Padrasto. (+18)
Vice= Vício.
Qual é o nome dado a algo que você não consegue deixar ir? Aquilo que te alimenta mesmo quando não é desejado. Eu chamo isso de vício, e olha, eu conheço bem essa palavra porque minha mãe e meu pai são viciados. Como eu...
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VALLIE
Encarei o prédio antigo e decadente à nossa frente. As janelas estavam cobertas por cortinas desbotadas, e a pintura da fachada parecia descascar em protesto contra o tempo. Ficava no limite da cidade, longe de tudo. Não parecia um lugar seguro, nem mesmo limpo.
Dean saiu do carro primeiro, contornou para o meu lado e abriu a porta, estendendo a mão para mim
— Vamos, Vallie.
Segurei a mão dele, mas hesitei ao sair.
— É aqui? — perguntei, minha voz carregada de incredulidade.
— Sim, é aqui.
Torci o nariz, olhando novamente para o prédio.
Quando finalmente desci, Dean pegou minha mochila do banco de trás e a pendurou no ombro. Ele não trouxe nada para ele. Nenhuma mala, nenhuma roupa.
— Você não vai ficar? — perguntei, mesmo sabendo a resposta.
— Só você vai ficar aqui — respondeu, direto, enquanto começava a caminhar em direção à entrada.
Aquilo me atingiu como um soco no estômago. Ele realmente pretendia me deixar sozinha e agir por conta própria.
— Isso é ridículo, Dean. — Corri para alcançá-lo, segurando seu braço. — Não faz sentido você me esconder e sair por aí como se nada pudesse te atingir. Você ainda é um ser humano.
Ele parou, virando-se para me encarar. Seus olhos, escuros e carregados, me prenderam no lugar.
— Faz todo o sentido, Vallie. Você não entende? — Sua voz era baixa, mas firme. — Tudo o que importa para mim é a sua segurança.
— E você acha que ficar sozinha nesse lugar me deixa segura? — Minha voz subiu, desafiadora. — Isso aqui parece o cenário de um filme de terror.
Apontei para os dois gatos pretos deitados perto da porta, um deles estava desnutrido e tinha olhos de cores diferentes. Um azul e outro preto.
Dean suspirou, passando a mão pelos cabelos enquanto olhava para o prédio como se também odiasse aquele lugar.
— Não é perfeito, mas é o último lugar que sua mãe te procuraria.
A conversa foi cortada quando entramos na recepção. O lugar era ainda mais deprimente por dentro. Um sofá rasgado ocupava um canto, cercado por latas de refrigerante amassadas. A luz piscava intermitentemente, e o ar carregava um cheiro de fritura velha.
Atrás do balcão, um homem careca e robusto nos encarava. Sua camisa estava manchada de algo que parecia molho, e ele tinha o olhar apático de alguém que não se importava com nada além de si.
— Quarto? — ele grunhiu, sem muito interesse.
Dean jogou algumas notas no balcão, e o homem nos entregou uma chave enferrujada. E foi isso, ele não pediu documentação ou perguntou minha idade.