Carolina. - Rio de Janeiro, 21 de março, Complexo da Maré. 10:20 PM.
Mal eu conseguia levantar, nem tinha comido nada ainda, tava fraca. Desde que Falcão saiu pra levar Natan na escola eu fiquei deitada e não levantei mais.
- Cheguei, princesa. - Falcão apareceu na porta do quarto e eu sobressaltei assustada, ele nem fez barulho.
- Oi, obrigada. - peguei a caixa de remédio com a água que ele trouxe.
- Tá melhor? - ele perguntou e se apoiou na cama com uma mão e a outra veio pro meu pescoço me puxando pra um beijo mas eu virei o rosto.
- Minha boca tá toda cheia de bolinha. - ele me encarou analisando as bolinhas fazendo careta.
- Foda-se. - e então ele beijou minha boca sem pensar duas vezes e eu ri no meio do beijo. - Alergia não é transmissível. Toma logo teu remédio e fica aí deitada, daqui a pouco vou pegar o menor na escola.
- Eu vou pra casa, vou deitar por lá mesmo.
- Não vai não, vai ficar sozinha?
- Ué, mas eu tô sozinha aqui. - eu contestei e ele me olhou de cara feia.
- Mas eu tô aqui agora pô, vou sair só pra buscar o Natan e vou voltar daqui a pouco. - ele respondeu passando a mão no meu peito e eu ri baixinho.
- Tarado. - ele me olhou com uma cara safada. - Não tem que ir pra boca hoje?
- Já fui e já fiz o que tinha que fazer. Agora toma logo esse remédio pra tu ficar 100%, larga de enrolação. - ele mandou e eu revirei os olhos sentando na cama, pegando o copo d'água e tomando metade do líquido pra engolir a pílula.
- Agora só esperar fazer efeito. - falei colocando o copo em cima da cômoda.
- Tá sentindo o que ainda? - perguntou.
- Antes de você chegar eu ainda fui duas vezes vomitar no banheiro, agora tô cheia de pintinhas vermelhas e daqui a pouco vai me dar febre, mas o remédio vai ajudar. - Falcão passou pro meu lado na cama e passou o braço pelo meu pescoço me puxando pra um abraço e beijando minha cabeça.
Confortável demais, me sentia bem com ele. E ele foi impecável na noite passada, priorizou o meu prazer, coisa que eu não sabia o que era a tempos. Gostosinho demais.
- Deita lá na minha cama, é mais confortável. - ele falou e eu concordei com a cabeça, ainda agarrada nele.
Meu celular começou a tocar e eu peguei no bolso vendo que o numero era da escola de Natan.
- Oi, bom dia. - atendi na hora e coloquei o telefone no ouvido.
- Bom dia, dona Carolina. Aqui é da escola do seu filho. Estamos entrando em contato pois veio um homem buscar Natan antes do horário de saída. Podemos liberar?
- O que? Qual o nome do homem? - perguntei já em alerta.
- Ele se identificou como Dan.
Meu corpo congelou de cima a baixo. Meu celular quase caiu da minha mão.
- Não libera, eu não conheço ninguém com esse nome. - menti nervosa. - Por favor, não deixa esse homem chegar perto do meu filho.
A essa altura Falcão estava me olhando assustado e em alerta também sem entender nada.
- Tudo bem senhora! Qualquer coisa eu volto a entrar em contato, obrigada. - ela desligou e eu olhei assustada pra Falcão.
- Não faz sentido. - eu falei em um sussurro comigo mesma.
- Qual foi, Carolina? Que homem? - ele falou meio desesperado.
- Eu não sei, não tô entendendo nada. - levantei rápido e senti minha cabeça girar, me apoiei na beirada da cama com a visão meio turva. Sem nada no estômago minha pressão tava baixa, já era de se esperar uma tontura e a fraqueza.
- Calma aí, porra. Me explica isso, o que foi que rolou? - ele me puxou pra um abraço mais apertado e eu já sentia as primeiras sensações de mais uma crise de ansiedade me atingindo.
Formigamento nas mãos, coração batendo mais rápido, descontrole na respiração. Tudo por culpa daquele filho da puta que deixou uma série de traumas em mim, ouvir aquele nome de novo depois de tanto tempo me deixou desse jeito, mas não dava pra entender, não fazia o menor sentido. Quem estava se passando por Dan pra me atingir? E porque? Eram tantas questões que eu mal conseguia me concentrar a minha volta.
- Carolina... - Falcão chamou mais alto como se já tivesse chamado mais algumas vezes. - Olha pra mim, abre o olho. - ele segurou minha mão e eu nem percebi que estava me ferindo de novo com minhas próprias unhas.
- Alguém foi na escola de Natan... - falei controlando minha respiração mas com a voz trêmula e os olhos fechados forçando pra não derramar uma lágrima. Não na frente de Falcão, eu odeio demonstrar fraqueza. - Deu o nome de Dan.
Com a cabeça deitada no peito dele senti as batidas do seu coração acelerarem assim que eu falei quem era.
- A gente tem que ir lá. Temos que buscar Natan na escola, ele não pode ficar lá. E se for alguém querendo o mal dele e...
- Ei ei ei, não... Pensa isso não, deixa que eu resolvo. Já tô atrás desse cara, pode deixar comigo. - ele falou e eu me afastei olhando pra ele. - Confia em mim?
- Como assim tu já tá atrás desse cara? - perguntei desconfiada sentindo meu nariz arder com a vontade de chorar. Ele fez uma cara nervosa e eu me afastei dele. Ele sabe de alguma coisa, o pior é que o filho da puta não sabe disfarçar.
- Pra tua proteção e a de Natan, princesa. Vou atrás dele. - ele falou se embolando e eu soltei uma risada incrédula.
- O que você sabe, Falcão? - perguntei cruzando os braços e ele desceu os braços pra minha cintura.
- Eu? Nada, carolina. - ele respondeu mas eu não vi verdade nenhuma no que ele tava falando. - Tu confia em mim?
- Confio, mas vou deixar de confiar se você continuar mentindo. - eu falei e ele respirou fundo.
- Tem um bagulho que tu precisa saber, mas que vai mudar tudo na tua vida. É coisa pesada pra ti, e eu não vou te falar agora. Se recupera, depois vamo lá comigo buscar o menor e eu prometo que te conto quando tu tiver 100%, beleza? - ele respondeu com calma e pisando em ovos. - Só confia em mim, eu vou proteger vocês dessa bagunça.
- Promete mesmo? - olhei bem nos olhos dele. - Porque eu aguento, se quiser contar agora, eu aguento Thiago. - respondi dando a certeza que eu tava disposta a ouvir.
- Eu sei que tu aguenta, tu é forte pra caralho, já passou por um monte na vida. Mas eu vou te polpar porque tu não tá bacana agora. - ele me puxou de novo pra um abraço e eu afundei meu rosto no seu pescoço. - Bora pro quarto, vou deitar contigo até dar a hora de buscar o moleque.
Ele me pegou no colo, passando minhas duas pernas ao redor do seu tronco, dessa vez sem maldade. Entramos no quarto dele e a cama ainda tava bagunçada por Natan ter dormido ali na noite anterior.
Ele me jogou na cama e eu ri com ele em cima de mim, sem jogar seu peso.
- Vira e vai dormir, princesa, deixa que eu busco o nosso menor. - ele falou e me deu até um frio na barriga de ouvir ele falar "nosso menor". Já tinha passado um mês e meio e talvez eu nunca vá me acostumar.
- Não, quando você for, me acorda! - falei virando pro lado e fechando os olhos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
RENASCER [CONCLUÍDA)
RomanceCarolina conhece muita coisa sobre relacionamento, principalmente tendo passado pelas mãos doentias do ex abusivo, ela só conhece o lado negativo de se relacionar. Natan, seu filho, foi a única coisa boa que lhe aconteceu nesse período conturbado da...
