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Nova Orleans, Luisiana — 2012

A cidade vibrava em um compasso próprio, quente, viva, antiga. Amélia caminhava pelo Bairro Francês puxando uma mala pesada com um peso no peito. Cada passo parecia conduzi-la mais fundo em um destino que ela ainda mal compreendia. O bar à sua frente parecia prometer um instante de pausa.

Na placa desbotada, lia-se: "Rousseau's".

Ela empurrou a porta com suavidade. O aroma de bourbon e madeira antiga a envolveu, misturado ao som de jazz suave que preenchia o ambiente. Poucas pessoas estavam no local, o que a fez soltar um suspiro aliviado. Precisava de calma, por dentro, tudo era tempestade.

Se aproximou do balcão, onde uma jovem loira limpava copos com um pano, o semblante tranquilo. Seus olhos se encontraram, e havia algo gentil no olhar da garçonete.

— Oi. Seja bem-vinda ao Rousseau's. — disse ela com um sorriso. — O que posso trazer pra você?

— Um suco, se tiver. E... uma informação, talvez. — Amélia respondeu, ainda em pé, observando o lugar.

— Suco, temos. Informação... depende. — a garçonete sorriu com leveza, mas os olhos estavam atentos. — Sou Camille, aliás.

— Amélia. — ela respondeu, estendendo a mão, e as duas se cumprimentaram rapidamente.

Camille começou a preparar o pedido, mas antes que virasse as costas, Amélia perguntou.

— Você conhece Klaus Mikaelson?

Camille parou por um segundo, inclinando levemente a cabeça. O sorriso desapareceu, e agora havia uma sombra de cuidado por trás dele.

— Conheço. — disse. — A pergunta é... você é amiga, inimiga... ou algo entre os dois?

Amélia hesitou por um breve instante, então disse com firmeza.

— Amiga.

Camille a encarou por um segundo mais longo, como se avaliasse a veracidade por trás daquela palavra. Então assentiu com leveza, voltando a preparar o suco.

— Ele está no complexo, do antigo quartel francês. Não é difícil de achar, só... esteja certa de que quer mesmo vê-lo.

— Eu estou. — Amélia respondeu, firme.

— Tudo bem. — Camille entregou o suco. — Boa sorte, Amélia.

— Obrigada, Camille.

Amélia bebeu o suco de uma vez, como se quisesse reunir forças em cada gole. Deixou uma nota dobrada sobre o balcão, agarrou sua mala e caminhou até a porta. Parou por um segundo, como se sentisse o peso da escolha prestes a ser feita. Então saiu.

[...]

Amélia entrou no complexo com o coração acelerado, imaginando o que encontraria. Para sua surpresa, o lugar não era o castelo sombrio que tinha pintado na mente. Era grande, espaçoso, com uma arquitetura antiga e imponente, mas ainda assim, silencioso demais. Quase como se estivesse esperando por algo. Ou alguém.

Ela subiu as escadas com passos lentos, o peso da decisão que tomara sendo sentido a cada degrau. Suas mãos tremiam levemente quando ela começou a abrir as portas do andar superior, uma a uma, como se procurasse o início de uma resposta.

Na penúltima, ela parou.

Ali estava ele.

Klaus, parado na sacada de um dos quartos, com um copo de uísque na mão, observando a cidade lá fora. A expressão dele suavizou ao vê-la.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora