Nova Orleans, Luisiana - 2013
O céu estava carregado de nuvens densas e sombrias, como se o próprio mundo contivesse a respiração antes da tempestade. O ar era pesado, úmido, e o vento cortava por entre as árvores centenárias com assobios frios. No centro de um descampado, entre lápides antigas cobertas de musgo e terra remexida por raízes expostas, Elijah e Amélia se enfrentavam em silêncio, não como inimigos, mas como aliados tentando sobreviver.
Amélia deu um passo para o lado e girou o corpo com agilidade, tentando acertar Elijah com uma estaca de madeira curta. Ele bloqueou o golpe com facilidade, desviando o braço dela com um leve toque e a empurrando de volta com o cotovelo.
— De novo. — murmurou ele, recuando dois passos, a postura firme, olhos atentos.
Ela bufou, os músculos tensos. Os cabelos, antes cuidadosamente presos, começavam a se soltar em mechas coladas ao rosto pelo suor. Seus olhos estavam inflamados de fúria contida, não contra Elijah, mas contra tudo o que ameaçava explodir dentro dela.
— Sua mãe de volta dos mortos e controlando os lobos, Davina em posse da estaca de Carvalho Branco e com seu pai na coleira. Da última vez que vi os dois, ambos tentaram me matar. — disse, girando a estaca na mão e partindo novamente para cima dele.
Elijah bloqueou o ataque, mas sentiu o peso da raiva dela no braço. Ele segurou o punho de Amélia e o empurrou para baixo, redirecionando a força do golpe com precisão.
— Vamos resolver isso, não se preocupe. — respondeu, com a voz calma, mas o olhar estreito. Seus passos ao redor dela eram calculados, levemente felinos.
Amélia girou em um movimento rápido e o surpreendeu com uma tentativa de chute baixo. Elijah saltou para trás e ergueu as mãos.
— E essa ideia ridícula de colocar vocês em corpos humanos? Pelo amor de Deus. — ela provocou, com sarcasmo escorrendo na voz, mas a dor real ainda vibrando sob as palavras.
Ele respirou fundo e deixou o corpo relaxar por um segundo antes de avançar de novo com um movimento de ataque lento, apenas para testar a atenção dela.
— Minha mãe se culpa por nos transformar. Tentou nos matar. Agora quer nos curar. — disse, desviando de um soco e, em seguida, segurando o pulso dela para imobilizar.
— Tudo que sei é que ela não pode saber das crianças, Elijah. De forma alguma. — Amélia se desvencilhou com um giro rápido e recuou três passos, os olhos fixos nos dele.
— Ela não vai. — Elijah se aproximou com cautela — Estou mais preocupado com você agora. Como tá se sentindo com tudo isso?
Ela hesitou. Sua respiração estava ofegante, mas não apenas pelo esforço físico. Os olhos dela brilharam por um momento com algo que ele reconheceu: dor mal resolvida.
— Eu... tô bem. — disse, voltando à posição de guarda.
Elijah ergueu uma sobrancelha, leu a mentira com facilidade e, sem aviso, tentou um ataque rápido, só para testar os reflexos dela. Amélia reagiu a tempo, bloqueando, mas o tremor nas mãos a denunciou.
— Não, não está. Você tá em choque. E preocupada demais com nosso filho pra se deixar processar a dor. — Elijah disse, a voz baixa, mas firme, enquanto segurava os antebraços dela, impedindo que recuasse.
Ela afastou os braços com força, como se quisesse escapar das palavras dele mais do que do golpe. A estaca caiu no chão úmido e o som abafado pareceu encerrar uma batalha silenciosa travada dentro dela.
— A Bonnie e o Damon morreram, Elijah. Ou ficaram presos no outro lado, ou sei lá. O Stefan desapareceu e a Elena está tão desolada que parece outra pessoa. A única que está segurando tudo é a Caroline. — os olhos dela se encheram, mas não transbordaram. — Queria estar lá com eles. Mas temos problemas mais importantes aqui! A vida do nosso filho e da nossa sobrinha corre risco.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
