

- Ela acordou, Falcão. - ela falou e meu coração quase saiu da boca.

- Porra, vou já colar aí. - falei.

- Quer que eu vá ficar com o Natanzinho?

- Não, eu vou levar ele na escola e passo aí. Demoro não, conta vinte. - desliguei e me apressei em ir pro banheiro e enquanto isso acordei Natan. Coloquei a farda dele apressado, penteei os cabelos dele e o meu também. Coloquei uns bagulhos na mochila do menor e já fui pro carro.

- Pai, porque a gente tá apressado assim? - ele perguntou e eu parei o que tava fazendo.

- Porque eu tenho que ir ver a sua mãe. - falei e ele ficou todo animado.

- Ela não tá mais dodói? - eu neguei com a cabeça e dei um sorriso de leve.

- Tá não, já tá melhorando e logo mais tu vai poder ver ela. - ele ficou todo feliz e a gente foi pro colégio, deixei ele lá na entrada e voltei pro postinho.

Andei pelos corredores e vi uma movimentação na entrada do quarto dela. Alguns médicos que estavam ali, e enfermeiros também. Até Igor tava no meio.

- Cadê ela? - falei olhando pra Maria que tava na entrada do quarto vazio.

- Foi levada pra fazer exames, pra saber se tá tudo certo. - ela falou cruzando os braços. - A primeira coisa que ela fez quando acordou foi perguntar por você e Natan. - dei um sorriso de lado. - Obrigada por fazer a minha irmã feliz, ela merece demais. - ela falou.

- Pô, eu tô feliz pra caralho também. Ela e Natan são minha vida toda. - falei cruzando os braços também.

- Eu vou indo lá, ainda tenho que trabalhar hoje e Fernando já tá aí na frente. - me despedi dela e agradeci por ter ficado.

- Você é parente da Carolina? - uma enfermeira chegou perto e questionou. Só concordei com a cabeça. - Ela já finalizou a bateria de exames e foi transferida pra outro quarto, já está pronta pra receber visitas.

- Beleza, qual quarto?

Ela indicou o quarto e eu fui andando apressado, doido pra ver minha princesa. Porra, que saudade.

- Oi... - ela disse quando eu abri a porta e coloquei a cabeça pra dentro. Carolina tava sentada na cama, comendo o que parecia ser uma sopa.

- Oi, princesa. - me aproximei dela e coloquei minha mão na sua coxa. - Senti sua falta.

- Eu também... Quantas horas eu tô desacordada? - ela perguntou e tentou levantar.

- Ei, fica sussa aí. Não levanta não. - eu falei e segurei seu braço. - Tem dois dias.

- Dois dias? - ela perguntou assustada. - E Natan? Tá com quem?

- Tá ficando com Maria, dormiu comigo essa noite e agora tá na escola. - falei resumidamente.

- Saudade do meu bebê. - eu ri e beijei sua testa.

- Tá sentindo alguma coisa? - questionei.

- Não, parece que meu corpo tá dormente, mas o médico falou que é normal. - ela falou e me olhou.

- Porra, tô tão aliviado. - fiz um carinho no rosto dela e ela deitou a cabeça na minha mão.

RENASCER [CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora