Nova Orleans, Luisiana - 2012
Quando chegaram ao quartel, o pátio principal do primeiro andar já fervilhava de movimentação. O ar estava denso, carregado de tensão e expectativa. Vampiros se espalhavam em grupos, formando pequenos círculos enquanto cochichavam entre si, os olhos atentos e inquietos. O som das vozes abafadas ecoava entre as colunas de pedra, misturando-se ao farfalhar das folhas que dançavam com o vento noturno.
No centro da agitação, Marcel se mantinha firme, os braços cruzados sobre o peito e o semblante austero. Ele observava tudo com olhar calculista, como um general prestes a anunciar uma guerra. A cada novo olhar lançado, os grupos silenciavam, atentos ao comando que estava por vir. Até que...
— MARCEL! — o grito de Elijah ecoou pelo pátio como um trovão.
Todos se calaram.
— Cadê meu irmão?!
Antes que Marcel pudesse responder, Elijah o empurrou com violência contra a parede.
— Elijah! — Amélia chamou, tentando puxá-lo de volta.
— Klaus teve um dos surtos dele! — esbravejou Marcel, com raiva e frustração. — Quebrou meu pescoço e saiu sozinho pra enfrentar um clã inteiro de bruxas! Eu não sei onde ele tá, nem como encontrá-lo!
— Estão com a Rebekah também. — Elijah rosnou, soltando Marcel. Ele se virou para os demais vampiros reunidos ali, os olhos brilhando de fúria. — CADA UM DE VOCÊS! vai me ajudar a achá-los. Nem que eu tenha que matar cada bruxa em Nova Orleans pra isso.
O silêncio foi total. Ninguém ousava contrariá-lo.
— Ele tá irritado. — Hayley murmurou ao lado de Amélia, observando Elijah se afastar com o olhar assassino.
— É melhor ficar no seu quarto até tudo se acalmar. — disse Amélia, baixando o tom. — Eu também vou pro meu.
— Tudo bem. — Hayley assentiu.
— Vou atrás de pistas. — Elijah falou para Marcel, caminhando na direção da saída. No último segundo, lançou um olhar cortante na direção das duas lobas. — Não deixe elas saírem de casa.
[...]
Amélia retornou ao quarto e tomou um longo banho na banheira, deixando que a água morna lavasse a fuligem, a fumaça e o suor que ainda grudavam em sua pele. Precisava daquele momento. Precisava respirar.
Assim que saiu do banheiro, enrolada em um roupão, uma batida leve soou na porta, e ele entrou logo em seguida.
— Você está bem? — Marcel perguntou. — Soube do incêndio.
— Oi. Estou sim. — Amélia respondeu com um sorriso cansado. — O Elijah chegou na hora certa... não sei como ele soube, mas ele apareceu.
— Amélia... — Marcel hesitou por um instante. — Eu queria me desculpar por aquele beijo. Eu fui impulsivo e...
— Tá tudo bem. — ela o interrompeu gentilmente. — Não foi nada.
— AMÉLIA! — a voz de Elijah atravessou as paredes do complexo como uma tempestade.
— Ele voltou. — disse Marcel.
— Vamos lá. — Amélia respondeu, já indo em direção à porta.
Os dois desceram juntos e, assim que entraram na biblioteca, foram recebidos por um olhar mortal de Elijah, aquele tipo de olhar que dizia "o que estavam fazendo juntos?" seguido por um segundo pensamento ainda mais afiado: "e por que você está vestida apenas com um roupão?"
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Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
