43

1.5K 137 122
                                        

Mystic Falls, Virgínia – 2011

A tarde havia se desenrolado de maneira surpreendentemente serena, como se o caos recente tivesse ficado para trás, ao menos por um breve instante. Depois de tudo o que havia acontecido, Carol tomou a decisão de retomar os almoços familiares aos sábados, tentando restaurar um pouco da normalidade. Tyler, ainda se recuperando das cicatrizes do ataque, não questionou a ideia. Amélia, por outro lado, se manteve em silêncio durante boa parte da refeição, como se o peso da situação ainda estivesse sobre seus ombros.

Agora, na varanda da casa dos Lockwood, o ambiente parecia ter congelado em uma calma tensa. Carol girou a chave na fechadura, a lâmina metálica fazendo um som suave, mas hesitou por um momento antes de abrir a porta. O céu, tingido por tons dourados do fim da tarde, exalava uma leveza que contrastava com a intensidade que ainda pairava no ar. O vento fresco de Mystic Falls dançava entre as árvores, trazendo consigo um cheiro amadeirado de outono, como se a estação quisesse marcar sua presença, enchendo o ambiente com uma sensação de renovação que se tornava difícil de acreditar.

— Faz tempo que não almoçávamos juntos assim. — Carol quebrou o silêncio, forçando um sorriso, tentando dar leveza ao momento.

— Sim, só precisou do Ty ser atacado por um lunático para isso acontecer. — Amélia, encostada no batente da porta, cruzou os braços.

— Amélia... — Carol lançou um olhar de advertência para a filha.

— Ela tem razão. — Mas Tyler assentiu, concordando com a irmã.

A mãe suspirou, exasperada, e revirou os olhos para os filhos.

— Então agora vocês dois vão se juntar contra mim? — um pequeno sorriso surgiu no canto dos lábios de Tyler, mas antes que pudesse responder, Carol virou-se para Amélia, seu olhar se tornando mais afiado. — Ah, e não pense que eu esqueci que você sumiu por dez dias com um vampiro de mil anos, fazendo Deus sabe o quê.

— Mãe, eu tenho quase dezenove anos. — Amélia ergueu uma sobrancelha, entediada com o assunto.

— E ainda assim precisa me avisar onde está!

— Deixa ela, mãe. Garanto que ela estava mais segura com ele do que em qualquer outro lugar. — Tyler bufou, impaciente.

— Por enquanto, vamos esquecer isso. — Carol tentou para rebater, mas decidiu que não valia a pena insistir. Respirou fundo e voltou-se para a porta.

Ela girou a maçaneta e abriu a porta. O que encontraram do outro lado fez seus corpos ficarem tensos num instante.

A sala de estar estava ocupada por homens desconhecidos. Eles estavam espalhados pelo cômodo, alguns sentados nos sofás de couro, outros de pé, recostados contra as paredes. Nenhum deles parecia relaxado. Havia algo predatório em suas posturas, algo perigoso e calculista nos olhares que lançaram aos recém-chegados.

— Quem são vocês? — Tyler foi o primeiro a reagir, dando um passo à frente.

Carol segurou seu braço antes que ele fosse mais longe.

— Tyler, está tudo bem. — Sua voz carregava um tom de autoridade, mas havia uma leve tensão nela. — Eles estão aqui para proteger vocês dois.

Os olhos de Amélia percorreram os rostos dos homens.

— Mais policiais? — Tyler perguntou, mas já sabia a resposta.

Tyler olhou novamente, avaliando-os com mais atenção. Foi então que a ficha caiu.

— Ty... não são policiais. — A voz de Amélia saiu mais baixa, mas carregada de significado.

— Híbridos. — Ele franziu a testa, sua expressão se fechando.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora