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Mystic Falls, Virgínia - 2010

Desde que vira Elijah pela primeira vez, Amélia não havia mais sonhado com ele. Mas naquela noite em especial, tomara um dos calmantes de sua mãe, na esperança de conseguir dormir. Desde que Tyler partira, deixando apenas uma carta para ela e outra para Carol, as noites na mansão Lockwood tornaram-se inquietas.

Para Amélia, cada vez que fechava os olhos, imagens de Tyler preenchiam sua mente, acompanhadas de pensamentos horríveis. O choro abafado de Carol, ressoando pelos corredores durante a madrugada, só tornava tudo mais difícil. Embora a mãe tentasse esconder a dor para não preocupá-la, Amélia sabia, pois, assim como Carol, ela também não dormia.

Naquela noite, o calmante finalmente a fez adormecer. Mas o descanso, embora necessário, trouxe sonhos ainda mais conturbados.

Amélia se viu novamente na mesma clareira de sempre, envolta em uma neblina pesada. A escuridão ao redor era opressora, preenchendo cada canto, enquanto o som do rio de sangue ecoava, mais turbulento do que nunca. Mas ele não estava lá dessa vez. Elijah sempre surgia nesses sonhos, mas agora ela estava sozinha.

Ao ouvir seu nome ser sussurrado, ela se virou abruptamente, procurando a origem do som. Nada. Apenas o vazio. Um calafrio percorreu sua espinha.

De repente, uma dor excruciante atravessou seu peito. Amélia, mesmo dormindo, virou-se na cama, gemendo de agonia. A dor parecia mais real do que qualquer coisa, o que era estranho, mas... o que era normal em sua vida, afinal?

A dor voltou, mais forte, mais intensa, arrancando-lhe um grito abafado. Sua mão instintivamente foi ao peito, pressionando o local onde a sensação era mais aguda. Em seu sonho, sua blusa branca estava agora manchada de sangue, um líquido escarlate que não parava de jorrar, como se tivesse sido esfaqueada. O grito dela ecoou na clareira, carregado de dor e angústia.

Então, ela ouviu novamente. O sussurro. Mais claro, mais próximo. Seu nome.

Amélia tentou lutar contra a sensação, mas a dor e a angústia eram esmagadoras. O clarão veio, iluminando tudo ao redor. E então ela despertou, arfando, como se estivesse sem ar.

Elijah... — murmurou, ainda ofegante, sentindo o nome dele vibrar em sua mente, como um chamado.

Amélia não sabia ao certo quando o controle lhe escapou. Seu corpo parecia agir por conta própria. Sem hesitar, levantou-se da cama, calçou os chinelos e saiu do quarto, deixando para trás o calor de seus cobertores. A mente, envolta por uma névoa densa, parecia ausente. Seus passos automáticos a conduziam como se uma força invisível lhe guiasse.

Antes que pudesse questionar o que fazia, encontrou-se na garagem, com as mãos trêmulas ajustando a chave na ignição. O motor ronronou suavemente, e ela dirigiu como em transe. Não sabia o destino, mas a direção era clara. Cada curva parecia instintiva, como se um mapa invisível a conduzisse.

Quando enfim o carro parou, ergueu os olhos para encarar a fachada imponente da pensão Salvatore, envolta em sombras sob a luz tênue da lua. A visão da casa despertou um frio que lhe percorreu a espinha, e o ar pareceu subitamente mais denso. O nome de Elijah ecoava em sua mente como um sussurro persistente, carregado de urgência e mistério.

Por um instante, hesitou. Mas a força que a trouxera até ali não deixaria espaço para dúvidas.

Amélia já conhecia os segredos da grande casa dos Salvatore, incluindo o local onde a chave reserva estava escondida. Guiada por aquela força irresistível, seus passos a levaram até a planta ao lado da porta. Sem hesitar, enfiou a mão entre as folhas ásperas, encontrando a chave fria ao toque. O som suave do metal destrancando a porta parecia ecoar em um silêncio quase sobrenatural.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora