Mystic Falls, Virgínia - 2011
O crepúsculo tingia o céu com tons de laranja e púrpura quando Elena estacionou o carro na clareira. O ar fresco da floresta parecia carregado de tensão, como se até mesmo a natureza pressentisse que algo estava fora do lugar. As folhas das árvores sussurravam baixinho com a brisa, e o silêncio era interrompido apenas pelo som dos próprios passos de Elena no cascalho do caminho.
De longe, ela avistou Elijah. Ele estava inquieto, caminhando de um lado para o outro como um predador enjaulado, a postura rígida e os traços normalmente serenos agora marcados pela impaciência. Mas o que mais chamou sua atenção foi a ausência de Amélia. Ela esperava encontrá-la ali, talvez ao lado dele, com aquele ar altivo e desafiador de quem sempre tinha uma resposta pronta. A inquietação em seu peito cresceu.
— Elijah, me pediu pra vir aqui por quê? — perguntou Elena, hesitando por um momento antes de se aproximar.
Ele parou de andar, voltando-se para ela com um leve sorriso, mas havia algo nos olhos dele, uma melancolia que ela não conseguia decifrar.
— Olá, Elena. — Ele a cumprimentou, o tom de sua voz soando educado, mas distante, quase ausente. — Ah... como senti falta desse lugar. Trouxe Amélia aqui antes de... bem, antes dela começar a me odiar.
Elena franziu o cenho, tentando ignorar a sensação de que ele estava se desviando do ponto.
— Não consigo nem imaginar como foi há mil anos. — Ela tentou suavizar a conversa, mas sua mente permanecia fixa na ausência de Amélia e na sensação de que algo estava terrivelmente errado.
Elijah soltou um suspiro, seus olhos vagueando pelo ambiente ao redor.
— Sabia que sua escola foi construída em cima de uma aldeia indígena? Foi onde vi meu primeiro lobisomem. — Ele parecia perdido em suas memórias, o tom de sua voz mais suave, quase nostálgico. — A praça fica onde os nativos se reuniam para os rituais. Na verdade, perto de lá tinha um campo onde cavalos selvagens pastavam.
Elena tentou acompanhar sua linha de pensamento, mas a inquietação não a deixava se envolver.
— Incrível. — respondeu, sem esconder o tom de preocupação.
Elijah, no entanto, não pareceu notar. Ele simplesmente deu um leve aceno com a cabeça e começou a caminhar, gesticulando para que ela o seguisse.
— Vem. — disse, sua voz agora carregando uma calma que, de alguma forma, parecia ainda mais inquietante para Elena.
Sem escolha, ela o seguiu, mas a ansiedade só crescia com cada passo. Algo estava fora do lugar, e Elijah não estava sendo claro.
— Conhece esse lugar também? — Elena perguntou, apontando para a entrada oposta da caverna que se conectava à adega da família de Amélia.
Elijah seguiu o olhar dela, os olhos sombrios parecendo buscar lembranças antigas.
— Conheço... Lá embaixo há uma caverna onde eu brincava quando criança. Ela leva a um sistema de túneis que se estende por toda a área. — A voz dele era carregada de nostalgia, mas logo se endureceu. — Hoje esse terreno pertence à família Lockwood. Talvez seja a maneira da natureza de enfrentar a selvageria da lua cheia. Minha mãe sempre disse que deve haver equilíbrio.
O desconforto crescia no rosto de Elena, e ela deu um passo hesitante para trás.
— Elijah... é melhor eu ir pra casa. — A inquietação na voz dela era clara, as palavras saindo apressadas.
Elijah parou e a observou por um momento, com uma expressão que misturava curiosidade e algo mais profundo, mais enigmático.
— Eu entendo por que Amélia te considera uma de suas melhores amigas... apesar do recente desentendimento entre vocês. — A voz dele era calma, mas havia uma ponta de acusação. — Ela valoriza as mesmas qualidades que eu. No entanto, eu não imaginei que seria da sua natureza ser dissimulada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
