Padrasto. (+18)
Vice= Vício.
Qual é o nome dado a algo que você não consegue deixar ir? Aquilo que te alimenta mesmo quando não é desejado. Eu chamo isso de vício, e olha, eu conheço bem essa palavra porque minha mãe e meu pai são viciados. Como eu...
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VALLIE
O celular ainda estava quente em minhas mãos trêmulas. A tela trincada refletia fragmentos do meu rosto, como se a realidade estivesse se despedaçando junto com o vidro. O nome de Kiara piscava nas mensagens, conversas antigas, fotos codificadas, registros de transações. Nada que uma enfermeira comum teria.
— Como eu não vi isso antes?— minha voz ecoava pelo quarto vazio.
O nome do meu pai, Michael, aparecia repetidamente. Eu sabia que ele não era um santo, mas isso? Envolvimento com drogas? Kiara, a mulher que cuidava da minha mãe durante os piores momentos, estava envolvida nos negócios dele. e talvez em algo pior.
Sentei-me no chão, o coração acelerado
Uma mensagem não lida se destacava:
Kiara: "Preciso falar com você. Lily sabe."
Minha mãe. Lily. O que ela sabia? Até onde ia essa rede de mentiras?
Flashbacks começaram a bombardear meu cérebro. Kiara sussurrando para minha mãe, suas saídas misteriosas à noite. Um mal-estar subia pela minha garganta. Lembranças perdidas dançavam, confusas e fragmentadas, como peças de um quebra-cabeça que eu não conseguia montar.
Levantei-me, caminhando até a janela. Lá fora, a floresta parecia entrelaçando-se como os segredos da minha família.
— Todos estavam mentindo. — sussurrei, sentindo o peso da verdade desabar sobre mim.
Eu precisava descobrir a verdade. E, dessa vez, não confiaria em ninguém.
Guardei o celular no compartimento secreto da gaveta, certificando-me de que tudo estava em seu devido lugar. Minhas mãos ainda tremiam. Cada detalhe do dia parecia arranhado pela descoberta. Ao voltar para o quarto, digitei rapidamente uma mensagem para Dean.
"Descobri algumas coisas importantes."
Ele não demorou a responder.
Dean:"Também tenho notícias."
Antes que pudesse digerir a resposta, o celular vibrou Michael. O nome brilhou na tela, uma lembrança de que os segredos nunca vinham sozinhos. Recusei a ligação, um nó se formando na garganta. Passei o dia no quarto, ignorando as mensagens do meu pai. Quando o quarto começou a ficar sufocante, desci para a cozinha e comi rápido, minha mente não parando de criar teorias.
O relógio na parede marcava quase oito horas, mas o tempo parecia congelado. As sombras das árvores dançavam pela janela, e o silêncio da casa pesava sobre mim, denso e sufocante. Minha mente não parava, insistindo em reviver tudo o que aconteceu com Kiara. A imagem dela parecia gravada em cada canto desta casa. Morta. Aqui. E ninguém falava sobre isso.
Estava tão perdida nesses pensamentos que não percebi a presença de Sarah até sentir um toque gelado no meu ombro. Meu coração disparou, e eu me virei num sobressalto.