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Tento assimilar tudo que me disseram até agora, se não fosse pelo medo dessas pessoas eu pensaria que estão mentindo, mas está tudo aqui, inúmeros relatos e provas sobre lobisomens atacando humanos transformando para aumentar as alcatéias, e vampiros que caçam por diversão e se alimentam até o humano morrer, prática que foi proibida há séculos.

O Pran vai ficando mais impaciente a cada segundo, não vai demorar muito pra ele vir atrás de mim. Devolvo o tablet para o homem e penso no que fazer.

— Eu não sei o que vocês querem de mim, mas essa é uma conversa que vocês deviam ter com o rei, os dois reis já que são problemas causados pelas duas espécies.

— Nós tentamos, muitas vezes. O antigo rei nunca tinha tempo para nos atender, o filho dele não se importava, o novo rei... Bem, não conseguimos chegar até ele.

— É por isso que eu estou aqui? Porque você quer chegar até ele?

— Você está aqui porque é a nossa única esperança.

Eu passo a mão pelo cabelo e respiro fundo.

— Pran, você sabe onde eu estou?

Os homens a minha volta me olham surpresos e confusos, o Pran demora um pouco para controlar os sentimentos e responder com alegria, logo em seguida vem a preocupação.

— Eu estou bem, mas eu preciso que você venha aqui... — O homem, mesmo com medo, acena concordando. — Eles vão te deixar passar, pode vir com a alcateia, mas não ataquem ninguém.

Apesar de ainda estar confuso ele responde com alegria, então com amor, fecho os olhos por um momento sentindo ele me preencher, esse é um sentimento que nunca vou me cansar.

— Te vejo em breve...

Quando abro os olhos todos me encaram sem disfarçar.

— Ele estará aqui em breve.

— O que... Co como... Vocês...

O homem fica gaguejando como se não soubesse formular a pergunta ou sequer imaginar o que acabou de acontecer.

— É um elo especial quando lobisomens e vampiros se tornam parceiros, podemos nos comunicar mesmo a distância.

— Eu nunca ouvi falar sobre isso.

— Porque a união entre as espécies é muito rara.

— Ele ouviu tudo o que você disse?

— Sim.

— E o que nós conversamos?

Não gosto de todo esse questionário, então mudo de assunto.

— Achei que teria alguma coisa pra comer.

O humano não parece gostar da minha evasiva, mas sabe que não está em posição de exigir respostas.

Como devagar concentrado nas mudanças de humor do Pran, ele não deve estar longe, porque está impaciente e ansioso, espero que toda a minha alcatéia esteja com ele, não que a humanos sejam uma ameaça, apenas não gosto da ideia dele andando por aí desprotegido tentando me encontrar.

Uma agitação do lado de fora nos deixa alerta, a porta abre e três homens entram, consigo sentir o cheiro de medo vindo deles a quilômetros de distância.

— O rei... Ele chegou... Tem muitos deles... Muitos...

O homem parece prestes a desmaiar, os outros não estão diferente.

— É a minha alcatéia, não se preocupem, eles não farão nada se não houver ameaça.

A informação não parece ter ajudado, então imagino que toda a alcatéia tenha vindo com o Pran, já fizemos as maiores alcatéias do reino vacilarem, para um grupo de humanos deve ser muito mais assustador.

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