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Nova Orleans, Luisiana - 2012

A armação de Klaus corria exatamente como planejado.

A noite em Nova Orleans exalava vida e mistério. As luzes do festival, ainda visíveis à distância, lançavam reflexos coloridos nas janelas altas do Complexo, criando sombras dançantes pelas paredes antigas de tijolos e heras. O aroma doce de açúcar queimado, vinho tinto e flores frescas ainda pairava no ar, carregado pela brisa morna do início da primavera.

No centro do pátio interno, o som delicado e assombroso de um violino preenchia o espaço com notas trêmulas, quase fantasmagóricas. O músico? Um garoto magricela e pálido, pendurado no telhado como uma decoração bizarra. Ele dedilhava as cordas com olhos fixos em algum ponto distante, talvez em esperança, talvez em medo.

As escadas rangiam levemente quando Klaus e Elijah surgiram no topo delas, lado a lado. Elijah, impecável como sempre, usava um terno escuro que contrastava com a tensão que vibrava sob sua postura controlada. Klaus vinha logo atrás, com um sorriso preguiçoso e olhar aguçado, como quem aprecia um jogo cujo final já conhece.

Ambos desciam os degraus lentamente, como generais de guerra prestes a assistir o campo de batalha ser montado.

— Pra onde a Rebekah foi? — Klaus quebrou o silêncio, a voz baixa, mas carregada de desinteresse fingido.

— Não é com a Rebekah que estou preocupado. — Elijah respondeu sem tirar os olhos do pátio. — E sim com Amélia, que simplesmente desapareceu do quarto.

— Relaxa. Eu vi ela saindo pro festival. — Klaus suspirou, os ombros relaxados em completo contraste com o irmão mais velho.

Elijah parou no meio da escada e virou-se para ele, a mandíbula cerrada como uma flecha prestes a ser lançada.

— Sozinha? E você deixou?

— A vida dela virou de cabeça pra baixo, irmão. — Klaus respondeu, finalmente encontrando seu olhar. — A mãe morreu, vocês terminaram, e agora ela está esperando um bebê sobrenatural milagroso. Dá um tempo pra lobinha respirar.

A brisa noturna soprou por entre as colunas do andar térreo, fazendo balançar as cortinas esvoaçantes de uma das janelas. A música lá do alto mudou de tom. Mais aguda, mais frenética.

— Como está tão certo que a Davina virá? — Elijah perguntou, voltando a caminhar.

Klaus ergueu o queixo, confiante.

— Acho que você esqueceu como é estar no meio de uma paixão que te consome. — Um meio sorriso se formou em seus lábios. — Ela vem.

— Esse teatro sentimental é mesmo necessário? — Elijah murmurou, lançando um olhar crítico para o garoto no telhado.

— É um ponto justo. — Klaus deu um pequeno assobio. — Timothy, toque algo mais animado, por favor! Isso tá parecendo um velório.

Como se obedecendo à ordem de um maestro invisível, o garoto mudou a melodia para algo mais leve, mas ainda com uma certa melancolia sob as notas.

Nesse instante, passos suaves soaram pelas pedras do pátio. Amélia surgiu de uma das passagens laterais, e o som de seu vestido leve sussurrou junto à brisa. Os cabelos estavam levemente bagunçados pelo vento, e seus olhos ainda carregavam o brilho dourado das lanternas do festival.

Ela parou, intrigada, ao erguer os olhos para o alto.

— Por que tem um garoto tocando violino no teto? — perguntou com a testa franzida, a voz baixa, quase temendo a resposta.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora