Padrasto. (+18)
Vice= Vício.
Qual é o nome dado a algo que você não consegue deixar ir? Aquilo que te alimenta mesmo quando não é desejado. Eu chamo isso de vício, e olha, eu conheço bem essa palavra porque minha mãe e meu pai são viciados. Como eu...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Mais um grito.
Meu coração disparou, e antes que eu pudesse processar, já estava correndo pelo corredor até o quarto de Vallie.
Ela continuava gritando. A voz era aguda, desesperada. Quando abri a porta, o som cessou abruptamente, mas o silêncio que tomou conta do ambiente era ainda mais aterrorizante.
Ela estava de pé, perto da cama, a mão coberta de sangue. No colchão, uma caixa preta aberta. Vallie tremia da cabeça aos pés, os olhos fixos no conteúdo da caixa, como se o simples ato de desviar o olhar pudesse quebrá-la. As lágrimas mal escorriam, presas no medo que dominava seu rosto.
— Vallie! — minha voz saiu mais dura do que eu queria, mas ela nem piscou. Dei um passo em direção a ela, meu olhar alternando entre sua mão ensanguentada e a caixa. — Você está ferida?
Ela não respondeu. Apenas ficou ali, imóvel, como se estivesse presa em um transe. Meu estômago revirou quando me aproximei o suficiente para ver o que havia dentro da caixa.
Um coelho. Morto.
O pelo branco estava tingido de vermelho, o sangue seco e fresco ao mesmo tempo, espalhado pelas laterais da caixa. A pequena criatura parecia ter sido cortada, mutilada, mas era difícil saber ao certo.
— Quem... fez isso? — sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela.
Vallie finalmente piscou, como se minha voz tivesse atravessado a barreira de terror que a prendia. Ela virou o rosto devagar para me encarar, os olhos arregalados, brilhando com lágrimas que não caíam.
— Eu não... — ela começou, mas a voz falhou. Ela engoliu em seco, tentando de novo. — Eu não sei.
Me aproximei mais um passo, segurando seu braço delicadamente, checando a mão ensanguentada. Felizmente, o sangue não era dela.
— Vallie, olha pra mim. — Minha mão segurou seu rosto, obrigando-a a desviar o olhar da caixa. — Você está bem?
Ela assentiu, mas o movimento era automático, sem convicção.
— Quem fez isso? — perguntei novamente, mais firme agora, tentando trazer sua mente de volta à realidade.
— Eu... eu não sei... — sussurrou. — Eu só... achei a caixa. Estava no meu guarda-roupa... e quando abri...
Ela não conseguiu terminar. Seu corpo começou a tremer mais forte, e eu a puxei para perto de mim, envolvendo-a em um abraço apertado.
— Está tudo bem — murmurei, embora soubesse que nada estava bem.
Quem diabos deixaria algo assim para ela?
Meu olhar voltou para a caixa no colchão. O coelho morto parecia um aviso. Quem quer que tenha feito isso, sabia do apelido que dei para ela.