Carolina. - Rio de Janeiro, 21 de abril, Complexo da Maré. 14:30 PM.
Filho da puta traiçoeiro.
Ele não me acordou e eu simplesmente apaguei, desde as onze até agora. Acordei meio perdida, o quarto tava escuro por causa da cortina que impedia a luz da janela de passar pra dentro do quarto.
Levantei sentindo meu corpo bem melhor, só minha boca tava seca, precisava urgente de água.
Fui andando pra cozinha depois de ter lavado o rosto de novo. Chegando lá avistei Falcão deitado no sofá da sala sem camisa e falando com alguém no telefone.
- Beleza, PH, depois falo contigo. - ele falou e desligou se levantando e vindo pra perto de mim.
- Cadê o Natan? - foi a primeira coisa que eu perguntei quando eu vi que ele não tava em nenhum dos cômodos da casa. - Você nem me acordou pra ir lá com você.
- Boa tarde, princesa. - ele se aproximou e beijou meu pescoço antes de me dar um selinho. - Busquei Natan mas Maria pediu pra levar ele pra almoçar, deixei ele lá. Não te acordei porque você tava num sono pesado demais, nem se mexia. Ainda fui ter certeza se tu tava respirando. Mas tá melhor?
- Agora tô 100%, to ótima! - falei e ele riu. - Já pode me contar o que queria falar.
- Ainda não, princesa. Tu vai comer primeiro, não comeu nada e botou o café todo pra fora. - ele falou e eu revirei os olhos, mas ele tinha razão.
- E o que tem pra comer?
- Pai é masterchef, baixinha. - ele levantou e eu o segui pra cozinha.
- Me dá um copo d'água antes, por favor. - eu pedi ainda sentindo sede.
- Na hora, patroa. - ele pegou um pouco d'água na geladeira, colocou num copo e me deu. - Agora pode comer, fiz uma sopa pra tu.
- Colocou abacaxi no meio não né? Agora que você sabe minha alergia, é um perigo querer me envenenar.
- Claro pô. Botei logo três, vai que não funcione de novo. - ele brincou e eu gargalhei.
Ele botou uma colher e um prato de sopa que parecia boa até, me surpreendo por ver ele se esforçar assim. É até estranho, não tô acostumada.
- Vê se tá bom. - ele sentou do meu lado na mesa e colocou a mão na minha perna apertando minha coxa.
Coloquei a primeira colherada na boca e senti o gosto bom até demais da sopa.
- Não foi você que fez né? - perguntei desconfiada.
- Claro que foi eu cara, tá duvidando? - ele falou meio ofendido.
- Tá bom não. Tá ótimo. Temperou com o que? - ele me olhou com uma cara engraçada e deu uma risada.
- Porra aí tu me pega na mentira. Comprei lá na pensão, fui eu que fiz não. Mal sei fazer um ovo mexido. - ele respondeu e eu ri negando com a cabeça.
- Obrigada, Falcão. Você foi excepcional hoje. Pode ficar tranquilo que não vou te dar trabalho de novo, nem vou deixar de cumprir minhas obrigações com Natan. Hoje foi uma exceção. - eu falei olhando pra ele e fui comendo a sopa. Quando acabei, coloquei a colher na mesa e afastei o prato pra longe de mim.
- Não foi incômodo pra mim cuidar de você, princesa. - ele falou e beijou meu pescoço.
- O que tu queria me dizer? - eu falei e ele me encarou suspirando. - Eu vou ser insistente até você me falar, porque tem alguma coisa errada.
- Tu não vai esquecer mesmo né. - ele falou e eu ri negando com a cabeça.
- Não mesmo, eu sou curiosa. - respondi e ele riu de lado passando a mão pela lateral do meu corpo,
- A gente pode fazer coisa mais interessante, o que tu acha? - ele falou apertando meu peito por cima da camisa e passou a língua no meu pescoço, do jeito que ele sabe que eu gosto.
- Não. Foco! - eu respondi e ele riu. - Você é um cínico. Para de enrolar e conta logo.
- Eu te disse que é algo que vai mudar tua vida. - ele começou ficando mais sério. - E eu não tava brincando, Carol. Tem certeza que você quer saber?
- Eu quero, Falcão. Tô ficando nervosa, o que foi?
- Lembra o dia do aniversário do Natan? Que eu precisei sair porque tinha alguém procurando por ele... - ele começou e eu assenti com a cabeça ouvindo atentamente. - Quem veio procurar ele foi sua ex sogra, avó do menor.
- Dona Hélia veio aqui? Ela sabe que eu moro aqui? - eu perguntei espantada e preocupada. Eu me escondi por todo esse tempo, como ela me achou e porque justo agora?
- Essa aí mesmo, ela veio procurando vocês. Ainda não sei como ela sabe que você mora aqui, mas eu desconversei e ela foi embora.
- Eu tô assustada de ela ter me achado. E aquela ligação da escola com alguém se passando por Dan, tudo tá tão mal contado, tão esquisito.
- Pois é, morena. - ele coçou a nuca. - Mas eu consegui convencer ela de que tu não tá morando aqui.
- E era só isso? - eu perguntei curiosa.
- É... Só isso mesmo. - ele demorou mas respondeu simples e cheirou meu pescoço. - Toda cheirosinha, pô. - falou no meu ouvido.
- Falcão... - falei baixinho quando ele passou a língua no meu pescoço, ele tinha essa mania e eu adorava. Sentia todos os meus pelos se arrepiando.
Ele apertou as duas mãos na minha cintura e eu tombei a cabeça pra trás.
- Gostosa. - ele beijou minha boca e puxou meu lábio inferior entre os dentes.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomansaCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
