Padrasto. (+18)
Vice= Vício.
Qual é o nome dado a algo que você não consegue deixar ir? Aquilo que te alimenta mesmo quando não é desejado. Eu chamo isso de vício, e olha, eu conheço bem essa palavra porque minha mãe e meu pai são viciados. Como eu...
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VALLIE
Minhas mãos estavam trêmulas sobre o colo, suadas, enquanto meus olhos se fixavam na tela do celular.
O endereço piscava no mapa como um grito silencioso.
Minha mãe foi direta na ligação. Eu não podia arriscar que algo acontecesse com Every, e ela precisava de mim. Eu não questionei, não hesitei. Pedi o carro no apliu, peguei o casaco mais próximo, e agora, aqui estava eu, assistindo à cidade se transformar lentamente em algo mais sombrio.
As ruas ficaram mais desertas. Os postes de luz tornaram-se menos frequentes. Poucas casas surgiam entre terrenos vazios, cada uma parecendo um eco de uma vida que não queria ser encontrada. Quando o carro parou, meu estômago revirou.
A casa era diferente do resto. Simples, mas estranhamente acolhedora, com uma cerca de madeira baixa e um jardim mal cuidado, como se alguém tivesse desistido de tentar mantê-lo vivo. Uma cortina de renda balançava em uma das janelas. Estava tudo quieto demais.
Agradeci ao motorista com uma voz que nem parecia minha e desci do carro, ajustando o casaco ao redor do corpo. O ar estava pesado, úmido, como se o mundo inteiro tivesse prendido a respiração comigo.
—Mãe?— chamei assim que empurrei o portão e atravessei o jardim. Minha voz saiu abafada, quase engasgada. Minhas pernas estavam rígidas, como se algo estivesse me segurando de seguir em frente, mas eu continuei.
A porta estava destrancada. Meu peito se apertou.
—Mãe? Every?— Minha voz ecoou no pequeno corredor. Tudo ali parecia comum, tão comum que era inquietante. Um sofá antigo com almofadas desbotadas, uma mesa de jantar com marcas de uso, o cheiro de café fraco no ar... mas nenhuma resposta.
O medo começou a se enroscar em mim como uma serpente. Tentei afastá-lo, mas ele apertava, apertava.
—Mãe! Eu sei que você está me ouvindo.— gritei, a adrenalina transformando minha voz em algo desesperado.
Caminhei pela casa, minhas botas rangendo contra o assoalho. Passei por um corredor estreito, avistei portas fechadas, mas nenhuma dava sinais de vida. Até que ouvi algo. Um som baixo, abafado. Meu coração parou por um segundo.
Segui o ruído até uma porta no final do corredor. Era ali. Meu corpo queria congelar, mas minha mente não me deixou. Girei a maçaneta com cuidado e empurrei.
O que encontrei me deixou sem ar. Minhas mãos estavam tão trêmulas que quase soltei a maçaneta ao empurrar a porta. O ar na sala estava denso, o cheiro de ferro e algo amargo invadiu minhas narinas assim que entrei.
E então, eu vi.
Every estava sentada em uma cadeira no meio da sala, as mãos amarradas por tiras de plástico branco, como aquelas usadas em construções ou prisões improvisadas. A blusa amarela dela, aquela que ela sempre usava porque dizia trazer sorte, estava manchada de sangue. Não eram só gotas, eram manchas escuras que haviam se fixado no tecido.