Padrasto. (+18)
Vice= Vício.
Qual é o nome dado a algo que você não consegue deixar ir? Aquilo que te alimenta mesmo quando não é desejado. Eu chamo isso de vício, e olha, eu conheço bem essa palavra porque minha mãe e meu pai são viciados. Como eu...
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VALLIE
O vento frio soprava forte lá fora, balançando as árvores que cercavam a nossa casa, enquanto a luz entrava suave pelas cortinas brancas do nosso quarto. Estávamos na Dinamarca há alguns meses, em Aeroskobing, uma cidadezinha encantadora que parecia saída de um conto de fadas. Era como se cada rua de paralelepípedo, cada casinha colorida e cada loja com letreiros vintage tivessem sido colocados ali para que eu encontrasse um pedaço de paz.
Os pesadelos também estavam menos frequentes, embora um ainda gostasse de se repetir com mais frequência. Eu estava de volta aquela casa, ao jantar, mas minhas mãos estavam cobertas de sangue, o sangue dela, da minha mãe. Então, eu piscava e não era mais ela. Dean. Eu o mato no meu sonho.
Não!
Não vá lá, Vallie.
Pisquei, afastando a memória ruim e me concentrando no meu quarto. No agora. Este é o conselho do meu novo psicólogo, sempre focar no agora.
Eu estava no nosso quarto, vestida com a fantasia de coelhinha que Dean tanto adorava. Ela não era só uma roupa, era? Não. Esse pedaço de pano sexy é um símbolo de tudo o que havíamos passado. Um lembrete do quão longe eu tinha chegado, do quão longe nós tínhamos ido juntos.
A cama grande, com lindos lençóis lilás e flores brancas, estava desarrumada. Sempre ficava quando Dean estava em casa. Ao meu lado, sobre a penteadeira, estava uma pequena foto que tiramos na semana passada, sorrindo em frente ao mar. Ele me fazia sorrir, mesmo quando o passado tentava me puxar para baixo.
Suspirei, tocando o tecido da fantasia com a ponta dos dedos. Minha mente voltou para aquela noite, meses atrás, no apartamento. Eu tinha acabado de marcar minha consulta com o psicólogo quando Dean voltou para casa. Lembro-me de como ele me olhou, com aquela expressão que misturava preocupação e orgulho. Foi quando ele propôs a mudança.
- Vamos começar de novo - disse ele, segurando minhas mãos com firmeza. - Em outro lugar. Só nós dois. Você vai ter a ajuda que precisa, e eu vou cuidar de tudo o que for necessário.
Na hora, achei que ele estava sendo impulsivo. Mas a verdade era que Dean sempre soube o que precisava ser feito antes de eu mesma perceber. Um mês depois da minha formatura, lá estávamos nós, desembarcando em solo dinamarquês. Ele escolheu Aeroskobing porque eu mencionei, casualmente, que tinha visto a cidade em um filme e que ela parecia o lugar perfeito para uma história de amor. Dean, encontrou uma casa que lembrava exatamente a do filme.
"Eu comprei pra você," ele disse no dia em que entramos pela primeira vez.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto eu percorria cada cômodo, encantada com a simplicidade e o charme do lugar. E agora, era o nosso lar.
Olhei para o espelho, observando meu reflexo. O coelho no espelho não era mais a mesma garota assustada que vivia à sombra de traumas e incertezas. Era uma mulher que estava aprendendo a ser inteira, uma pessoa que encontrava força no amor, mas também em si mesma.