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VALLIE

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VALLIE

Encarei o prédio antigo e decadente à nossa frente. As janelas estavam cobertas por cortinas desbotadas, e a pintura da fachada parecia descascar em protesto contra o tempo. Ficava no limite da cidade, longe de tudo. Não parecia um lugar seguro, nem mesmo limpo.

Dean saiu do carro primeiro, contornou para o meu lado e abriu a porta, estendendo a mão para mim

— Vamos, Vallie.

Segurei a mão dele, mas hesitei ao sair.

— É aqui? — perguntei, minha voz carregada de incredulidade.

— Sim, é aqui.

Torci o nariz, olhando novamente para o prédio.

Quando finalmente desci, Dean pegou minha mochila do banco de trás e a pendurou no ombro. Ele não trouxe nada para ele. Nenhuma mala, nenhuma roupa.

— Você não vai ficar? — perguntei, mesmo sabendo a resposta.

— Só você vai ficar aqui — respondeu, direto, enquanto começava a caminhar em direção à entrada.

Aquilo me atingiu como um soco no estômago. Ele realmente pretendia me deixar sozinha e agir por conta própria.

— Isso é ridículo, Dean. — Corri para alcançá-lo, segurando seu braço. — Não faz sentido você me esconder e sair por aí como se nada pudesse te atingir. Você ainda é um ser humano.

Ele parou, virando-se para me encarar. Seus olhos, escuros e carregados, me prenderam no lugar.

— Faz todo o sentido, Vallie. Você não entende? — Sua voz era baixa, mas firme. — Tudo o que importa para mim é a sua segurança.

— E você acha que ficar sozinha nesse lugar me deixa segura? — Minha voz subiu, desafiadora. — Isso aqui parece o cenário de um filme de terror.

Apontei para os dois gatos pretos deitados perto da porta, um deles estava desnutrido e tinha olhos de cores diferentes. Um azul e outro preto.

Dean suspirou, passando a mão pelos cabelos enquanto olhava para o prédio como se também odiasse aquele lugar.

— Não é perfeito, mas é o último lugar que sua mãe te procuraria.

A conversa foi cortada quando entramos na recepção. O lugar era ainda mais deprimente por dentro. Um sofá rasgado ocupava um canto, cercado por latas de refrigerante amassadas. A luz piscava intermitentemente, e o ar carregava um cheiro de fritura velha.

Atrás do balcão, um homem careca e robusto nos encarava. Sua camisa estava manchada de algo que parecia molho, e ele tinha o olhar apático de alguém que não se importava com nada além de si.

— Quarto? — ele grunhiu, sem muito interesse.

Dean jogou algumas notas no balcão, e o homem nos entregou uma chave enferrujada. E foi isso, ele não pediu documentação ou perguntou minha idade.

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