Nova Orleans, Luisiana - 2012
5 meses depois
O quarto estava imerso na sombra que a noite deixava, com a única luz vindo da lâmpada sobre a mesa onde Klaus trabalhava. O som suave da tinta sendo misturada nas paletas era o único ruído, quebrado apenas pelas batidas suaves dos passos de Genevieve à medida que ela se aproximava. Klaus não levantou os olhos para olhar. O movimento de suas mãos estava meticulosamente controlado, como se ele estivesse tentando ordenar seus próprios pensamentos com as pinceladas. Cada traço, uma tentativa de escapar do tumulto em sua mente.
Ela o observava, o semblante de Genevieve inexpressivo, mas seus olhos carregavam uma história que ele conhecia bem. Ela o olhava como se soubesse mais sobre ele do que ele próprio poderia admitir. Era uma presença constante agora, todas as manhãs, a mesma rotina, a mesma tensão no ar.
Ele pausou por um instante, colocando o pincel com cuidado. Depois, finalmente, falou.
— Dizem que a passagem do tempo cura todas as feridas, mas quanto maior a perda, mais fundo é o corte. Mais difícil é o processo pra ficar bem de novo. A dor pode passar, mas as cicatrizes servem como lembrete do nosso sofrimento. E deixam a pessoa decidida a numa mais ser ferida. Então enquanto o tempo passa, nós nos perdemos em distrações. Agimos pela frustração. Reagimos agressivamente. Nós entregamos a raiva. E durante um tempo, conspiramos e planejamos enquanto esperamos ficar mais fortes. E antes de percebermos, o tempo passa. E estamos curados. Prontos pra começar de novo!
A risada suave de Genevieve soou como uma lâmina afiada cortando o silêncio. Ela estava ali, como sempre, com uma confiança que parecia transcender tudo ao seu redor. Ela se aproximou da janela, as cortinas se movendo ligeiramente com a brisa suave.
— Falou como um homem que fez as pazes com seus demônios.
Klaus não respondeu imediatamente. Aquelas palavras... ele conhecia o peso delas mais do que gostaria. Finalmente, ele levantou o olhar, focando em Genevieve, mas de uma forma que parecia distante, como se suas palavras não tivessem a urgência que ela esperava.
— Meus demônios estão mortos ou foram caçados. — Ele disse, como se fosse um fato consumado, embora as sombras por trás de seus olhos sugerissem o contrário.
Genevieve deu um sorriso, mas não um sorriso gentil. Era quase desafiador. Ela olhou para a porta do quarto com uma expressão vazia.
— Tirando o monstro com quem você divide a cama. — a voz de Elijah irrompeu de repente, vinda da porta, com sua presença sempre tão controlada e fria. — Acho que pode achar suas roupas e a porta. Acredito que não tenha esquecido que essa mulher torturou a nossa irmã.
Genevieve não se incomodou. Ela apenas deu um leve sorriso e se retirou da sala com uma leveza que contrastava com a tensão no ar. Klaus a observou, mas seus pensamentos estavam em outro lugar, como se ela fosse apenas uma sombra a mais nas paredes de sua prisão.
Elijah avançou, os olhos fixos em Klaus, sem uma centelha de humor ou paciência.
— E também revelou a verdade sobre a traição dela. — Klaus não hesitou em rebater.
— Por consequência, Rebekah se foi pra sempre. Todas as mulheres dessa casa, aparentemente se foram.
O silêncio caiu por um instante, pesado. Elijah não parecia surpreso, mas havia algo em seu olhar que deixava claro que a perda ainda era um fardo, mesmo que ele tentasse esconder.
— Um desejo que ela aparentemente teve por muito tempo. — Klaus completou, como se o peso das palavras não o tocasse mais.
— Niklaus, já fazem cinco meses! — A voz de Elijah era mais firme agora, quebrando o silêncio com uma urgência que Klaus não estava mais disposto a enfrentar. — Sinto falta da nossa irmã tanto quanto você. Mas você tem que parar de se distrair com esse comportamento ridículo e canalizar isso pra alguma ação.
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Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
