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DEAN

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DEAN

Minha mente estava tão concentrada no plano que quase não notei o movimento sutil ao meu lado. Vallie e Every estavam trocando olhares rápidos, quase imperceptíveis, como se tivessem algum tipo de código.

O que elas estão tramando?

Lily continuava se movimentando pela mesa, servindo comida que ninguém tocava, sorrindo como se estivéssemos em um jantar de família. Michael, sentado na outra ponta, não conseguia tirar os olhos dela. Parecia horrorizado, mas havia algo mais ali, uma faísca de reconhecimento, talvez até arrependimento.

— Gostou, Michael? — Lily perguntou, com um tom que era tanto doce quanto venenoso. — Eu preparei tudo com tanto carinho.

Ele balançou a cabeça, então  deu uma risada amarga.

— Você é maluca, Lily. Isso tudo... essa casa... qual é o plano aqui?

Eu o observei atentamente enquanto ele falava, não porque eu me importasse com o que ele pensava, mas porque cada segundo que passava me dava mais tempo para encontrar uma saída.

Lily inclinou a cabeça, o sorriso permanecendo no rosto como uma máscara desconcertante.

— Oh, Michael... você é tão previsível. Sempre culpando a mulher, não é? A pobre Lily, a instável Lily.

— Você é instável! — ele disparou, apontando um dedo para ela.

Ela deu de ombros, como se as palavras dele fossem um elogio.

— Talvez. Mas eu sempre fui a única com visão, com coragem. Você acha que é o único que pode planejar? Que pode jogar? — Ela riu baixinho e, por um momento, o som ecoou pela casa vazia, parecendo se espalhar pelas paredes antigas como uma lembrança esquecida. — E você ainda não entendeu? Não é óbvio?

Michael permaneceu em silêncio, então ela suspirou dramaticamente e olhou ao redor, como se esperasse que as paredes respondessem por ela.

— Foi aqui que tudo começou. — Sua voz soava nostálgica, mas havia uma ponta de veneno ali, algo que fazia meu estômago se revirar. — Nossos sonhos, nossos planos... Essa casa foi o começo de tudo. Então, nada mais justo que seja aqui que tudo termine.

Meus olhos se estreitaram enquanto eu dava mais uma olhada ao redor, tentando captar algo que ela não estava dizendo. As paredes estavam gastas, mas limpas. Havia um estranho contraste entre o abandono visível e o cuidado com os móveis. Cada detalhe parecia meticulosamente colocado, como se ela estivesse recriando uma cena, uma memória distorcida.

— Eu fui feliz aqui, mesmo que por pouco tempo. — Ela continuou, com um suspiro melancólico. — Achei que poderia ter uma família normal, que talvez, só talvez, pudesse ter uma vida tranquila.

Houve uma pausa, e então ela resmungou baixinho, quase como se falasse consigo mesma.

— Mas você não deixou, não é? Você ficou obcecado com sucesso, com dinheiro. Você queria tudo, mas nunca soube valorizar o que tinha.

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