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Mystic Falls, Virgínia - 2011

Naquela manhã abafada, o ar carregava uma sensação opressiva, tornando cada passo mais difícil. Mas Amélia precisava correr. A adrenalina que percorria seu corpo ajudava a manter sob controle a fúria que sempre borbulhava dentro dela, graças a sua natureza selvagem.

Quando finalmente retornou, o suor escorria por sua pele quente, tornando a necessidade de se refrescar quase urgente. Sem perder tempo, encheu a banheira com água fria e afundou-se nela, sentindo um arrepio instantâneo percorrer sua espinha. O contraste com o calor que emanava do seu corpo, que era naturalmente mais quente que o de uma pessoa normal, a fez soltar um suspiro de alívio.

Com uma das mãos, ela segurava o celular contra a orelha, enquanto a outra deslizava pela superfície da água, traçando pequenos círculos. A voz de Caroline ecoava do outro lado da linha.

— Eu tô bem, já meio que me acostumei com a ideia. — disse Amélia, sua voz saindo mais calma do que realmente se sentia. — Não há muito o que eu possa fazer sobre isso.

A resposta de Caroline veio rápida, carregada de preocupação.

Vocês deviam ficar juntos. Sou a única que acha que separados você corre mais perigo?

— Eu vou ficar bem, Care. — Amélia sorriu de leve, girando os olhos para o teto. — O Klaus me ensinou algumas coisinhas.

Do outro lado, Caroline bufou.

Klaus? Fala sério. Nada que venha dele pode ser bom.

— Ele tem uma queda por você. — O sorriso de Amélia se alargou.

A reação foi imediata.

Não seja ridícula, Amy.

— Eu vi os desenhos que ele fez de você. — Amélia inclinou a cabeça para trás, deixando que seus cabelos flutuassem na água.

Não quero saber nada sobre desenhos fofos de caras malvados.

— Ele não é tão ruim assim. — Amélia riu baixinho, seu dedo deslizando despreocupadamente pela borda da banheira.

Essa família te enfeitiçou.

— Como a Bon tá? Vou ligar pra ela mais tarde. — Amélia perguntou, genuinamente preocupada com a amiga.

O tom de Caroline mudou ligeiramente, mais sério.

Péssima, mas levando... Tá com a mãe dela.

— Ela ainda não tá falando com a Elena? — Amélia soltou um suspiro pesado e passou a mão pelo rosto molhado.

Com um movimento preguiçoso, ela se ergueu da água, sentindo o choque térmico arrepiar sua pele. As gotas frias escorriam lentamente por seu corpo enquanto ela pegava a toalha.

Não, mas também... não é pra menos, né? A mãe dela virou vampira porque o Damon queria proteger a Elena.

Amélia franziu a testa ao se enrolar no roupão.

— Porque o Elijah sequestrou a Elena pra me salvar. — Ela secou o rosto rapidamente e suspirou. — Droga... Acho que ela não vai querer falar comigo também.

Dá um tempo pra ela, vai passar.

Amélia deslizou os pés pelos chinelos e se aproximou da pia, apoiando o celular na bancada enquanto começava a torcer os cabelos em uma toalha.

— Se eu perdoei ela por ter ajudado indiretamente na morte do meu pai, ela pode me perdoar por ter ajudado indiretamente na transformação da mãe dela.

Lua de SangueHistórias para pegar e não largar. Descubra agora