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DEAN

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DEAN

Estou parado de frente para a cama de Vallie, observando-a dormir. O quarto está mergulhado em sombras, apenas a luz fraca do abajur iluminando seu rosto sereno. Cada respiração dela parece um lembrete do porquê eu ainda estava aqui, lutando para manter a sanidade. O cabelo espalhado pelo travesseiro, os lábios entreabertos... Eu podia ficar assim a noite inteira, mas a verdade é que estou a um passo de surtar.

Acabei de sair do banho, mas a água quente não lavou a raiva. Se eu pudesse, sairia agora mesmo e arrancaria Michael da toca onde ele se esconde. Destruiria cada mentira, cada manipulação. Bateria nele até que não restasse nada, até que aquele desgraçado desaparecesse da face da terra. Ele tinha ultrapassado todos os limites, usado Vallie, invadido a minha vida, chantageado meu pai... Tudo isso precisa acabar.

Pensei no meu dia, as peças do quebra-cabeça se encaixando de forma tortuosa. Fingir simpatia para Lily era a parte mais difícil. Olhar nos olhos dela, fingir que acreditava naquela máscara de esposa devotada, me fez sentir sujo. E hoje, depois do jantar, a situação quase fugiu do meu controle.

Eu tinha saído do banheiro, ainda tentando processar tudo o que Vallie e eu descobrimos, e lá estava ela. Deitada na minha cama, uma camisola branca mal cobrindo o corpo. A expressão calculada, os olhos cheios de um desejo que me causava repulsa. Ela tentou me beijar. Tentou me enredar na teia dela, mas eu desviei. Tive que engolir a bile, controlar o impulso de simplesmente expulsá-la do quarto. Se Lily desconfiasse agora, tudo estaria perdido.

Precisei jogar o jogo. Dei a ela um copo de vinho, minhas mãos firmes enquanto mexia a taça. Sorri, murmurei palavras vazias, enquanto dissolvia dois comprimidos na bebida. Ela não percebeu. Bebeu, satisfeita, achando que ainda tinha controle sobre mim. Em minutos, ela estava apagada.

Uma serpente, finalmente adormecida.

Céus! Estou dando o meu melhor aqui.

Agora, aqui estou eu. No quarto da maior vítima dessa história, a garota merece mais do que os pais que tem. Se eu for honesto, ela merece mais do que eu, mas sou egoísta o suficiente para não deixá-la ir. 

Meu olhar percorre cada detalhe do rosto dela. Tão frágil, mas tão forte. Não importa o que Lily ou Michael tentem. Eu irei protegê-la. Vou arrancar aqueles dois do meu caminho, nem  que suje as mãos para isso.

Me aproximei da cama, meus dedos roçando de leve o cabelo dela. Vallie murmurou algo em sonhos, virando de lado. Um desejo intenso de levá-la embora dali me consumiu, mas não era o momento. Não ainda. Precisava ser meticuloso.

Respirei fundo, tentando controlar a tempestade dentro de mim.

— Querida? — sussurrei, deslizando os dedos pelo seu braço. — Acorde, coelhinha.

Ela franze o nariz, afastando minha mão e gemendo um pedido que me faz sorrir. Ela quer mais alguns minutos de sono, repetindo que logo vai levantar.

— Tudo bem, mas você vai perder toda a diversão. — murmuro contra seu pescoço, beijando abaixo da sua orelha. Não resisto e acabo mordendo seu ombro, enfiando a mão por dentro do cobertor.

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