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Mystic Falls, Virgínia – 2010

Amélia e Elijah perderam a noção do tempo ali, parados na porta, envoltos no calor um do outro. O mundo ao redor se dissolveu, reduzido ao som ritmado da respiração dele, ao pulsar firme do coração contra o ouvido dela. O cheiro amadeirado e inconfundível de Elijah a envolvia, trazendo um conforto perigoso, quase esquecido. Por um instante fugaz, nada mais importava. Nada havia mudado.

Mas a verdade é que tudo tinha mudado.

A lembrança do motivo que os levara até ali atingiu Amélia como um golpe no estômago, roubando o fôlego que o abraço de Elijah havia lhe dado.

— Espera... você não devia estar aqui. — Sua voz saiu tensa. — Rick quer matar você.

Elijah manteve o olhar fixo no dela, o rosto sereno, mas os olhos carregados de algo sombrio.

— Me diga, Amélia... onde está Alaric Saltzman?

Ela balançou a cabeça, cruzando os braços em um gesto defensivo.

— Não! — disse firmemente. — Não vou deixar você ir atrás dele. É exatamente o que ele quer.

O maxilar de Elijah se contraiu. Ele inspirou fundo, tentando conter a fúria que queimava dentro dele.

— Ele ousou machucar a minha... — Ele fez uma pausa, prendendo as palavras antes que escapassem. Seu olhar escureceu. — Ele machucou você, Amélia. E por isso, eu vou caçá-lo. E quando eu o encontrar... — Um sorriso frio tocou seus lábios. — Farei o próprio diabo chorar ao ver o que farei com ele.

— Ele está atrás do corpo do Klaus. — Amélia disse, com a voz mais baixa.

— Como assim? — Elijah franziu o cenho.

Ela suspirou, passando as mãos pelos cabelos.

— É uma longa história. — ela disse, pegando as chaves do carro. — Vem comigo, te explico no caminho.

Elijah segurou sua mão antes que ela pudesse dar outro passo. Seu toque era firme, mas cuidadoso.

— Eu estou de carro. Deixe as chaves. —
Os olhos dele encontraram os dela, intensos, determinados. — Me diga para onde ir.

Amélia respirou fundo, hesitando por um instante.

— Para a casa da Elena. — Ela ergueu o queixo, reunindo forças. — Vamos trazer o Klaus de volta.

[...]

A noite estava fria. A luz amarelada dos postes iluminava fracamente as ruas desertas, e um vento cortante agitava as folhas secas espalhadas pelo asfalto. Amélia subiu os degraus da varanda e bateu na porta da casa dos Gilbert com firmeza, o coração acelerado no peito. Elijah permanecia ao seu lado, imponente como sempre, a expressão neutra, mas os olhos atentos a cada detalhe ao redor.

O tempo pareceu se estender até que a porta finalmente se abriu, revelando Elena. Ela estava com os cabelos presos em um coque apressado e vestia um suéter largo, os olhos refletindo um misto de surpresa e alívio ao ver a amiga.

— Amy... — Elena sussurrou, e sem hesitar, puxou Amélia para um abraço apertado.

Por um breve instante, Amélia fechou os olhos e respirou fundo. A familiaridade do gesto aqueceu algo dentro dela, mas durou pouco. Assim que Elena se afastou e percebeu Elijah parado ao lado, sua expressão mudou drasticamente.

— Elijah? — Sua voz carregava choque e desconfiança.

— Olá, Elena. — Ele a cumprimentou com sua usual cortesia, a voz tranquila, mas carregada de significado.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora