Falcão. - Rio de Janeiro, 01 de junho, Complexo da Maré. 22:00 PM.
A luta que foi pra trazer Carolina pro baile não tá escrito. Oh mulher teimosa.
Ela deu várias desculpas. A primeira foi que não tinha com quem deixar Natan, mas Tamires falou que ficaria porque no dia seguinte iria acordar cedo e não poderia ir pro baile. A segunda foi que não tinha roupa, mandei comprar, mesmo vendo o guarda roupa dela cheio de roupa. A terceira foi que tava cansada, mas ela nem trabalhou hoje porque tava de folga. No fim, depois de perguntar se ela deixaria eu ir sozinho pra um lugar cheio de mulher, ela resolveu vir, e posso dizer que valeu a pena. Ela ficou gostosa na roupa que eu comprei.
Na verdade, essa mulher fica gostosa de qualquer jeito, ainda mais sem nada.
- Quer beber o que princesa? - falei no ouvido dela me encostando por trás.
- Um energético. - ela falou e eu mandei buscarem pra ela. - Maria e Danone deveriam ter chegado já.
- Melhor a gente não questionar muito, eu sei bem porque eles ainda não vieram. - ela me olhou predendo a risada e eu beijei seu pescoço.
- A gente deveria ter se atrasado pelo mesmo motivo. - ela falou baixinho e eu gargalhei.
- Porra, Carolina. Tu quer me deixar duro? - eu falei e ela gargalhou jogando a cabeça pra trás.
Vi que os caras do Vidigal e do Alemão tavam chegando e meus homens ficaram logo na espreita. Um monte de cara estranho, não tinha como não desconfiar, mas eles são de confiança, por isso mandei baixarem a guarda.
- Cheguei! - Maria falou sorrindo quando chegou perto da gente, ela tava animadinha demais.
- Demorou, gata. - Carol falou abraçando ela e logo DG chegou com um balde de energético e as bebidas que eu pedi. Ofereci uma lata de energético pra Carol e ela pegou já tomando alguns goles.
- E aí, irmão. - fiz toque com Danone e ele se jogou no sofá que tinha ali.
- Vamo lá embaixo dançar, essa música é boa. - ouvi Maria convidando Carolina e a bonita me olhou pedindo socorro, mas eu só dei um selinho nela e um tchauzinho pra ela ir com a amiga dançar.
Ela ainda sussurrou um "filho da puta" pra mim.
- DG tava falando que os caras chegaram metendo marra aí embaixo. - Danone falou quando eu sentei do seu lado com uma latinha de cerveja na mão.
- Tô deixando eles se enturmarem, vou ver no que vai dar. - falei relaxando e eles se encararam.
Ficamos ali conversando e trocando idéia, eu tava ouvindo as merdas que eles falavam. Até que vi uma movimentação nas escadas do camarote. Um dos meus vapores subiu meio afoito e eu olhei logo.
- Chefe! - ele chegou respirando fundo e se apoiando nos joelhos.
- Qual foi? - falei ficando em alerta.
- Tem um dos caras de fora dando em cima da tua mulher, ela dizendo não e ele insistindo.
Nem vi mais nada, eu tava em paz, mas deveria imaginar que a qualquer momento o caos chegaria.
Vagabundo, filho da puta. Pensa que é quem pra dar em cima da minha mulher?
- Ei, Falcão. Calma pô, não vai matar ninguém hoje, mantém a paz. - DG falou e eu ignorei indo pra parte de baixo do baile onde as meninas estavam dançando antes.
De longe já vi a movimentação e o cara segurando o braço de Carolina com força enquanto ela xingava ele de todo jeito. Carolina do jeito que é, não abaixa a cabeça pra ninguém.
- Ei, filho da puta. Tá ficando maluco? - eu cheguei me metendo entre eles dois e empurrando o cara fazendo ele ir pro chão.
- Qual foi, Falcão? - tirei logo minha arma da cintura e apontei pra ele. - Ei, chefe. Que isso pô?
- Tá mexendo com a mulher dos outros porra, tá achando que tá aonde? - falei puto da vida e ele me olhou assustado.
- Sabia que tava no teu nome não, parceiro. Pô, foi mal.
- Independente se tava no meu nome, se ela tava dizendo que não, então era pra ter dado as costas e vazado. Vacilo feião esse teu. - falei me abaixando e ficando na altura dele.
- Sabia que a gostosa tava contigo não, ela tava sozinha aqui. - ele ainda teve a audácia de chamar a minha mulher de gostosa. Dei uma risada sarcástica e apertei uma vez no gatilho fazendo a bala alojar na perna dele.
Com o tiro, a música parou e se formou uma rodinha ao nosso redor.
- Tem nada pra ver aqui não, porra. Segue o baile. - Danone falou bolado.
- Isso é pra tu lembrar que não tá na tua casa não. - falei ainda olhando bem na cara do filho da puta. - Bora comigo, Carolina. - eu falei e ela me olhou com os olhos arregalados e assustada. - Carolina! - falei mais alto e ao invés de me seguir ela deu as costas e saiu em direção à porta da quadra.
Fui atrás dela e peguei em seu braço de leve.
- Tira a mão de mim, Thiago. - ela falou e só então eu percebi a merda que eu fiz.
- Fica aqui, continua curtindo comigo. - eu falei me aproximando aproveitando que ela parou de andar.
- Tu tá me pedindo pra ficar curtindo o baile como se nada tivesse acontecido? Como se você não tivesse acabado de atirar num cara na minha frente? - ela falou quase gritando. - Inacreditável! Eu vou pra casa, chega por hoje.
Ela foi dando as costas mas eu segurei sua cintura e puxei ela pra mim.
- Eu já falei pra não encostar em mim. - ela falou.
- Então pode se soltar de mim, princesa. - eu falei e ela olhou nos meus olhos mas se manteve no meu abraço apertado, respirando fundo. - Quando você aceitou ser minha, você sabia da minha profissão, sabia do que eu fiz e faço. Não tem porque ter medo de mim porque eu não vou te machucar nunca, mas eu vou te defender do meu jeito. Se vier qualquer um desses vagabundos pra cima de ti igual urubu, eu não vou passar a mão na cabeça.
- Falcão... - ela começou a falar mas eu beijei sua boca pra que ela ficasse quieta.
- Quer ir pra casa mesmo? Se tu quiser, a gente vai. - eu falei e ela deu de ombros. - Eu não tenho mais nada pra fazer aqui, vamo pra casa.
- Preciso da minha bolsa, tenho que ir lá pegar. - ela falou e eu assenti pegando sua mão e entrando de novo na quadra só pra pegar a bolsa dela.
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RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
